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IFA 2012 reserva lugar para pequenos fabricantes asiáticos - Parte 2

Tablet é tendência! Esta é a afirmação que melhor define o atual momento do mercado Android. Ontem, publiquei a primeira parte do meu artigo sobre o espaço reservado aos pequenos fabricantes asiáticos em uma das maiores feiras de tecnologia e inovação da Europa, a IFA 2012. Hoje, conforme prometido, vai ao ar a segunda parte, falando especialmente dos tablets “Xing-Ling” que chegarão ao mercado nos próximos meses.

 

Produtos que lembram dispositivos móveis de marcas famosas, eis o que são os tablets "xing-lings"

Segundo recente pesquisa divulgada pela consultoria Flurry, o Brasil é o terceiro mercado que mais cresce no mundo para dispositivos móveis com sistemas operacionais Android e iOS. O primeiro é a China que, apesar de permanecer atrás dos EUA no total de aparelhos ativos, é o mercado que mais cresce para os dispositivos equipados com Android e iOS, registrando uma alta de 401% entre Julho de 2011 e Julho de 2012. O segundo mercado de maior crescimento é o Chile, com alta de 279%. O Brasil vem em terceiro, tendo registrado crescimento de 220% no mesmo período. O que acontece quando o mercado da China e o do Brasil colaboram entre si? Uma entrada violenta de produtos daquele país em território nacional, sob a tutela de marcas conhecidas no mercado ou, na maioria dos casos, um parceiro desconhecido de uma fabricante chinesa.

Em 2011, um levantamento da Folha identificando que mais de 20% dos números pós-pagos no Brasil usam aparelhos Xing-ling e quando o assunto são os números pré-pagos, este percentual supera os 40%. Estamos em 2012 e, com a invasão de tablets no mercado - Google, Apple, Amazon, Samsung, Sony -, a tendência é que este número aumente ainda mais. Como comentei no primeiro artigo, chamar tais dispositivos fabricados na China de ilegais ou falsificados pode não ser verdade, já que existem brechas na legislação para interpretações que legitimam estes produtos. E, o fato de terem um espaço para comercialização de tablets, em com três pavilhões de uma feira do porte da IFA, também nos faz acreditar na legalidade de produtos que, definitivamente, se parecem muito com os originais, mas não são.

Tablet é a palavra de ordem e fabricantes asiáticas estão preparadas para oferecer suporte a este mercado

Parceiros no Brasil

O motivo pelo qual existe um gigantesco mercado para produtos asiáticos no Brasil, e no resto do mundo, está diretamente relacionado aos impostos e taxas que recaem sobre os produtos chamados originais. Ninguém quer ficar de fora da evolução tecnológica e os fins justificam os meios. Outro ponto, enquanto a Samsung oferece um tablet super poderoso como o Galaxy Tab 10.1, uma fabricante asiática oferece os mesmo recursos, com adicionais, usando componentes alternativos, o mesmo design (na cara dura) e a preços extremamente acessíveis pela grande massa. Tem como concorrer a isso, em um país como o nosso, com tanta desigualdade social?

Conversando com um representante de uma fábrica identificada como CZC - Shenzhen Chuangzhicheng Technology Co,. LTd, obtive algumas informações sobre preços e parceiros da empresa no mercado brasileiro. Quando anunciei que estava interessada em saber um pouco mais sobre tablets rodando com o sistema operacional Android, voltados para consumidores aqui no país, logo veio um chinês, todo sorridente, de caderno e caneta em punho, perguntando sobre "o que os brasileiros buscam em um tablet?". Porém, quem buscava informações era eu.

Existem duas parceiras da CZC na América Latina. Uma delas é a Viewsonic, uma empresa que também oferece produtos na América do Norte, Europa e Ásia. Acessando o site da mesma, é possível identificar alguns tablets expostos no estande desta pequena fabricante de Shenzhen. Agora, outra parceira da CZC é uma velha conhecida nossa, a Positivo. Segundo o consultor da fabricante chinesa, a Positivo é um dos maiores clientes em terras tupiniquins. Abaixo, você confere o tablet Z97TS da CZC, exposto no estande da fabricante na IFA 2012: 

Fabricantes chinesas oferecem tablets rodando sistema operacional Android 4.0 Ice Cream Sandwich

Com relação aos valores de fábrica dos tablets "Xing-Ling", funciona da seguinte maneira: o preço inicial é de cerca de 160 dólares, aproximadamente 330 reais, para o dispositivo com recursos básicos, adicionais como 3G somam mais 40 dólares/ 80 reais ao valor, GPS acrescenta mais 40 dólares e assim por diante.

Tablet fabricado pela empresa Zaidtek, de Xiamen. Parece o Nexus 7, mas não é! 

O que esperar dos tablet fabricados na China

Nas especificações da maioria dos tablets comercializados por estas fabricantes encontramos telas grandes, entre 7 e 10 polegadas, bateria Lithium de 4000mAh e Li-polymer de 2700mAh, câmeras frontal e traseira, rodam Android 4.0, processadores Cortex A8 de 1.5GHz ou A9 de 1.2GHz, MicroSD, Mini HDMI, Micro USB, 3G e GPS opcional, Wi-Fi, memória de 512MB e outros recursos. Alguns vêm, inclusive, com dock para teclado: 

Dock para teclado da Zaidtek

Um mercado da China

Depois de um tempo dentro da Zona reservada para para os "Xing-Lings" na IFA 2012, você acaba entendendo o verdadeiro sentido da expressão "Um mercado da China". São centenas de produtos, carregando componentes genéricos, misturando tecnologias e inovações, descaradamente cópias de dispositivos famosos, como Samsung Galaxy S3, Samsung Galaxy Tab 10.1, Nexus 7 e HTC Sensation, sem contar nos iPad e iPhones "alternativos". Tudo isso, sendo comercializado à luz do dia. Ou seja, é um comércio legal.

Produtos asiáticos estão em toda a parte, mão de obra barata e qualificada, bem como matéria prima de baixo custo, somadas às taxas exorbitantes sobre importação no Brasil, tornam as fabricantes chinesas um prato cheio para investidores nacionais que desejam investir em tecnologia no país. Porém, suporte técnico e garantia ainda são tabu, talvez pelo fato de ainda criminalizarmos este mercado paralelo. Entretanto, caso você compre um produto no exterior e precise de assistência técnica no Brasil, as chances de não ter são as mesmas.

Esta foi minha experiência na IFA. Não posso terminar o artigo sem relatar um clichê deste mercado da China, o único espaço que possuia uma "praça de alimentação interna" era o reservado para pequenos fabricantes asiáticos, você podia sentir no ar o sabor do yakissoba!

1 comentário

Escreva um comentário:
  • Nunca comprei smartphonee ou tablet da China, porque quando eu era criança meu pai contava que poderia ter uma bomba ao invés da bateria

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