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Apple abre a discussão: até que ponto a criptografia é importante para todos?

Vivemos em um mundo cada vez mais conectado e isso trouxe uma outra preocupação relacionada à segurança dos dados que trocamos entre nossos dispositivos e a grande rede. Mas será que a criptografia é sempre benéfica para todos os usuário e para a sociedade?

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Recentemente enfrentamos um bloqueio temporário do WhatsApp devido à suposta resistência da empresa em fornecer dados de conversas entre criminosos que estavam sendo investigados pela polícia. Porém, a criptografia usada pelo WhatsApp é do tipo end-to-end, ou seja não permite o acesso do conteúdo nem pelo próprio WhatsApp durante a transmissão entre os terminais, tudo em nome da privacidade das conversas.

Outro caso interessante que ganhou as manchetes envolve a Apple e o FBI, o órgão governamental americano estaria há mais de 2 meses tentando acessar o conteúdo de um iPhone pertencente à um dos atiradores responsáveis pela ataque em San Bernardino, na Califórnia, no último dia 2 de dezembro de 2015.

De acordo com uma carta aberta, Tim Cook informou que o FBI teria solicitado à Apple que desabilitasse o sistema de segurança que apaga os dados dos iPhones em caso de 10 tentativas sem sucesso de desbloqueá-lo.

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Será que as empresas serão obrigadas a fornecer opção de acesso a dados protegidos? / © ANDROIDPIT

Em resposta, os dirigentes da Apple afirmaram que não poderiam ajudar, já que seu sistema de segurança só poderia ser desativado diretamente nas configurações do iPhone após o desbloqueio do mesmo. Foi informado ainda que a empresa não planeja elaborar uma opção de segurança para acesso não autorizado de dados dos usuários, já que “o que os donos dos iPhones guardam em seus aparelhos não é da nossa conta”, disse Tim Cook.

Mas até que ponto essa privacidade toda é 100% interessante. Será que os dados de um terrorista ou criminoso merecem a mesma proteção que os dados dos demais usuários comuns?

A questão é polêmica, já que a existência de uma “porta dos fundos” para acesso não autorizado de dados, ainda que usada somente por autoridades para casos específicos, pode representar a brecha que pode ser usada por terceiros para fins não tão nobres como segurança nacional, o que é ainda mais grave quando se pensa na expansão do serviço de pagamentos através de smartphones.

E em época na qual os famosos nudes costumam circular nos bate papos entre usuários de apps como WhatsApp, Telegram, Snapchat e outros, a criptografia de dados passou a ser algo levado em conta pela maioria dos usuários.

Diante de uma questão tão polêmica queremos saber a sua opinião sobre a criptografia de dados.

Será que as empresas deveriam manter uma opção de acesso de dados para ser usada em casos específicos pela justiça, ou essa barreira de segurança é algo que não deve sofrer limitações?

Os comentários favoritos dos leitores

  • Igor Henrique 17/fev/2016

    Pra quem quer saber mais,
    Decisão judicial

    Tudo começou com a tentativa do FBI em acessar os dados do iPhone 5c de um dos atiradores do chamado “Ataque de San Bernardino“, que aconteceu em dezembro de 2015 na California. Segundo a polícia, seria através deste iPhone que os criminosos teriam organizado o plano de ataque. A Apple simplesmente respondeu que nem mesmo ela consegue acessar os dados contidos em um iPhone bloqueado, por causa da criptografia.

    Nesta semana, uma decisão judicial determinou que a Apple deva fornecer ao FBI um software capaz de permitir que as autoridades acessem todos os dados contidos em um dispositivo iOS, como um iPhone ou um iPad. Isso, atualmente não existe, mas a decisão obriga a empresa a, de fato, criar um backdoor, uma porta de entrada que permitiria acessar os dados de qualquer iPhone. A Apple tem 5 dias para cumprir a sentença.

    A resposta de Cook

    Rapidamente, Tim Cook respondeu à decisão, em forma de carta aberta. Nela, ele clama que a toda a sociedade discuta melhor esta questão de privacidade, para que não fiquemos todos nas mãos dos governos e, ao mesmo tempo, de hackers que também teriam acesso aos backdoors. Confira a tradução da íntegra da carta:

    Uma mensagem aos nossos clientes

    O governo dos Estados Unidos exigiu que a Apple dê um passo sem precedentes que ameaça a segurança dos nossos clientes. Opomo-nos a esta ordem, que possui implicações muito além do processo judicial em mãos.

