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O que nós ganhamos com a regulamentação do WhatsApp?

O termo regulamentação está quase sempre associado a algo positivo, como uma espécie de iniciativa válida para colocar algumas coisas em seus devidos lugares. Quando falamos sobre regulamentar serviços de mensagens as coisas se complicam mais e o debate se torna mais amplo. Afinal, a quem interessa a regulamentação de aplicativos como o WhatsApp? O que nós ganhamos a partir do momento em que o app senta no mesmo banco dos serviços oferecidos pelas operadoras?

Muitos usuários confundem a regulamentação de serviços, visto que esse processo nem sempre é levado ao consumidor de forma clara pelas autoridades competentes. Regulamentar o Uber, por exemplo, é algo que está relacionado ao Estado, uma vez que as associações e sindicatos pagam licitações e taxas para prefeituras afim de colocar seus veículos nas ruas. Nem sempre o Estado está preparado para adequar novos serviços tecnológicos a outros mais tradicionais.

Basta olhar para o empasse entre o Uber e os taxistas, que acontece em Estados específicos. Existem cidades, como São Paulo, onde o app foi enquadrado em regulamentação específica para a categoria. Mas, ainda sim, a disputa por um enquadramento que gere maior competitividade com a classe dos taxis é cobrada intensivamente por parlamentares e sindicatos que representam a categoria.

O Uber não funciona oficialmente em vários países da Europa, Ásia e em diversos Estados brasileiros
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O 99Taxi é um dos aplicativos exclusivos da categoria / © AndroidPIT

Enquanto essa disputa pelo asfalto e a preferência do usuário segue sem prazo para terminar, a Anatel pretende fazer um caminho quase inverso com relação aos serviços de mensagens instantâneas. Estes serviços, conhecidos como OTTs, são oferecidos gratuitamente ao usuário e utilizam a infraestrutura da operadora para funcionar.

Nessa categoria estão os mensageiros como o WhatsApp e Telegram, por exemplo. Segundo Juarez Quadros do Nascimento, presidente da Anatel, as operadoras estão cansadas dessa troca de favores que não gera lucros às mesmas.

Agora, você deve estar se perguntando: eu pago meu Wi-Fi e um plano de internet para utilizar o WhatsApp, onde está o problema? Pois bem, o problema das operadoras não é o cliente, mas os prejuízos financeiros que empresas como WhatsApp, Netflix e outros estão causando ao longo dos anos. Só para você ter um ideia, entre janeiro de 2015 e fevereiro de 2016, as operadoras de TV a cabo perderam aproximadamente 760 mil clientes.

A ligação entre estes ex-clientes e o WhatsApp é bem simples de entender: as operadoras já sabem que através de uma recarga, ou por meio de um plano de banda larga, os usuários terão acesso aos mesmos serviços de voz, comunicação e streaming que são oferecidos por combos que custam no mínimo R$ 200,00.

BS
Bruno Salutes
Regulamentação só é justa quando o usuário sai ganhando, e não só as empresas.
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A mobilidade e as vantagens desses combos são infinitamente menores do que utilizar o Netflix, por exemplo, que não prende o usuário a uma programação de TV duvidosa dentro de casa. No caso dos planos de voz, a situação é ainda pior, visto que aplicativos como o WhatsApp fizeram com que o consumidor basicamente abandonasse uma assinatura de telefonia mensal ou um plano de voz com mais minutos.

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A Vivo é a maior operadora do país / © AndroidPIT

A questão da regulamentação sempre aparece quando a situação começa a ficar fora do controle, principalmente quando os envolvidos são empresas que não prestam um bom serviço aos usuários, como é o caso das operadoras. A Anatel acredita que regulamentar o WhatsApp tornará a competitividade com as operadoras mais justa, visto que o aplicativo teria de pagar impostos e tributos, além de atender a legislação brasileira para funcionar adequadamente.

