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Até que ponto vale a pena a população pagar pelo protecionismo de mercado do Estado?

Depois das manifestações pela redução do preço das passagens de ônibus e melhores condições do sistema de saúde e educação no país serem tema de discussão nas principais mídias internacionais, agora parece que o preço e o crescimento do mercado negro de eletrônicos no Brasil viraram pauta de veículos especializados em tecnologia no exterior. O The Verge publicou um artigo falando sobre a questão do mercado de bens contrabandeados no país e os preços exacerbados de smartphones como Galaxy S4 e iPhone 5 em território nacional, que podem chegar a quase o dobro do preço dos mesmos dispositivos nos EUA. Até que ponto vale a pena a população pagar pelo protecionismo de mercado do Estado?

Reportagem the verge
Chamada: "O smartphone mais caro do mundo: mercado negro de gadgets está crescendo no Brasil". / © AndroidPIT

Levanta a mão quem nunca pensou em pedir um dispositivo móvel para alguém que estivesse indo para o exterior? Você pode até nem ter pensado, mas saiba que já existe site que facilita as coisas para que isso aconteça. Um dos motivos citados na matéria para este contrabando de gadgets diz respeito ao preço dos aparelhos quando chegam ao mercado: "O smartphone mais caro do mundo" está no Brasil, mas isso você já sabia, certo?

Altos impostos e tarifas de importação colocam os preços lá em cima no Brasil, especialmente no setor de eletrônicos. Um Samsung Galaxy S4 desbloqueado é vendido por cerca de $ 630 na loja da Amazon norte-americana. Na Casa e Vídeo, uma loja de eletrônicos no Rio de Janeiro, o mesmo telefone custa mais de US $ 1.100. [...] Como resultado, alguns consumidores têm recorrido a canais mais subversivos.

Entre as diferentes razões para os altos custos da tecnologia no Brasil, o The Verge cita uma daquelas que sempre considerei a mais injusta: o protecionismo de mercado do Estado. Na matéria, especialistas colocam grande parte da culpa nas altas tarifas de importação e no sistema tributário nacional. Eu até entendo que "os direitos de importação do Brasil foram implementados para proteger a indústria nacional contra a concorrência estrangeira, e para nivelar o campo de jogo contra os países com programas de grandes subsídios", como dito no artigo. Porém, o fato de um produto chegar a até 55% mais caro no Brasil, me parece mais castigo para o consumidor que para as fabricantes.

Considero esta a razão mais injusta porque não se vê um investimento do Estado em pesquisa tecnológica, em incubadoras nacionais e, especialmente, porque se joga sobre o bolso do usuário a incapacidade de oferecer produtos com a mesma qualidade, mas que carregam a marca de uma empresa nacional. 

Guerra fiscal

Outro ponto que chama a atenção é o fato da guerra fiscal entre os Estados. André Mendes Moreira professor e doutor em Direito Tributário da Universidade Federal de Minas Gerais também apontou para a corrida dos Estados em oferecer subsídios para que as fabricantes se estabeleçam em seus territórios, como o objetivo de criar vagas de emprego ao atrairem novos investimentos.

Smartphones, tablets e outros aparelhos eletrônicos importados estão sujeitos a uma tarifa de 16%, além de várias taxas e impostos, tanto no nível estadual e federal. [...] A combinação de impostos federais e estaduais por si só representa cerca de um terço do preço de um produto [...] Mas as empresas estrangeiras de tecnologia podem evitar tarifas e impostos através da criação de unidades de produção no Brasil - o que é precisamente o que os políticos querem ver. [...] Se a empresa escolhe determinado estado para instalar sua fábrica, que normalmente recebe um benefício fiscal que reduz impostos estaduais a zero, isso fez com que o nosso país se tornasse uma zona fértil para o que chamamos de "guerra fiscal", que ocorre quando os estados reduzem os impostos delas, a fim de atrair novos investimentos que geram novos empregos."

Ok, tudo bem, os Estados não recolhem impostos vindos destas gigantes da tecnologia por determinado tempo - Huawei, Nokia, ZTE e Foxconn (que fabrica produtos da Apple e Sony) - estas empresas contratam pessoas por preço de banana, pois o verdadeiro centro tecnológico e de inovação está longe da linha de montagem e quando finalmente o Estado vai começar a receber impostos, a fabrica fecha as portas ou muda para outra região do país.

