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Quais diferenças existem entre Android Go e One?

Recentemente, consegui testar pela primeira vez um modelo rodando com Android Go, que é a versão mais leve do sistema da Google pensada para smartphones básicos. Como também estou com o Motorola One em mãos, resolvi comparar ambos os sistemas para mostrar quais são as principais diferenças entre as plataformas.

Como mencionei acima, o Android Go é uma versão básica do Android, voltada para smartphones de entrada. O grande receio dos usuários em relação a essa versão está na quantidade de recursos presentes que, para muitos, pode ser o ponto negativo do Go. Logo durante as primeiras horas que usei o Multilaser MS50G, pude notar que o sistema lite não é "capado" de recursos como muitos imaginam.

Basicamente, o que o Android Go não tem em comparação com o Android One é o glamour, ou seja, animações em todas as telas, transições e detalhes extras na interface. É claro que o Google fez um grande trabalho de otimização do sistema para que ele possa rodar em aparelhos básicos, como este MS50G, que tem 1 GB de RAM e 8 GB de espaço interno. 

Para diferenciar o visual entre as versões, o Go leva ícones quadrados e, no caso de aplicações nativas do Google, existe uma faixa com a descrição "Go" indicando que houve uma otimização no app para que ele pudesse ficar mais leve.

O aplicativo do Google, o YouTube e Gmail são os que mais tiveram a interface modificada em comparação com suas respectivas versões para Android One. Apesar de ser uma versão Go, o Google Assistente pouco muda em comparação com a versão One.

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Go acima e One embaixo / © AndroidPIT (captura de tela)

Podemos usar o Assistente para fazer as mesmas consultas que fazemos na versão tradicional. A loja de apps do Android, o Google Play, por sua vez, conta com quase as mesmas opções da versão normal, deixando de lado aplicativos que usam realidade aumentada e que exigem maior poder de processamento, além de jogos pesados.

Pessoalmente, antes de testar o Android Go eu imaginava que o Google Play desta versão seria totalmente diferente, com bem menos opções e com seções especiais para os apps Go e Lite. De fato, existe essa seção na tela inicial com os apps mais leves para o sistema, mas todo o restante da interface se assemelha a versão convencional.

Isso acontece pois ainda não é possível converter automaticamente um aplicativo normal para uma versão mais leve. A Google Play Store do Android Go exibe dois Facebook, um lite e outro normal, dois Messenger, dois Twitter, apenas o WhatsApp tradicional (não existe WhatsApp lite) e por aí vai. Essa inconsistência acaba desvalidando em partes o principal objetivo da plataforma, que é ser leve e abrigar apps otimizados e funcionais. 

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Go acima e One abaixo / © AndroidPIT (captura de tela)

O usuário deve sentir um impacto dessa variação entre usar apps leves e normais a longo prazo, principalmente por conta do hardware extremamente básico dos aparelhos que rodam com Android Go. De fato, não faz muito sentido ter um WhatsApp completo que pesa o mesmo tamanho do Twitter Lite, Uber Lite e Gmail Go juntos. 

Com relação às configurações, você encontrará quase as mesmas opções do Android One no Go, o que deve variar um pouco dependendo do hardware do aparelho. No caso deste Multilaser, não há o menu de NFC, espelhamento de tela, calibração das cores de tela (modo de tela), modo noturno e, por fim, a opção de roteador Wi-Fi fica bastante escondida dentro das configurações de rede, passando a impressão de que não existe essa configuração à primeira vista.

Como não existe a opção de multi-janelas no Android Go, o multi-tarefa de ambos os sistemas são diferentes (imagem acima).

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Go acima e One abaixo / © AndroidPIT (captura de tela)

Como o Android Go e o Android One podem ser customizados pelas fabricantes, tanto a Motorola quanto a Multilaser fizeram alterações na interface e nos aplicativos embarcados. O MS50G vem com dois menus extras nas configurações com recursos de gestos e que usam os sensores do dispositivo, enquanto o Motorola One exibe a central Moto e vários outros apps da empresa norte-americana.

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Go acima e One embaixo / © AndroidPIT (captura de tela)

Por fim, a experiência que tive com ambas as plataformas foi bastante positiva. O Android One é claramente melhor evoluído em termos de interface mais completa e pequenos extras, como animações e mais detalhes para informações, por exemplo.

O Android Go, por sua vez, não passa a sensação de sistema incompleto, pelo contrário, é possível usar aplicativos tradicionais e também os otimizados para a plataforma, o que pode ser positivo a curto prazo. Impressiona, de qualquer forma, o fato de vermos um sistema rodar liso, ainda que não rápido, em um smartphone com configurações tão básicas.

Vou deixar minhas críticas sobre os preços e as configurações usadas para embarcar ambas as versões de lado e concentrar o feedback deste artigo apenas nas questões que envolvem a experiência de uso. Neste sentido, o One atende bem aqueles que buscam um sistema completo e simples; enquanto que o Go não deixa a desejar em funcionalidades e desempenho básico.

Qual versão você prefere?

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Android Go e Android One / © AndoridPIT

13 Comentários

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Todas as mudanças foram salvas. Não há rascunhos salvos no seu aparelho.

  • Na prática, basicamente é o mesmo Android 8.1.0 Oreo nos dois casos.

