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Nós precisamos mesmo de um scanner de íris para o nosso smartphone?

No final de maio deste ano, a Samsung apresentou um tablet, o Galaxy Tab Iris, cujo grande destaque é a presença do recurso de biometria ocular: ou seja, você consegue acessar o dispositivo por meio da leitura da íris, que é feita por um scanner embutido no aparelho. Mas será que precisamos mesmo desse nível de segurança?

Seguindo o raciocínio de que tudo o que é demais enjoa, acredito que os smartphones mais atuais já contam com um bom nível de segurança. Hoje, até modelos intermediários, como o Lenovo Vibe A7010 e o Moto G4 Plus trazem leitores de impressão digital; além disso, o próprio Android oferece bloqueio por senha, por desenho padrão e até bloqueio do cartão SIM, que exige o PIN do telefone para que ele seja usado.

Se você ainda não acha isso suficiente, é possível baixar programas que bloqueiam os apps que você considera mais importante e exigem, mais uma vez, senha por desenho padrão ou número PIN para liberar o acesso. 

TABIRIS
Galaxy Tab Iris: precisamos mesmo usar nossa retina para desbloquear um aparelho? / © Samsung

Por fim, existem ainda aplicativos que rastreiam o celular, que conseguem apagar dados remotamente e, em último caso, há a possibilidade de bloquear um smartphone roubado por meio da linha telefônica

Isso tudo já não é mais do que suficiente para proteger nossos aparelhos e dados?

A culpa também é do usuário

O que me preocupa nesse excesso de novidades em segurança, é que isso acaba encarecendo o preço de um smartphone ou tablet de forma desnecessária. E, muitas vezes, o tal recurso sequer é utilizado pelo usuário, que prefere modos de bloqueio mais tradicionais. 

Em uma época de smartphones sem muitas inovações, as fabricantes poderiam investir em recursos mais úteis

Mas há um problema: o que incentiva as empresas a pensarem em recursos de segurança como esse scanner de íris é, muitas vezes, o desleixo do usuário em proteger devidamente o seu smartphone. Quer um exemplo? Um estudo da pesquisadora Marta Loge, do Instituto Norueguês de Tecnologia, descobriu que os padrões de bloqueio do Android são previsíveis.

Ela analisou quatro mil padrões de desbloqueio do aparelho e concluiu que muitos desenhos se repetem. Na pesquisa, ela afirmou que 77% dos usuários optam por desenhos que são iniciados em um dos quatro cantos; e 44% das pessoas começam o desenho a partir do canto superior esquerda. Veja abaixo quais são os desenhos mais comuns:

PADRAO
Esses são os padrões de bloqueio mais usados / © Marte Løge

Não por acaso, o estudo se chama “Os seres humanos são previsíveis”. 

Foco no que importa

Nada contra a evolução de recursos que melhorem a segurança de smartphones. O próprio Galaxy Tab Iris será vendido tem como foco os órgãos governamentais e empresas da Índia, que trabalham, muitas vezes, com dados sigilosos e segredos de estado. 

Mas em uma época em que os smartphones não têm apresentado muita inovação, não seria melhor investir em recursos que melhorem a vida do usuário? Ainda que o escaneamento de íris seja algo interessante, já temos recursos de segurança suficientes para proteger nossos aparelhos. Se é pra gastar mais em um telefone, que seja em um que traga recursos que não sejam “chover no molhado”. E que seja útil no nosso cotidiano. 

Você compraria um smartphone com scanner de retina?

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