Comportamento da "nova" classe média

O professor Moreira ainda indica como um fator para esta questão do mercado de bens contrabandeados o comportamento da "nova" classe média no país, o que chama de "dinâmica social":

Há uma classe média emergente no Brasil e em toda a América do Sul [...] Eles não são ricos, mas não tão pobres quanto os seus pais foram, então, de repente, você tem milhões de pessoas que querem comprar produtos -. Os iPhones e produtos de alta tecnologia que vêem com pessoas ricas e na TV.

Não sei quanto a vocês, mas eu ainda sou da opinião de que não importa de que classe você seja, todos devem ter direito de acesso à tecnologia de ponta. Que seja por ostentação ou não, a tecnologia nos ferramenta, nos deixa mais próximos da inovação e nos facilita a vida. E isso não tem preço!

Que fique bem claro aqui que não estou deixando de considerar que as fabricantes lá fora recebam muitos subsídios do Estado e que, por isso, podem oferecer produtos por valores menores. A questão é que o Estado brasileiro deve passar por uma reforma tributária para que possamos sentir o problema mais distante do bolso do usuário, mais distante da ilegalidade e ficarmos mais próximos de um centro de desenvolvimento e pesquisa nacional, com apoio para empresas-embriões e que agreguem valor ao país em termos tecnológicos.

Ah, e sim, eu não sou a favor do contrabando!

Fonte: The Verge

6 Comentários

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  • Ótimo post, mais o cara não falou nada que nos não sabemos, eu sempre falo a culpa dos preços altos é nossa, ou melhor do povo, eu acho um absurdo comprar um cel por 2000 mesmo tendo essa grana, um exemplo é o Xperia ZQ que eu queria comprar, quando foi lançado pelo preço que foi lançado eu desisti, mais tem muita gente que prefere se gabar que tem, paga o preço e depois reclama, esse tipo de pessoa não pode reclamar, pois é conivente, se eu fosse o vendedor também ia querer ganhar dinheiro nas costas dos troux... ops clientes. e eles estão errados? acho que não.

  • +rafael verdade, o consumidor é conivente, mas até um ponto. infelizmente não há escolha aqui, ou tu compra um smartphone por mais de 1000 reais ou tu não compra.

  • Estamos esquecendo da lei de mercado mais antiga do mundo: a lei da oferta e da procura. Até onde esse consumo é oriundo de uma necessidade real? Ou seria realmente uma questão de status? Vejo produtos com valores impraticáveis em qualquer economia decente sendo vendidos no Brasil como se fosse algo normal. Em grande parte a culpa é de quem compra. Parte e pense: quando foi que você viu alguém vendendo besouros mortos? Nunca? Talvez porque não exista quem se interesse por isso.
    É claro que a tecnologia de ponta está longe de ser "um saco com besouros mortos", eu sei disso. O problema são as pessoas confundindo suas vontades com necessidades. E enquanto existirem pessoas dispostas a pagar 2.500 dinheiros por algo cujo o preço justo seria um terço disso, teremos essa síndrome do produto mais caro do mundo no nosso dia a dia.
    Os impostos oneram? Sim. Os fabricantes tem margens de lucro de fazer inveja ao Tio Patinhas? Certamente. Mas o consumidor brasileiro peca por sua conivência, isso eu não tenho dúvida...

  • Faltou o The Verge dizer que a margem de lucro das empresas aqui no Brasil também é ESTRATOSFÉRICA. Muito maior do que em outros países. Se o Governo sobretaxa as empresas nos roubam na cara dura.

  • De 30% até 40% dos preços é pura cachorrada dos lojistas e consumidores idiotas. O tempo passa, o preço do produto cai, entra incentivo, entra isenção, mas nada faz o preço cair, preço já com uma marge de lucro abusiva.
    Quem compra tem mais que se fuder mesmo, pesquisando um pouco dá para fugir um pouco dos preços abusivos. Mas infelizmente enquanto tiver essa enormidade de gente que não sabe gastar o próprio dinheiro isso vai continuar, é um problema cultural.
    Não pagam caro só em importados não, é em tudo.

  •   60

    ótimo post +Camila.

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Entendi