Numa situação de bloqueio do WhatsApp no país, por exemplo, o Facebook seria obrigado a fornecer dados de usuários para contribuir com investigações, caso a regulamentação vigente para o serviço assim o fizesse. Parece justo pra você?

Bom, como disse no início do artigo, a questão da Anatel foge do âmbito Estadual e passa para a esfera Federal. Logo, você não teria a mesma privacidade de hoje ao utilizar um app que estaria regulamentado às leis, pois certamente o governo e órgãos de segurança iriam recorrer ao serviço para solicitar informações de seus usuários.

A regulamentação não pode colocar em risco a privacidade do usuário

Outro ponto que devemos levar em consideração é que a quantidade de tributos e impostos que uma startup poderá pagar no país pode respingar para o bolso do consumidor a qualquer momento. Não custa nada lembrar que o WhatsApp tinha um plano de assinatura que funcionava a partir do segundo ano de utilização. Na pior das hipóteses, o Facebook pode considerar reativá-la no Brasil, ou incluir algum tipo de publicidade no app para torná-lo mais rentável.

Outro cenário preocupante seria o de empresas menores que o Facebook que dificilmente continuariam investindo no Brasil tendo que pagar taxas para usar a infraestrutura das operadoras. Logo, você teria menos opções à disposição, ou opções sem qualidade.

É assim que as operadoras pretendem tornar a disputa mais competitiva. Inviabilizando alguns serviços a partir de certos artifícios, e viabilizando seus pacotes de serviços que andam mais desatualizados do que smartphone Android de entrada.

Essa é a minha opinião, e a sua? A quem interessa regulamentar o WhatsApp?

Os comentários favoritos dos leitores

  • Emerson Morais há 1 mês

    os fabricantes de computadores dos anos 90 deveriam ser sidos regularizados a favor dos fabricantes de maquinas de escrever? as novas tecnologias de comunicação não tem que se adaptar as operadoras, e sim as operadoras é que tem que se adaptar as novas tecnologias, ponto

  • Paulo há 1 mês

    É por isso que eu acho que deveria existir regulamentação mais dura para o uso de carros. Todos os carros deveriam sair das fábricas com limitador de velocidade em 30km. Só assim para se manter competitivo o uso de cavalos nas vias públicas. Temos que levar em conta que os carros geram imensos prejuízos aos criadores de cavalos. Além disso, deveria haver um limitador de km rodados por dia, senão mesmo com a velocidade diminuída ainda assim a competição estaria prejudicada.

    Ou seja, novidades tecnológicas matam serviços ou produtos defasados.

  • Lucas Marçal há 1 mês

    Eu vi em um vídeo do Murilo Gun e ele disse que "não estamos vivendo em uma ERA DE MUDANÇAS mas sim em uma MUDANÇA DE ERA" e eu concordo, um exemplo é que de qualquer maneira, penso eu, é que em um futuro não tão distante abandonaremos os serviços das empresas de telefonia e de T.V. paga se elas não se adequarem às novas tecnologias, evoluirem

  • ALCIDES há 1 mês

    Tenta ligar para uma operadora de TV a cabo e pedir somente os canais que voce quer, é impossível. Eles vendem pacotes, ou seja, venda casada, para 1 canal que presta vem um adendo de 10 porcarias. Nisso eles não querem mexer não é?

  • Thiago Rodrigues há 1 mês

    No século XVIII, Thomas Edison irritou os acendedores de lampião. Em 1900, Ford irritou os cocheiros, 1920, Marconi irritou gravadoras. Nos anos 30 a TV irritou o rádio. Hoje Uber irrita taxistas, Whatsapp irrita teles, Netflix irrita TVs e Tesla irrita petroleiros. Enfim, o progresso é a esperança dos povos e o desespero dos acomodados.

    Artur Mendes, Trecho do livro geração de valor.

84 Comentários

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  • Infelizmente no Brasil só penso que qualquer forma do governo meter o bedelho tem o objetivo de ganhar dinheiro taxando algo, e que uma hora ou outra chega pra gente pagar a conta também.