    Esse momento exige uma discussão pública, e queremos que os nossos clientes e pessoas de todo o país entendam o que está em jogo.

    A necessidade de criptografia
    Smartphones, liderados pelo iPhone, tornaram-se uma parte essencial de nossas vidas. Pessoas usam-no para armazenar uma quantidade incrível de informações pessoais, como nossas conversas privadas, nossas fotos, nossa música, nossas notas, os nossos calendários e contatos, os nossos dados de informação financeira e de saúde, e até mesmo informações de onde fomos e para onde estamos indo. Toda essa informação precisa ser protegida contra hackers e criminosos que desejam acessá-las, roubá-las e usá-las sem o nosso conhecimento ou permissão. Os usuários esperam que a Apple e outras empresas de tecnologia façam tudo que possam para proteger suas informações pessoais, e na Apple estamos profundamente empenhados em guardar os seus dados.

    Comprometer a segurança da nossa informação pessoal pode, no fim, colocar a nossa segurança pessoal em risco. É por isso que a criptografia tornou-se tão importante para todos nós.

    Por muitos anos, temos usado criptografia para proteger os dados pessoais dos nossos clientes, porque acreditamos que é a única maneira de manter suas informações seguras. Tivemos até mesmo que colocar esses dados fora do nosso próprio alcance, porque acreditamos que o conteúdo do seu iPhone não é da nossa conta.

    O caso de San Bernardino
    Nós ficamos chocados e indignados com o ato de terrorismo em San Bernardino em dezembro passado. Nós lamentamos a perda de vidas e queremos que se faça justiça a todos aqueles cujas vidas foram afetadas. O FBI pediu-nos para prestar ajuda nos dias seguintes ao ataque, e temos trabalhado duro para apoiar os esforços do governo para resolver este crime horrível. Nós não temos nenhuma simpatia por terroristas.

    Quando o FBI nos solicitou dados que estão em nosso poder, nós fornecemos. A Apple está em conformidade com intimações válidas e mandados de busca, como temos no caso San Bernardino. Também deixamos os engenheiros da Apple disponíveis para aconselhar o FBI, e oferecemos nossas melhores ideias sobre uma série de opções de investigação à sua disposição.

    Temos grande respeito pelos profissionais do FBI e acreditamos que suas intenções são boas. Até este ponto, temos feito tudo o que está dentro de nosso alcance e dentro da lei para ajudá-los. Mas agora o governo dos Estados Unidos pediu-nos por algo que simplesmente não temos e, ao mesmo tempo, algo que consideramos muito perigoso de se criar. Eles nos pediram para construir um backdoor para o iPhone. Especificamente, o FBI quer que a gente faça uma nova versão do sistema operacional do iPhone, contornando vários recursos de segurança importantes, para que seja instalado em um iPhone encontrado durante a investigação. Nas mãos erradas, este software – que não existe hoje – teria potencial para desbloquear qualquer iPhone em posse física de alguém.

    O FBI pode usar palavras diferentes para descrever esta ferramenta, mas não se engane: construindo uma versão do iOS que ignora a segurança desta forma seria inegavelmente criar um backdoor. E enquanto o governo pode argumentar que a sua utilização seria limitada a este caso, não há nenhuma maneira de garantir tal controle.

    A ameaça à segurança de dados
    Alguns argumentam que a construção de um backdoor para apenas um iPhone é uma solução simples, precisa. Mas ignoram ambos os conceitos básicos de segurança digital e o significado do que o governo está exigindo neste caso.

    No mundo digital de hoje, a “chave” para um sistema criptografado é um pedaço de informação que desbloqueia os dados, e é tão seguro quanto as proteções em torno dele. Uma vez que a informação é conhecida, ou uma maneira de contornar o código é revelado, a criptografia pode ser derrotada por qualquer pessoa com esse conhecimento.

    O governo sugere que esta ferramenta só possa ser usada uma vez, em um iPhone. Mas isso simplesmente não é verdade. Uma vez criada, a técnica poderia ser usada uma e outra vez, em qualquer número de dispositivos. No mundo físico, seria o equivalente a uma chave mestra, capaz de abrir centenas de milhões de fechaduras – de restaurantes e bancos para as lojas e casas. Nenhuma pessoa sensata pode achar isso aceitável.

