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Hands-on do Zenfone 6: o OnePlus 7 que se cuide!
Asus Zenfone 6 (2019) Hardware Review de Smartphone 13 min para ler 19 Comentários

Hands-on do Zenfone 6: o OnePlus 7 que se cuide!

Ontem, dia 16 de maio, em Valência, Espanha, a Asus finalmente lançou seu novo smartphone, o Zenfone 6. Com preço alto e hardware parrudo, além de uma câmera giratória, a Asus mostrou que realmente está investindo em aparelhos mais topo de linha, com estratégia que chega a lembrar a da OnePlus com seu novo smartphone OnePlus 7 Pro.

Eu pude passar algumas horas com ele, realizar testes na câmera e entender melhor como funciona o curioso mecanismo que permite que os mesmos sensores da parte traseira façam selfies a 48 megapixel girando 180 graus. Acompanhe.

Asus Zenfone 6 (2019) – Data de lançamento e preço

O Zenfone 6 deve chegar ao Brasil em meados do segundo semestre deste ano. Os preços de lançamento são relativamente elevados para quem estava mais acostumado ao custo benefício dos Zenfones 3 e 4, mas esperado por quem já acompanhava o Zenfone 5, e uma evolução natural da empresa. O novo smartphone da Asus chega em duas cores, prata e preto, e os preços no exterior são os seguintes:

  • Zenfone 6 - 6GB/64GB por 499 euros (R$ 2.247 sem impostos)
  • Zenfone 6 - 6GB/128GB por 559 euros (R$ 2.517 sem impostos)
  • Zenfone 6 - 8GB/256GB por 599 euros (R$ 2.697 sem impostos)

Design bonito ousando apenas na câmera

Fora o módulo de câmera do qual falo mais abaixo, a Asus não ousou demais em nenhum outro aspecto do aparelho, que segue um visual elegante e sóbrio . Seu design, em alguns casos, chega até a lembrar um pouco a linha de smartphones gamers ROG, sem as partes mais características.

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Versão prateada do Zenfone 6 / © AndroidPIT

A traseira é quase reta, com cantos arredondados para melhorar a pegada, e segue um acabamento visual meio aveludado, pouca coisa mais comedido do que o seguido pela linha Moto G7. A versão do meu hands on é um preto classudo com o logotipo e algumas inscrições destacados em um bonito azul bem no meio do aparelho.

Acima delas, o sensor biométrico, que está retangular e menor do que em outros aparelhos da Asus e concorrentes. Acima dele, o módulo de câmera fechado, que fica um pouco protuberante em relação ao restante do corpo, que não é muito grosso. Há uma outra versão, prateada, que traz um degradê azul discreto e bonito.

A moldura é em metal bisotado, e acima mostra o mecanismo da câmera, protetores de antena e um microfone extra. Do lado esquerdo, o berço triplo para dois nano SIM e um microSD, e do outro um botão de energia com uma discreta borda em azul, botões de volume e a Smart Key. Por fim, abaixo, conexão de áudio, protetores de antena, conexão USB-C, microfones e saída de som.

Na parte frontal há o domínio da tela, mas acima dela, quase imperceptível, fica a saída de som, com alguns sensores e um LED de notificação ao lado. O acabamento é arredondado, como na moldura, para deixar a grande tela mais ergonômica nas mãos. Ele acaba sendo até menor do que o Pixel 3a XL, mesmo com quase meia polegada de tela a mais. No resumo, não é muito fácil manuseá-lo com apenas uma mão, mas não é dos mais difíceis atualmente. Ele não traz proteção contra água ou poeira.

Tela livre de qualquer obstáculo

Ao invés de passar antes pela "fase" do notch em forma de furo, gota ou meia lua, a Asus já partiu direto para a tela livre de qualquer entalhe. Com um grande display de 6,4 polegadas e aproveitamento de 92% de frente, ela é bem interessante, parecendo até bem maior do que é.

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Sem notch na frente / © AndroidPIT

Sua definição é uma suficiente FullHD+ IPS com aspecto 19,5:9 e proteção Gorila Glass 6. Embora o fato de ser uma IPS não permita que todas as bordas ao redor tenham o mesmo tamanho, ainda assim agradou em nosso hands on, com poucas bordas laterais e uma gama de cores muito boa, cobrindo 100% do DCI-P3.

