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Operadoras pretendem restringir celulares piratas em 2013

Durante a IFA 2012, em Berlim, na Alemanha, existia um espaço reservado para os pequenos fabricantes asiáticos que, carinhosamente, chamamos de comerciantes “Xing-Ling”. Na época, fiz um reportagem especial, em duas partes (que você confere aqui e aqui), falando sobre a acessibilidade aos dispositivos genéricos fabricados especialmente na China. O curioso é que uma das maiores feiras de tecnologia e inovação reservou uma gigantesca galeria para estes fabricantes realizarem negócios e, nesta semana, chegou a notícia de que as quatro maiores operadoras de telefonia móvel no país se uniram para lançar um plano de restrição destes aparelhos no mercado nacional programado para entrar em vigor em 2013. Será que esta é a melhor estratégia aqui no Brasil?

Oi, TIM, Claro e Vivo querem restringir o uso de aparelhos piratas no Brasil.

Todos sabemos que 2012 não foi o ano das operadoras de telefonia móvel no país, problemas no oferecimento de serviços de dados e voz fez com que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) proibisse a venda de chips da TIM, Claro e Oi em diferentes Estados. Com isso, as companhias se viram obrigadas a melhorar os serviços e anunciar um “plano de investimento”. Pois bem, bloquear celulares piratas no Brasil faz parte destes planos. Claro, Oi, TIM e Vivo investiram R$ 10 milhões juntas para que, a partir de 2013, aparelhos Xing-Lings não possam mais ser ativados nelas.

Segundo o diretor-executivo da Sindtelebrasil - Associação das Operadoras de Telefonia e Internet, a medida vai defender a indústria legal e melhorar a qualidade geral de serviços:

Como esses aparelhos não certificados têm baixa qualidade, acabam provocando problemas na rede e contribuem para aumentar as quedas de chamadas, o que leva a reclamações contra as operadoras.

Conforme mencionei na matéria sobre fabricantes asiáticos na IFA 2012, no ano passado, um levantamento da Folha identificou que mais de 20% dos números pós-pagos no Brasil usam aparelhos Xing-Ling e, quando o assunto são os números pré-pagos, este percentual supera os 40%. A influência destes aparelhos é tão grande no mercado brasileiro de celulares que obriga as fabricantes a se adaptarem, como foi o caso do recurso dual SIM card, por exemplo.

Porém, me parece arriscado deixar de lado tal fatia do mercado, com a promessa de que este bloqueio melhorará a qualidade dos serviços prestados por estas operadoras móveis. Especialmente, porque é inegável que os aparelhos Xing-Ling funcionam como meio de inclusão da população de baixa renda às tecnologias móveis.

A ideia por trás do plano

Ao ativar um SIM card, a operadora fará uma verificação do código IMEI do aparelho em questão junto ao banco de dados da Anatel, que possui os códigos IMEI dos celulares homologados por ela mesma. Como a ideia de verificação será constante, evitará que um SIM card seja ativado em um aparelho legal e, depois, usado em um celular pirata. Caso o código não bata, a ativação do cartão SIM não será concluída e o usuário será avisado do motivo.

A medida não afetará quem já usa um celular Xing-Ling, ou seja, não será retroativa.

É claro que ainda é muito cedo para qualquer análise, pois a medida ainda nem entrou em funcionamento, mas me parece uma ação irresponsável e desesperada por parte das operadoras de telefonia móvel no país. Neste final de semana, li uma matéria na revista TRIP sobre “o profissional do futuro”, onde é dada uma introdução à cultura dos bionegócios, o que vem a calhar com o que penso em relação a este sistema criado pelas operadoras para barrar celulares piratas aqui no Brasil:

… E a regra é quanto mais rápido se aprende a lidar com o ambiente, mais garantida está a sobrevivência. E o nome disso é evolução. As tribos que competem mais do que cooperam demoram muito para aprender e acabam sucumbindo ao ambiente. Portanto, a lei da selva que determina a sobrevivência não é a competição, mas a cooperação.

Imagem: Camila Rinaldi/ AndroidPIT

Fonte: G1

8 Comentários

Escreva um comentário:
  • Celulares piratas... se o conceito evoluir nessa linha de pensamento, não vou poder fazer comida em casa porque os restaurantes é que são fornecedores oficiais. Aí meu fogão ou microondas vai desligar sozinho e emitir um aviso sobre a comida falseta. Mesma coisa para as roupas feitas sob medida, para as festas feitas pela própria família e para o pneu furado que o próprio condutor troca na estrada deserta sem apelar para uma oficina...
    Pode parecer exagero ou gigantismo, mas a base é o mesmo absurdo.

  • 60

    Simplesmente um absurdo,fora que ,como já foi comentado logo vão dar um jeito nesse bloqueio,agindo assim eles querem tentar fazer que quem tenha um XL compre um original,alavancado as vendas, mas acho que este ato pode acabar sendo um tiro no pé, vamos esperar e ver o que acontece,mas.com certeza se isso acontecer ,eu vou ser um dos vários que vão incomoda por causa do péssimo serviços prestados pelas operadoras.

  • Camila Rinaldi
    • Admin
    • Equipe
    13/nov/2012 Link para o comentário

    Confirmo sim @Gabriel e concordo contigo quando diz que "em um mercado onde a distribuição do sinal esta tão fragmentada é impossível que uma ideia tão perversa seja viável"...

  • 9

    Esse tipo de idéia de supressão de liberdade vem da própria natureza monopolista dos serviços de telefonia móvel no Brasil. Mesmo com 4 diferentes empresas atuando no setor, elas ainda configuram um monopólio de grandes corporações. Vale citar o exemplo aqui da Alemanha, que a Camila pode confirmar, onde pra além dos 4 grandes operadoras existem outras diversas operadoras menores, como por exemplo os sim cards de operadoras de super mercados. Sim, na Alemanha super mercados tem suas proprias operadoras que vendem seus sim cards e oferecem ate 3G. Em um mercado onde a distruibuição do sinal esta tão fragmentado é impossivel que uma idéia tão perversa seja viavel.

  • 28

    Concordo com você Paulo, porém não se pode deixar passar o fato de as operadoras estarem usando os "xing-lings" de bode espiatório para sua deficiencia. Nunca tive um aparelho XL, e a qualidade das operadoras nunca me foram de todo satisfatórias.
    Este artigo serve mais para nos alertar das artimanhas das operadoras do que para alarmar sobre um possível, porém improvável, boicote ao mercado XL.

  • Camila Rinaldi
    • Admin
    • Equipe
    12/nov/2012 Link para o comentário

    Também vislumbro esta opção, @Paulo.

  • os china vam fazer um desproqueio para isso fica liberado!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • O interessante sera como poderemos agir para buscar junto a justica os nossos direitos. Me disponho a postar modelos de docs para quem se interessarl. Advpe76@gmail.com

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