    O governo está pedindo à Apple para hackear nossos próprios usuários e minar décadas de avanços de segurança que protegem os nossos clientes – incluindo dezenas de milhões de cidadãos americanos – de hackers sofisticados e cibercriminosos. Os mesmos engenheiros que construíram uma forte criptografia para o iPhone para proteger nossos usuários, ironicamente, estão sendo condenados a enfraquecer essas proteções e tornar nossos usuários menos protegidos.

    Não há nenhum precedente de uma empresa americana forçada a expor os seus clientes a um maior risco de ataque. Durante anos, criptologistas e especialistas em segurança nacional vêm alertando contra o enfraquecimento da criptografia. Fazer isso iria prejudicar apenas os cidadãos de bem e cumpridores da lei, que contam com empresas como a Apple para proteger seus dados. Criminosos e maus atores ainda iriam usar a criptografia, usando ferramentas que estão facilmente disponíveis para eles.

    Um precedente perigoso
    Em vez de pedir uma ação legislativa no Congresso, o FBI está propondo um uso sem precedentes da “All Writs Act of 1789” para justificar uma expansão da sua autoridade.

    O governo quer nos fazer remover recursos de segurança e adicionar novos recursos ao sistema operacional, permitindo uma senha para ser introduzida por via eletrônica. Isso tornaria mais fácil desbloquear um iPhone por “força bruta”, tentando milhares ou milhões de combinações com a velocidade de um computador moderno.

    As implicações das exigências do governo são de arrepiar. Se o governo pode usar a All Writs Act of 1789 para tornar mais fácil desbloquear um único iPhone, ele teria também o poder de acessar o dispositivo de quem quer que seja e capturar seus dados. O governo poderia estender esta violação de privacidade e obrigar a Apple a construir um software de vigilância para interceptar suas mensagens, acessar seus registros de saúde ou dados financeiros, rastrear sua localização, ou mesmo acessar o microfone ou a câmera do seu telefone sem o seu conhecimento.

    Opor-se a esta ordem não é algo que nós tomamos de forma simples. Sentimos que devemos expor publicamente o que vemos como um abuso do governo dos EUA. Estamos desafiando as exigências do FBI com o mais profundo respeito pela democracia americana e amor pelo nosso país. Acreditamos que seria do melhor interesse de todos voltar atrás e considerar as implicações.

    Embora acreditemos que as intenções do FBI sejam boas, seria errado para o governo forçar-nos a construir um backdoor em nossos produtos. E, finalmente, temos medo de que essa decisão possa prejudicar as liberdades que nosso governo se destina a proteger.

    Tim Cook

    Nenhuma outra empresa norte-americana desafiou desta forma uma decisão judicial provocada pelo FBI. O povo norte-americano, por costume, tende a apoiar atos contra o terrorismo, o que já fez governos abusarem bastante da privacidade com essa desculpa. O que Tim Cook está fazendo (e com razão, segundo nossa opinião) é algo bem corajoso, na defesa dos direitos que todos nós temos. Afinal, o que acontece lá acaba se refletindo no resto do mundo.

    Fonte: BDI

18 Comentários

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  • Eu só acho que as pessoas ficam dizendo "privacidade" "liberdade" mas será que sabemos já o que é isso? E o que muda para nós meras pessoas?

  • Isso ai tá muito mal contado!

  • O que o FBI realmente deseja da Apple é a instalação de um backdoor no iOS para caso necessário (?) bisbilhotar (averiguar) suspeitos , se é justo ou não é caso a ser discutido e analisado.

  • Eu sigo o seguinte pensamento toda a fechadura deve haver um chave para destrancar é importante sermos protegidos de pessoas más intencionadas, não o contrário.

    Acho certo sim que a polícia com autorização da justiça possa monitorar livremente um suspeito não devemos ficar protegendo criminosos com nossos medos que nude sejam vazados por aí

  • Se for criada mesmo uma back door ela vai ser explorada por quem quer roubar os dados de pessoas incautas. Foi assim com todas as invenções da humanidade até agora, e não seria diferente com esse recurso. Hoje a maioria dos dados vazados é através de engenharia social (de forma simples, é quando o usuário é enganado para compartilhar seus dados), mas, se houver uma chance, com certeza isso vai mudar e os dados serão arrancados.