    O que acontece, no caso da edição Go, os ícones vem de fábrica quadrados porque a opção do padrão do ícone já vem configurada para tal, o que não significa que não se pode deixar redondo posteriormente.
    No caso das animações, basicamente as três opções relacionadas a animação nas Opções de Desenvolvedor vem desligadas, o que não significa que não se possa alterar isso depois.
    No caso da otimização para aparelhos com menos RAM, deve estar relacionado com esse artigo aqui:
    https://www.androidpit.com.br/como-transformar-smartphone-android-go-dicas
    No caso de sobrar mais armazenamento, isso provavelmente está diretamente relacionado como os apps Go Edition da Google, que em sua maioria, são apenas PWAs (Progressive Web Apps; basicamente a página web compilada como apk e desenvolvida para rodar offline e com alguns recursos como notificações push).
    Deve ter mais alguma otimização a nível de sistema, mas aí já precisa de uma apuração mais cuidadosa (e já estou até duvidando disso).
    E acredito (não sei se é verdade), que o Projeto Treble não contempla essa edição do Android, o que significa que não existe a obrigação das fabricantes que trabalhem com Android Go Edition atualizarem para uma nova versão (Android Pie, por exemplo).

    No que o Android Go é similar ao Android One é que as fabricantes devem embarcar seus próprios apps de Câmera (ao invés de utilizar a Google Camera), além de outros apps que acrescentam a experiência daquele aparelho ou de um aparelho daquela marca (no caso da Multilaser, ela optou por incluir apps proprietários de Gravador de Voz, Rádio FM, e desnecessariamente um app proprietário para o Relógio, ignorando o Google Relógio; e a Motorola inclui o app Moto, o app de Ajuda e o app de Notificações).
    A Multilaser poderia ter alterado drasticamente a launcher, o tema e o app de Configurações, uma vez que não existe uma restrição da Google impedindo isso (o que deu respaldo para o ZTE Tempo Go, os Samsung Galaxy J2 Core e J4 Core, e o Asus Zenfone Live L1), mas ela não o fez porque ela já está acostumada a trabalhar com um Android bem próximo das diretrizes da Google. O mesmo não se aplica a Motorola com o Android One, e é por isso que a launcher está com o fundo branco (semelhante ao Pixel Launcher) com o texto em verde ao invés do transparente com o texto em branco (como a fabricante vem fazendo com os seus aparelhos desde o Android Nougat, e fez no E5 Play XT1920, que é do programa Android Go).

    Logo, é possível concluir que realmente o Android Go Edition é uma gambiarra que a Google inventou para incentivar as fabricantes a venderem aparelhos com especificações de hardware ridiculamente modestas, e que podem vir com preços mais baixos (embora não necessariamente barato, mas isso já deve estar relacionado com mercados específicos).


  • Continuo dizendo que o Android Go é uma das maiores asneiras do Google. Ao invés de otimizar o Android de forma geral pra se comportar em hardwares mais modestos eles mesmos fragmentam a plataforma criando o Android Go.


    • E já virou (ou vai virar) uma desculpa para OEMs menores lançarem aparelhos que nunca verão uma atualização do Android, já que a Google vai começar a apertar o cerco com as fabricantes a partir do Android Pie, por causa do Projeto Treble (o que supostamente dá a entender que ele não está sendo exigido na edição Go do Android).

      Por isso que Positivo e Multilaser não tardaram muito para anunciar tralhas com essa edição do Android, mas nunca se interessaram (e não acho que algum dia irão se interessar) em lançar aparelhos para o programa Android One (e isso desde quando o programa começou, em 2014, quando ele ainda tinha uma outra proposta, mas que ainda as contemplava).


  • Prefiro o Android customizado, que não precisa estar baixando aplicativos, que já deveriam vir na interface do dispositivo.


  • O Go é bem mais enxuto e um pouco mais restrito, e na minha opinião seu lançamento foi muito acertado pelo Google, existe uma boa demanda por aparelhos mais simples e baratos, mas com uma usabilidade satisfatória.
    Já o projeto One ainda é pouco utilizado, acredito que uma parte relevante de usuários se identifica bem com o que o Google considera a interface ideal, mas a linha de aparelhos participantes do projeto é um pouco limitada.


    • O programa Android One é pouco demandado justamente porque tem mais restrições para as fabricantes do que o programa Android Go.
      E essas restrições estão diretamente relacionadas com o "selo Google de qualidade", que certamente acaba encarecendo um projeto.
      Isso, aliás, foi uma crítica que o próprio Marcel Campos já fez, e que justificou o Asus Zenfone Max Pro M1 ter uma experiência bem própria de um aparelho da Google, mas não fazer parte de um programa dela, e em contrapartida, não fez muita cerimônia em lançar o Asus Zenfone Live L1, que faz parte do programa Android Go.


      • Sim, é verdade! É um programa com controle forte e bem burocrático. Mas mesmo assim, acho que há demanda pelos usuários mais "puristas" do Android, e que não querem pagar um valor alto por um Pixel. E lógico, acaba sendo um marcado de nicho, não é ideal para todos os fabricantes, mercados e a maioria dos usuários.


  • Ainda não vi nenhum modelo com Go que valha apena no preço, que seria por volta na faixa de R$ 300 a R$ 500


    • Na verdade a média que vi é de R$251 ~R$487 pra ser mais exato.. mas sem considerar o E5 Play da motorola...Multilaser e Positivo tem um modelo que a vista fica uns 258 e parcelado ficam entre 279 e 300


  • Stella Faz um review de um android go no seu canal
    Só vi fazerem do Moto E5 play Go.. e esse todo mundo ja sabe que não vale a pena kk

    Eli


  • Boa, realmente a critica mesmo fica por conta dos preços praticados aqui no Brasil de ambos... mas os Go agora estão ficando em conta tem entre R$250 ~ R$500... um dia chegaremos lá kk


  • A Google fez um bom trabalho na ideia do Go, apesar de desejar uma loja mais organizada é algo que dá para melhorar com atualizações. Meu único problema com a versão foi ela ter dado liberdade demais para as fabricantes que desvirtuam a proposta de seu um aparelho de 30 dólares

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