A Asus afirma que ela chega a 600 nits de brilho , e realmente se mostrou mais intensa do que o Pixel 3 que usei para uma comparação rápida. O equilíbrio de branco parece ser bem suficiente, também.

ZenUI fica mais limpa e leve

A Asus acabou cedendo na questão do seu software, e mesmo que um pouco a contragosto resolveu tirar bagagem em excesso de sua interface ZenUI. Não que não existissem inúmeras funções interessantes e bacanas, mas nem sempre pecar pelo excesso é a melhor ideia.

Por isso, a ZenUI foi enxugada e é agora a ZenUI 6 . Muitas funções foram mantidas, como os toques para acordar a tela, controle especial de som, apps especiais da empresa (tais como Clima, Asus data transfer, Galeria, Gravador de som e outros), um gerenciador de espaço e RAM, modos de bateria especiais, Game Genie, Twin Apps (para usar duas contas de alguns apps) e outros.

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Esta é a ZenUI 6 / © AndroidPIT (captura de tela)

O recurso OptiFlex também está presente, e ele acelera o início de aplicativos, reduz o recarregamento de outros e economiza energia no modo de espera. Funções já queridas, como gravação de chamada nativa e gravação de tela também foram mantidas.

Uma das novidades misteriosas apresentadas no Instagram da empresa foi a Smart Key, ou Tecla Inteligente, o botão que fica acima do de volume e de energia no aparelho. Diferente de botões exclusivos de assistentes que estão saindo em outros aparelhos como na linha Galaxy S e no LG K12+, por exemplo, esse é altamente personalizável.

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Há controles que se mantiveram / © AndroidPIT (captura de tela)

Em um dos modos, você aperta uma vez para o Google Assistente, duas vezes para o Google Assistente com atualizações pessoais na tela e aperta e segura para já falar com o Google diretamente. No outro modo, Personalizado, você usa as mesmas três ações para realizar até nove ações diferentes. Ao menos nesse breve tempo de uso, me confundi um pouco entre esse botão e o de energia, embora o primeiro seja texturizado.

A versão do Android presente no Zenfone 6 é a 9 Pie, mas já foram prometidas também atualizações para o Android Q e o possível Android R, mais uma coisa fora do comum para a Asus, que costuma prometer apenas um grande update no Android. O aparelho também está inserido no programa Beta do Google. A versão do sistema mais próxima da que vemos no Pixel ajuda nisso, certamente.

Topo dos topos em várias versões

Não há muito o que falar do desempenho do Zenfone 6 sem um teste mais prolongado além de um hands on. Mas é esperado que ele tenha um rendimento superior, digno de qualquer smartphone dos mais poderosos , por conter o que há de mais novo da Qualcomm.

Dentro dele há o chipset Snapdragon 855 que vai até 2.8 GHz, junto a conjuntos que podem ter 6 GB ou 8 GB de RAM e 64 GB, 128 GB ou 256 GB de armazenamento. A placa gráfica é uma Adreno 640, e a memória interna é UFS 2.1. O sistema mais enxuto ajuda a aumentar a velocidade do aparelho, que suportou bem a multitarefa no tempo que tive ele em mãos.

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Com Snapdragon 855, a performance é poderosa / © AndroidPIT

Yes, nós temos conexão de áudio

Não que a Asus tenha limado a conexão P2 de seus últimos topos de linha, mas é bom ver que ela segue firme e forte em sua ideia de manter o plugue de 3.5 mm presente (ainda mais porque o smartphone nem é tão fino que justificasse uma retirada). Não apenas isso, mas inclui na caixa os conhecidos ZenEar, que dessa vez foram desenvolvidos pela 1MORE, especialistas em fones. Infelizmente, não pude testá-los.

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Além do USB-C, conexão para fones de ouvido / © AndroidPIT

O som externo segue a linha dos últimos lançamentos da marca, sejam premiuns ou intermediários. É um som alto e claro , e que de tão alto chega a estourar em volume máximo. Bem mais alto do que a maioria dos aparelhos, e com um um semi-estéreo.