  • O problema do mundo de hoje que os bandidos (as vezes até os bandidos eleitos) e terroristas usam das liberdades individuais conquistadas para atingir Zeus objetivos nefastos. Em uma sociedade madura creio que isso deveria ser debatido e a população deveria votar em um plebiscito o quanto ela estaria disposta a ceder dessas liberdades em prol da segurança de todos, já no Brasil algum corrupto vai decidir goela a baixo da população.

  • Apple, Google, Microsoft, são os donos disto tudo!! Alguma dúvida?? Quem tem money...qual juiz, FBI??? kkkk

  • É uma discussão bem complicada e polêmica...
    Eu até entendo que as autoridades deveriam ter uma forma de acessar essas informações desde que isso fosse autorizado por um juiz e só fosse usado em alguns casos específicos.
    No entanto, a existência dessa brecha deve fazer com que qualquer um seja espionado de maneira deliberada. Pela polícia, governo ou algum hacker...
    Não entendo essa linha de pensamento dos que dizem:
    "Quem não faz nada errado não tem o que temer"
    Afinal, querer privacidade não significa que a pessoa está fazendo algo em desacordo com a lei. E não acho que devemos abrir mão dela em nome da "segurança"...

  • A criptografia de dados é algo que vem apenas a nos ajudar. Afinal quem quer ter dados vazados?????? Muita gente deixou de usar PC's e se centralizaram nos Smartphones, o tornando como mtas vezes o único meio de acesso a internet, salvar fotos e afins.... Então que venha mais segurança que impeça de dados sejam vazados

  • Acho que quem não deve não teme.
    Concordo que as empresas não tem que deixar brechas no sistema de modo que outras pessoas podem usar, mas elas têm que ter uma forma de acessar o aparelho única e exclusivamente em caso de decisão judicial.

  • A Apple é uma empresa que tem sede nos EUA, portanto como as demais está sujeita as leis daquele país especialmente, assim como em qualquer outro onde vender oficialmente seu produto. Sendo assim é absurdo se recusar a obedecer decisões judiciais, quando existe fortes indícios de culpa do usuário suspeito e ainda coloca em risco a captura de cúmplices além da vida de cidadãos daquele país.
    Nenhuma empresa registrada, seja de hardware ou software deve oferecer sigilo absoluto de informação sem ceder essas informações em circunstâncias judiciais especiais, nem bancos fazem isso quanto mais a Apple.
    O usuário dentro da lei não se preocupa em ter um aparelho ou app pra ter esse nível de sigilo inviolável que pode ser usado para coisas erradas.

  • Só acho que...um gato consegue desbloquear iphone e o FBI não? shduahsudhash, tem algo muito errado ae :v.
    Mas indo para o lado sério da coisa, sim deveria existir um meio da própria empresa dar essas informações para as policia, hoje em dia com tantos problemas se tornou até fácil organizar as coisas por debaixo dos panos.
    Não estou dizendo que a empresa deveria ter o controle do celular e das informações NELE, o que estou dizendo é que em certos casos ESPECÍFICOS, se faz necessário ajuda da própria empresa.

  • Em um fator é importantíssimo essa criptografia dar uma certa liberdade para um órgão investigativo, nas quais as pessoas que são SELECIONADAS a serem investigadas terem seus dispositivos uma criptografia na qual a fabricante tanto do dispositivo quanto do aplicativo terem como acessar as suas ações, no caso da matéria o FBI queria dar uma olhada no suspeito do atirador, e a apple disse que não seria possível pois as ações dos donos dos dispositivos "não tem nada haver com eles" ... depois do próprio FBI ter dito que ele seria suspeito de terrorismo e haver uma resposta dessas é meio que inaceitável, pois isso poderiam leva-los a contatos, planejamentos desses safados extremistas... porém como tudo nesse mundão, infelizmente é um assunto "delicado"

  • Pra quem quer saber mais,
    Decisão judicial

    Tudo começou com a tentativa do FBI em acessar os dados do iPhone 5c de um dos atiradores do chamado “Ataque de San Bernardino“, que aconteceu em dezembro de 2015 na California. Segundo a polícia, seria através deste iPhone que os criminosos teriam organizado o plano de ataque. A Apple simplesmente respondeu que nem mesmo ela consegue acessar os dados contidos em um iPhone bloqueado, por causa da criptografia.

