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Nexus 4 - O fiasco assistido da Google?

A super aguardada venda dos dispositivos Nexus na Google Play Store foi motivo de frustração para muitos fãs da linha de aparelhos da empresa de Mountain View. Como havia apenas um local para a compra dos dispositivos - a loja da Google - e não foi oferecida a possibilidade de compra antecipada através de reservas, a gigante da internet assinou um desastre assistido. Milhares de buscas fizeram a página do market Android cair, o que deixou muitos compradores irritados e levantou uma pergunta: como uma empresa multibilionária, com experiência no mercado de internet, demonstra tamanha ingenuidade?

Eric, Larry e Sergey em demonstração de um dos projetos da empresa de Mountain View. / (c) Google

Os dispositivos ainda não foram lançados aqui no Brasil - nem temos previsão para isso -, porém, já passamos pela mesma situação em outros contextos. Quem não lembra da polêmica venda de ingressos para os concertos da turnê mundial Sticky & Sweet (2008), da Madonna, realizada pela Tickets for Fun? A falta de estrutura do site não suportou o acesso dos fãs, deixando muita gente irritada. Usando o meu exemplo, foram 24 horas clicando na tecla “F5” do meu computador, aguardando a validação da compra. No final, uma amiga comprou os ingressos na boca do caixa, na Argentina, porque no Brasil estavam esgotados - isso que o site da Tickets for Fun não funcionava.

O Nexus 4 pode não ter as melhores especificações do mercado de smartphones, mas é um dos mais populares do momento, é um verdadeiro Popstar em termos de custo/benefício. Muito barulho foi feito em torno deste aparelho, o que nos leva a crer que a Google e a LG, parceira do Big G nesta empreitada, deveriam estar preparadas para a demanda. Entretanto, terça-feira, ficou comprovado que ambas as empresas não faziam ideia do hit que produziram ou foram inacreditavelmente ingênuas. Ou seja, a gigante das buscas demonstrou que também sabe ser incompetente.

Incompetência logística

Às nove horas de terça-feira, a venda dos novos dispositivos Nexus entrou oficialmente no ar, em muitos países, através da Google Play. Depois de meia hora, no local onde constava o botão “Adicionar ao carrinho" você podia encontrar "disponível em breve". Assim, muitas pessoas que entraram na página às 10h ficaram realmente confusas. A ponto de vários usuários chegarem a duvidar da veracidade da venda do Nexus 4. Em vários fóruns você podia encontrar depoimentos como: "Será que alguém realmente comprou? Será que esse dispositivo existe ou estou enlouquecendo?".

Depois de meia hora na loja da Google, Nexus 4 esgota unidades. / (c) Google Play Store

É fato que o dispositivo existe, mas esgotou rapidamente, assim, não se sabe quantas unidades a Google e a LG fabricaram e colocaram à disposição. Algumas pessoas apostam em uma “escassez artificial”, ou seja, a falta proposital de aparelhos com o objetivo de reforçar a campanha publicitária. Porém, a Google não precisa deste tipo de ação de marketing desesperada e, além do mais, o fato das unidades terem esgotado poucos minutos após liberada a venda identifica uma incompetência logística das grandes.

Falha técnica

A Google é sem dúvida a dona da melhor infra-estrutura de servidor no planeta, eles são capazes de lidar com um pico de acessos. Afinal, não foi a primeira vez que a Google colocou dispositivos à venda pela Play Store, o Nexus 7 já garantiu a experiência da empresa com este “novo braço” da loja, pois esta é a nova estratégia da Google: reforçar os seus serviços. Assim, os dispositivos são uma parte integrante da estratégia para difundir o Android e visam fortalecer os canais próprios de distribuição.

Voltando ao que mencionei ontem, a Google quer integrar seus serviços ao máximo, para que o usuário se acostume a usar o seu ecossistema. Porém, o que aconteceu nesta semana demonstra que, as vezes, o tiro pode sair pela culatra. Mais triste ainda, foi o teor da nota que a desenvolvedora do sistema operacional Android divulgou ao final do dia:

Nesta fase, não podemos fazer qualquer declaração a respeito de quando o próximo lote de dispositivos estará disponível na Play Store.

A falha como modelo de negócio

Diante destes fatos, retomo a pergunta que me motivou a escrever este artigo: como uma empresa multibilionária, com experiência no mercado de internet, demonstra tamanha ingenuidade? A Google pode, pois o erro faz parte do modelo de negócios da empresa há anos. Quem não lembra do Google Wave, iGoogle ou Google Buzz, todos exemplos de projetos que levaram milhões de dólares da empresa e que, se ainda não foram aposentados, estão em processo de aposentadoria. Não ter medo de investir em ideias com grandes chances de dar errado é o que leva a empresa de Sergey, Larry e Eric a ser exemplo de inovação no mundo inteiro.

Demonstração do Google Glass durante o evento Google I/O. (c) Youtube

Quem além da Google investiria em pesquisas para carros robóticos, mapeamento do mundo inteiro, inclusive embaixo d’água, óculos de realidade aumentada, tablets e smartphones com tecnologia de ponta a preços acessíveis...? Enquanto algumas pessoas olham para isso como um desperdício deliberado de dinheiro ou perda de prestígio junto aos usuários por conta de frustrações, a Google escreve um modelo de negócios sem precedentes, onde, conforme publicação de Stefan Heuer, para o jornal alemão Zeit, “a Google cresce cuspindo novos produtos. Muitos deles imaturos e fadados ao fracasso. Mas a loucura tem um método - geralmente”.

Assim, como nem tudo são flores neste sistema, muitas vezes, o preço que se paga é bem alto, como frustrar usuários e demonstrar incompetência em uma escala global ao superestimar serviços.

Na sua opinião, agindo desta forma a Google tem mais a ganhar do que a perder? Deixe-nos saber o que você pensa nos comentários abaixo.

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