Isso porque a saída frontal também emite som em situações externas, mas é bem menos potente do que a saída que fica abaixo do aparelho. No geral, peca um pouco nos graves, mas é bem suficiente para jogos, por exemplo.

Câmera que faz muito mais do que girar

Mesmo abandonando o slogan "we love photo" pelo "defy ordinary", a Asus continua ligada em e destacando o assunto foto em seus aparelhos. E aqui é a máxima desse caminho, que começou inovando no Zenfone Zoom, e agora traz a peculiar flip camera. 

Confesso que ao ver vazamentos, pensei se tratar de mais um mecanismo simples basculante, como o o do Galaxy A80, mas ao ver a apresentação oficial e passar um tempo com o Zenfone 6, percebi que há muito mais trabalho aqui do que se esperava, e algo bom pode ter realmente sido lançado .

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A flip câmera aberta e fechada / © AndroidPIT por Stella Dauer

A primeira coisa que vêm à cabeça é a fragilidade de tal módulo. A flip câmera, através de um eixo e um motor de passo, gira 180 graus para passar da traseira à frente, deixando o Zenfone 6 com um "galo na cabeça". Mas não é nem de longe um dispositivo fraco.

É certo que é preciso passar mais tempo em testes para certificar a durabilidade da dobra, mas aqui a Asus explica que usou um material chamado metal líquido, desenvolvido pela Caltech, o Instituto de Tecnologia da Califórnia. Apesar de ser um metal ruim para antenas e para dissipar calor, se mostrou ideal para o módulo da câmera da Asus.

Ele é 20% mais leve que o aço inoxidável, mas quatro vezes mais resistente, e para proteger mais ainda contra um acidente, há um sensor G no smartphone, que detecta velocidade caso o aparelho sofra uma queda. Talvez nnao seja o suficiente para fechar o módulo, mas impede que ele caia de quina, o jeito mais rápido de quebrá-lo.

O motor de passo, novos cabos para aguentar os giros, tudo foi formulado pelos engenheiros da Asus para buscar a maior resistência possível. Um vídeo com uma criança brincando com o módulo e o forçando de várias maneiras mostra que a Asus não brincou em serviço.

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O mecanismo do Zenfone 6 visto por dentro, com a dobradiça à direita, acima / © AndroidPIT por Stella Dauer

E além de ser uma câmera traseira e de selfie, ela também é intermediária. Através de um controle que pode ficar na tela ou no botão de volume, você pode determinar qualquer ângulo entre 0 e 180 graus para a câmera ficar parada. Isso facilita uma série de fotos e também a produção de conteúdo em vídeo.

Falando dos sensores, temos um de 48 megapixels, Sony IMX586 com abertura f/1.79 e outro, ultra angular de 125 graus, de 13 megapixels. Eles gravam em até 4K a 60 fps, tornando o Zenfone 6 o primeiro com câmera frontal a gravar nessa qualidade.

O software que testamos, como já era esperado, não é o oficial (são esperados quatro FOTAS até o lançamento, daqui menos de 10 dias), e por isso traz algumas inconsistências. Mas do que eu pude experimentar no hands on, muita coisa legal está presente.

Além do controle manual do ângulo da câmera, ela possui um panorama automático que gira sozinho a câmera, e também um modo de vídeo com rastreamento, e a câmera se mexe sozinha para acompanhar a pessoa escolhida no vídeo. E se outra preocupação é a velocidade do motor, em pouco mais de um segundo ela se abre quando a câmera frontal é solicitada.

No link a seguir você confere as fotos feitas no teste, sem edição:

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Câmera aberta  / © AndroidPIT

Outra coisa que chama atenção é o modo Super Night, o modo noturno da Asus. Embora ainda não considere melhor que o do Pixel 3 que tinha comigo e ajudou na comparação, é impressionante ver como a Asus fez um trabalho que a colocou junto das grandes fabricantes na deteção de imagem em baixa luz.