    Nesta semana, uma decisão judicial determinou que a Apple deva fornecer ao FBI um software capaz de permitir que as autoridades acessem todos os dados contidos em um dispositivo iOS, como um iPhone ou um iPad. Isso, atualmente não existe, mas a decisão obriga a empresa a, de fato, criar um backdoor, uma porta de entrada que permitiria acessar os dados de qualquer iPhone. A Apple tem 5 dias para cumprir a sentença.

    A resposta de Cook

    Rapidamente, Tim Cook respondeu à decisão, em forma de carta aberta. Nela, ele clama que a toda a sociedade discuta melhor esta questão de privacidade, para que não fiquemos todos nas mãos dos governos e, ao mesmo tempo, de hackers que também teriam acesso aos backdoors. Confira a tradução da íntegra da carta:

    Uma mensagem aos nossos clientes

    O governo dos Estados Unidos exigiu que a Apple dê um passo sem precedentes que ameaça a segurança dos nossos clientes. Opomo-nos a esta ordem, que possui implicações muito além do processo judicial em mãos.

    Esse momento exige uma discussão pública, e queremos que os nossos clientes e pessoas de todo o país entendam o que está em jogo.

    A necessidade de criptografia
    Smartphones, liderados pelo iPhone, tornaram-se uma parte essencial de nossas vidas. Pessoas usam-no para armazenar uma quantidade incrível de informações pessoais, como nossas conversas privadas, nossas fotos, nossa música, nossas notas, os nossos calendários e contatos, os nossos dados de informação financeira e de saúde, e até mesmo informações de onde fomos e para onde estamos indo. Toda essa informação precisa ser protegida contra hackers e criminosos que desejam acessá-las, roubá-las e usá-las sem o nosso conhecimento ou permissão. Os usuários esperam que a Apple e outras empresas de tecnologia façam tudo que possam para proteger suas informações pessoais, e na Apple estamos profundamente empenhados em guardar os seus dados.

    Comprometer a segurança da nossa informação pessoal pode, no fim, colocar a nossa segurança pessoal em risco. É por isso que a criptografia tornou-se tão importante para todos nós.

    Por muitos anos, temos usado criptografia para proteger os dados pessoais dos nossos clientes, porque acreditamos que é a única maneira de manter suas informações seguras. Tivemos até mesmo que colocar esses dados fora do nosso próprio alcance, porque acreditamos que o conteúdo do seu iPhone não é da nossa conta.

    O caso de San Bernardino
    Nós ficamos chocados e indignados com o ato de terrorismo em San Bernardino em dezembro passado. Nós lamentamos a perda de vidas e queremos que se faça justiça a todos aqueles cujas vidas foram afetadas. O FBI pediu-nos para prestar ajuda nos dias seguintes ao ataque, e temos trabalhado duro para apoiar os esforços do governo para resolver este crime horrível. Nós não temos nenhuma simpatia por terroristas.

    Quando o FBI nos solicitou dados que estão em nosso poder, nós fornecemos. A Apple está em conformidade com intimações válidas e mandados de busca, como temos no caso San Bernardino. Também deixamos os engenheiros da Apple disponíveis para aconselhar o FBI, e oferecemos nossas melhores ideias sobre uma série de opções de investigação à sua disposição.

    Temos grande respeito pelos profissionais do FBI e acreditamos que suas intenções são boas. Até este ponto, temos feito tudo o que está dentro de nosso alcance e dentro da lei para ajudá-los. Mas agora o governo dos Estados Unidos pediu-nos por algo que simplesmente não temos e, ao mesmo tempo, algo que consideramos muito perigoso de se criar. Eles nos pediram para construir um backdoor para o iPhone. Especificamente, o FBI quer que a gente faça uma nova versão do sistema operacional do iPhone, contornando vários recursos de segurança importantes, para que seja instalado em um iPhone encontrado durante a investigação. Nas mãos erradas, este software – que não existe hoje – teria potencial para desbloquear qualquer iPhone em posse física de alguém.