  • Se tem algo melhor e mais novo, o antigo vai ter que se mexer pra poder acompanhar ou será extinto, isso é o que gera a competitividade necessária para melhorar como um todo, ainda mais no Brasil, onde a corrupção política e os cartéis das empresas são quem mandam, onde visam unicamente lucros e não pensam na qualidade dos serviços ou satisfação dos clientes. Uber, Whatsapp, Netflix, Spotify e tantos outros, vieram para facilitar a vida de quem precisa, de quem quer algo melhor, de qualidade superior, mas sem ter que pagar a mais por isso, quem tá achando ruim que corra atrás do prejuízo e seja melhor pra poder competir, ou consequentemente vai acabar. Lei da oferta e da procura, o que é melhor e mais barato é quem reina ;)

  • Manezão. Eu sou Uber. E se existe o serviço de Uber é porquê o serviço de taxi é uma porcaria. Um lixo.
    Regulamentar necessáriamente não quer dizer melhorar. O Uber é regulamentado e também tem muitos, mas muitos carros ruins, velhos, fedidos e sem condições de rodar.

  • NADA!!!!

  • Eu conseguir migrar para o tim beta.

  • No século XVIII, Thomas Edison irritou os acendedores de lampião. Em 1900, Ford irritou os cocheiros, 1920, Marconi irritou gravadoras. Nos anos 30 a TV irritou o rádio. Hoje Uber irrita taxistas, Whatsapp irrita teles, Netflix irrita TVs e Tesla irrita petroleiros. Enfim, o progresso é a esperança dos povos e o desespero dos acomodados.

    Artur Mendes, Trecho do livro geração de valor.

  • Sou radicalmente contra regulamentar as OTTs. Desde a fala de Genish da Vivo, que além de insultar a inteligência dos usuários, chamou o Whatsapp de operadora pirata, iniciei um boicote total à empresa Vivo. Cortei todos os seus serviços, pois não posso ser conivente com uma empresa que se posiciona claramente contra a evolução tecnológica.
    As operadoras brasileiras ficaram muito mal acostumadas com o lucro fácil que sugavam no passado, com minutos caríssimos e serviços mal prestados, isso quando sequer o prestavam. Eram umas acomodadas, enquanto os clientes sofriam em call centers ineficientes que ainda hoje atormentam quem tiver o azar de precisar.
    Para quem não sabe, há alguns anos, lançaram o 3G às pressas e sem estudos. O resultado foi que venderam milhares de planos de dados a preços exorbitantes onde sequer tinham sinal, tudo isso abaixo de fidelização para tornar a vida do cliente um inferno. E conseguiram.
    Se eu for falar aqui tudo que o relacionamento entre clientes e operadoras gerou durante anos de casos bizarros, daria uma enciclopédia.
    O governo refém dos impostos das operadoras e essas repassando o custo para o consumidor final estão sofrendo porque não tiveram visão de futuro, sendo sempre surpreendidas pelo mercado. Aí choram como bezerros desmamados.
    Esquecem que o WhatsApp e qualquer aplicativo OTT usa dados para trafegar. E esses dados podem ser 2G/3G/4G, banda larga fixa (adsl, cabo, rádio, satélite).
    Não adianta tentar comparar o WhatsApp com as operadoras. Embora ele dependa de dados, não precisa ser dados da Vivo ou da Net. Em qualquer rede que tenha sinal de internet ele funciona.
    Da minha parte, como boicote pessoal a essa turma, mudei para um provedor regional minha banda larga fixa. Não sei mais o que é ligar em SAC. Agora é uma mensagem no Whatsapp e resolve na hora.
    Também utilizo meu Whatsapp com um número virtual móvel dos Estados Unidos. Não tenho do que reclamar. Como é americano, o número não precisa recarga, apenas que eu o utilize no aplicativo uma vez por mês para mantê-lo ativo. As operadoras brasileiras ficaram com tanto medo desse aplicativo com número americano que pediram e conseguiram retirar o app da Playstore. Mas é fácil encontrá-lo como apk.
    Uma vez que o whatsapp trafega voz, não preciso de número local. E posso usar meu smartphone até sem chip.