É possível ver que falta um aprimoramento em cenas como o céu, e que o granulado aparece em situações aleatórias, mas é preciso dar um desconto por não ser a versão final do software. Ainda assim, não só a câmera com a IA já faz capturas legais, como o Super Night traz boas cores e mais acuidade a fotos noturnas. O HDR+ também ajuda em alguns momentos.

O vídeo conta com estabilização eletrônica mesmo em 4K, e também ficou realmente interessante. Ela funciona bem e consegue chegar bem perto do que é oferecido com estabilização óptica.

Bateria poderosa em um topo de linha

Embora este seja um hands on e ainda não seja possível dizer o quanto dura essa bateria, já dá para dizer que 5.000 mAh em um smartphone que não é tão grosso e ainda carrega um hardware de um topo de linha é algo bem diferente, que nem Samsung, nem Huawei se arriscam em seus modelos principais.

É fato que perdemos a tecnologia de carregamento sem fio, mas a Asus não considera essa função popular o suficiente para encarecer o produto e acredita que uma bateria maior e um carregamento rápido de 18W (Quick Charge 4.0) consigam suprir as necessidades nesse quesito.

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Bateria para lidar também com o mecanismo da câmera / © AndroidPIT

A empresa não falou muito sobre duração da bateria em suas condições de laboratório, mas arrisco dizer que consiga passar de um dia em uso comum sem muitas limitações. A Asus também explica que uma bateria de 5.000 mAh dura mais tempo do que uma de 3.000 mAh de outros topos de linha, uma vez que acaba passando por menos ciclos de recarga ao longo do tempo.

Asus Zenfone 6 (2019) – Especificações Técnicas

Dimensões: 159,1 x 75,4 x 9,2 mm
Peso: 167 g
Tamanho da bateria: 5000 mAh
Tamanho da tela: 6,4 polegadas
Tecnologia da tela: LCD
Tela: 2340 x 1080 pixels (403 ppi)
Câmera frontal 13 megapixels
Câmera traseira 48 megapixels
Flash: Dual-LED
Versão do Android: 9 - Pie
Interface: ZenUI
RAM: 6 GB
8 GB
Memória interna: 128 GB
256 GB
64 GB
Memória removível: microSD
Chipset: Qualcomm Snapdragon 855
Número de núcleos: 8
Velocidade máx. 2,8 GHz
Conectividade HSPA, LTE, NFC, Dual-SIM , Bluetooth 5.0

Acima de tudo, uma mudança de estratégia

Os vazamentos anteriores, mesmo que os acertados, não fizeram jus ao que o aparelho é na verdade. Enquanto os vazamentos só mostravam uma câmera giratória que parecia uma cópia do Galaxy A80, o lançamento mostrou muito mais sobre a engenharia envolvida e os outros esforços da empresa em trazer um software mais leve e mais otimizado em fotos.

Acima de tudo, o Zenfone 6 marca a tentativa da Asus de fazer seu próprio caminho, sem se inspirar no design de outras fabricantes, e marcar seu lugar próprio e original no mercado. Em matéria de smartphone ela ainda engatinha em números perto das gigantes, mas o Zenfone 6 parece ter sido uma escolha interessante para mudar isso.

O Zenfone 6 marca a tentativa da Asus de fazer seu próprio caminho

Embora ainda não tenha chegado por aqui, é possível apostar em um preço de no mínimo R$ 2.999,00 para o modelo mais básico, com R$ 3.199,00 sendo mais coerente com o custo Brasil. A Asus já deixou claro que pretende que seu flagship brigue de frente com os grandes, e isso certamente viria com um preço.

Embora seja difícil que venha a trabalhar com aparelhos super simples de entrada, a taiwanesa não se esquecerá do mercado intermediário, que é um dos maiores no Brasil. Porém, o Zenfone 6 não chegará mais perto dessa categoria, subindo para os mais premiuns. Ainda assim, como esperado, chega mais barato do que o Galaxy S10, P30 Pro e até do que o OnePlus 7. Só não está melhor do que o Xiaomi Mi 9 em preço.

O que você achou das novidades da Asus para o Zenfone 6?

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Todas as mudanças foram salvas. Não há rascunhos salvos no seu aparelho.