    O FBI pode usar palavras diferentes para descrever esta ferramenta, mas não se engane: construindo uma versão do iOS que ignora a segurança desta forma seria inegavelmente criar um backdoor. E enquanto o governo pode argumentar que a sua utilização seria limitada a este caso, não há nenhuma maneira de garantir tal controle.

    A ameaça à segurança de dados
    Alguns argumentam que a construção de um backdoor para apenas um iPhone é uma solução simples, precisa. Mas ignoram ambos os conceitos básicos de segurança digital e o significado do que o governo está exigindo neste caso.

    No mundo digital de hoje, a “chave” para um sistema criptografado é um pedaço de informação que desbloqueia os dados, e é tão seguro quanto as proteções em torno dele. Uma vez que a informação é conhecida, ou uma maneira de contornar o código é revelado, a criptografia pode ser derrotada por qualquer pessoa com esse conhecimento.

    O governo sugere que esta ferramenta só possa ser usada uma vez, em um iPhone. Mas isso simplesmente não é verdade. Uma vez criada, a técnica poderia ser usada uma e outra vez, em qualquer número de dispositivos. No mundo físico, seria o equivalente a uma chave mestra, capaz de abrir centenas de milhões de fechaduras – de restaurantes e bancos para as lojas e casas. Nenhuma pessoa sensata pode achar isso aceitável.

    O governo está pedindo à Apple para hackear nossos próprios usuários e minar décadas de avanços de segurança que protegem os nossos clientes – incluindo dezenas de milhões de cidadãos americanos – de hackers sofisticados e cibercriminosos. Os mesmos engenheiros que construíram uma forte criptografia para o iPhone para proteger nossos usuários, ironicamente, estão sendo condenados a enfraquecer essas proteções e tornar nossos usuários menos protegidos.

    Não há nenhum precedente de uma empresa americana forçada a expor os seus clientes a um maior risco de ataque. Durante anos, criptologistas e especialistas em segurança nacional vêm alertando contra o enfraquecimento da criptografia. Fazer isso iria prejudicar apenas os cidadãos de bem e cumpridores da lei, que contam com empresas como a Apple para proteger seus dados. Criminosos e maus atores ainda iriam usar a criptografia, usando ferramentas que estão facilmente disponíveis para eles.

    Um precedente perigoso
    Em vez de pedir uma ação legislativa no Congresso, o FBI está propondo um uso sem precedentes da “All Writs Act of 1789” para justificar uma expansão da sua autoridade.

    O governo quer nos fazer remover recursos de segurança e adicionar novos recursos ao sistema operacional, permitindo uma senha para ser introduzida por via eletrônica. Isso tornaria mais fácil desbloquear um iPhone por “força bruta”, tentando milhares ou milhões de combinações com a velocidade de um computador moderno.

    As implicações das exigências do governo são de arrepiar. Se o governo pode usar a All Writs Act of 1789 para tornar mais fácil desbloquear um único iPhone, ele teria também o poder de acessar o dispositivo de quem quer que seja e capturar seus dados. O governo poderia estender esta violação de privacidade e obrigar a Apple a construir um software de vigilância para interceptar suas mensagens, acessar seus registros de saúde ou dados financeiros, rastrear sua localização, ou mesmo acessar o microfone ou a câmera do seu telefone sem o seu conhecimento.

    Opor-se a esta ordem não é algo que nós tomamos de forma simples. Sentimos que devemos expor publicamente o que vemos como um abuso do governo dos EUA. Estamos desafiando as exigências do FBI com o mais profundo respeito pela democracia americana e amor pelo nosso país. Acreditamos que seria do melhor interesse de todos voltar atrás e considerar as implicações.

    Embora acreditemos que as intenções do FBI sejam boas, seria errado para o governo forçar-nos a construir um backdoor em nossos produtos. E, finalmente, temos medo de que essa decisão possa prejudicar as liberdades que nosso governo se destina a proteger.

    Tim Cook

    Nenhuma outra empresa norte-americana desafiou desta forma uma decisão judicial provocada pelo FBI. O povo norte-americano, por costume, tende a apoiar atos contra o terrorismo, o que já fez governos abusarem bastante da privacidade com essa desculpa. O que Tim Cook está fazendo (e com razão, segundo nossa opinião) é algo bem corajoso, na defesa dos direitos que todos nós temos. Afinal, o que acontece lá acaba se refletindo no resto do mundo.

    Fonte: BDI

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