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Saiba como vai funcionar o cabo submarino do Google que vai ligar São Paulo e Rio

Nesta semana, a Google anunciou que irá construir, até o fim de 2017, um cabo submarino de fibra que ligará os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. No total, serão 390 quilômetros de fibra óptica. O que isso muda na vida dos brasileiros? Conheça detalhes a seguir.

Como você deve saber, para que as informações que trafegam na internet circulem livremente pelo mundo todo, é necessário o uso de milhares de quilômetros de cabos submarinos, os chamados backbones. São eles que, efetivamente, permitem a troca de dados e informações entre os continentes.

É por causa dos backbones que você pode jogar games online, acessar os diversos serviços Google, seus perfis em redes sociais e, basicamente, qualquer outra coisa na internet. Porém, com o acesso à internet cada vez mais facilitado, o volume de dados trafegados cresce exponencialmente.

Com isso, a infraestrutura de backbones montada para viabilizar o transporte deste dados logo fica sobrecarregada. A solução? Criar mais backbones! Cristian Ramos, gerente de parcerias de desenvolvimento de infraestrutura de internet para a América Latina, disse o motivo para a construção desse cabo:

"Temos um tráfego muito grande no Google, por isso precisamos construir cabos para transportar todo este conteúdo."

Em outras palavras, o tráfego oriundo dos serviços Google, como Gmail, YouTube, Maps, Docs, Hangouts, dentre tantos outros, é grande demais. A infraestrutura brasileira já não está dando mais conta.

O cabo, batizado de JÚNIOR, atingirá a velocidade de 13 Tb/s. Ou seja, serão nada mais nada menos que 1,6 TB/s. Com essa conexão você baixaria todos os filmes do mundo em poucos minutos. Abaixo, você confere a ilustração da área que será coberta com o novo cabeamento.

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Novo cabo de fibra óptica submarino ligará SP a RJ / © Google

O JÚNIOR vai transmitir apenas os dados da Google. Ele não será comercializado para outras empresas. A intenção da Google com a construção deste cabo é reduzir o tráfego nas estruturas já existentes no Brasil. Isso desafogaria o fluxo de bytes nos cabos já existente e evitaria a formação de gargalos.

Por exemplo, o cabo Atlantis 2, que liga os data centers da Europa ao Brasil, possui uma taxa de transferência de apenas 20 Gb/s. Pouco para o volume gigantesco de tráfego. A construção e implementação deste novo cabo submarino será feita em conjunto com uma empresa brasileira, a Padtec. Esta companhia, sediada em Campinas, já fornece toda a infraestrutura da rede da Campus Party, o maior evento de tecnologia do Brasil.

Além disso, as cidade-sedes da Copa das Confederações e seis sedes da Copa do Mundo de 2014 foram interligadas com os cabos construídos pela Padtec. A Padtec também fornece e instala os cabos do projeto Amazônia Conecta, que instala-os no leito dos rios, dentre outros projetos sediados na América Central e EUA. Em outras palavras, a Padtec tem um conhecimento importante deste mercado.

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Estes são os cabos de fibra óptica que atravessam o fundo dos oceanos / © GIZMODO

A vantagem da construção dos cabos ser de uma empresa brasileira é que, primeiro, ela está gerando emprego e renda para muitas famílias. Segundo, está elevando o nível da engenharia brasileira, já que os padrões da Google são bem altos e, terceiro, amplia-se ainda mais a rede de fibra óptica atuante no Brasil.

Este cabo irá se interconectar com o cabo MONET, que fica pronto no final deste ano e liga a cidade de Boca Raton, nos Estados Unidos, às cidades de Fortaleza e Santos, ambos no litoral brasileiro. Ele tem uma incrível extensão de 10 mil quilômetros e velocidade de 64 Tb/s.

E também será interligado ao cabo submarino TANNAT, que ligará a cidade de Santos até Maldonado, no Uruguai. Ele tem uma extensão de 2 mil quilômetros e velocidade de 90 Tb/s. Tanto o Tannat quanto o Júnior ficam prontos no fim de 2017. 

O JÚNIOR é constituído de oito pares de fibra óptica e três repetidores submarinos, todos desenvolvidos pela Padtec. Quanto mais pares, mais confiável é o sinal, gerando um tráfego com menos ruído e menos perda de pacotes.

Como é a construção de um cabo submarino?

Os cabos de fibra óptica são bem finos e delicados. Por isso, eles ficam bem no miolo do cabo. Os pequenos e finos fios de fibra óptica são envoltos em vaselina que, por sua vez, fica dentro de um cabo de cobre ou alumínio (ver imagem acima). Daí vem duas camadas, uma de policarbonato e outra de alumínio que impede que a água entre no cabo.

Por fim, uma grosa camada de cabos de ações revestem as camadas anteriores. Esta camada de aço é revestida por um filme poliéster boPET que, finalmente, é coberto por uma camada de polietileno. UFA! Cada metro destes cabos pesam 10 Kg. E, mesmo assim, esses cabos vez por outra ainda são partidos por tubarões.

Para os próximos anos, a Google planeja ampliar ainda mais a infraestrutura brasileira, instalando três novos cabos submarinos. O SACS ligará Fortaleza à Angola, na África; o Seabras-1 conectará São paulo à Nova York e um terceiro cabo interligará Fortaleza à Lisboa, em Portugal.

E aí, você acha que o novo cabo mudará a qualidade da nossa conexão com os serviços do Google?

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