    Quanto mais as obsoletas operadoras nacionais apertarem as OTTs, pior para elas. Pois mesmo que regulamentem o Whatsapp, Netflix, etc, eu pagaria só pelo atendimento e comodidade, transferindo o gasto para eles, ao invés de recarregar linhas nacionais ou pagar assinaturas. De qualquer maneira, as teles nacionais vão sofrer. Não tem saída.

  • don quixote brigando com os moinhos

  • Essa foi a desculpa mais estapafúrdia que já vi com a tentativa de lucrar em cima de um serviço que não criaram, sim pq dizer que são feitos favores ao usuário para que o mesmo tenho o serviço whatsapp funcionando no seu smartphone ou para usufruir da sua assinatura Netflix é no minimo ridículo considerando que o mesmo paga tanto pela conexão móvel ou banda larga que utiliza quanto pela assinatura do Streaming de vídeo, áudio ou do que for. É isso que essas operadoras ainda não entenderam e que precisam entender, além do fato de que o usuário paga pelo serviço que ele pretende usar e da forma que ele pretende usar, se ele quer utilizar banda larga e TV por assinatura ou banda larga e Netflix é escolha dele, a obrigação de uma e de outra é manter o serviço que está sendo pago e ponto.

  • êeee brazaaaa

  • Eu não tenho culpa se as operadoras de TV a cabo no Brasil possuem maus executivos e estão perdendo para a concorrência, quem tem poder e dinheiro e não tem ideias férteis e competitivas, naturalmente terá prejuízos grotescos, com ou sem regulamentação, TV a cabo no Brasil é um serviço lixo, e posso apostar que estam perdendo clientela não por culpa de um ou mais aplicativos mobile, mais sim! Por prestar e oferecer a anos um péssimo e ultrapassado serviço aos seus milhões de clientes insatisfeitos.

  • É de dar raiva a operada quer que os apps e outros serviços de Internet pague pois está usando sua infraestrutura,mas aí eu penso O Caralho para que eu vou querer a porra de uma operadora se não é para usar a infraestrutura de rede.

  • As operadoras querem culpar a empresa que desenvolve os App que funcionam com base na Internet, a qual usa suas redes, mas pelo que eu saiba a própria operadora decidiu entrar nesse tamo de telecomunicações então nada mais justo que prestar um serviço no mínimo descente.

  • Daqui a uns dias os roteadores serão preços de uma casa.

  • Tá querendo convencer quem. Isto é conversa fiada de operadora. Não podemos ficar pagando a conta por um serviço péssimo e caro. É o mercado, se vira, os mercados se modificam

  • Operadoras horríveis. Estão suando sangue por causa do Whatsapp! Tô gostando de ver o chororô. Ngm merece pagar 23 reais em um plano de internet da Vivo de 250MB, né! Querem mais o quê?

  • Num país que se paga para tudo e em breve até para respirar será cobrada taxa, é complexo dizer que o usuário sai ganhando, nunca no Brasil isso existe, e caso acreditem, não passa de mera utopia.

  • A internet da ao usuário a possibilidade de filtrar o conteúdo e as operadoras querem monopolizar isso. Nada é eterno e as tecnologias vivem em evolução.

  • É como o otário sempre diz em seus vídeos, quanto maior o Estado menor o cidadão.

    O Estado brasileiro não está nem aí pros interesses da sociedade, a única coisa que ele quer é encher a burra com impostos e mais impostos. As empresas tem grandes, enormes, dificuldades de se recriarem e de se adaptarem a uma nova realidade de negócios, portanto, preferem fazer lobby em prol da tal "regulamentação".

    Somem os dois interesses acima e, plim, aparecem mais impostos, mais custos pro cidadão e serviços cada vez piores.

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