Até quando o Telegram será um "puxadinho" temporário do WhatsApp?

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Bruno Salutes

O WhatsApp e o Telegram dividem a atenção dos usuários que buscam por plataformas para se comunicar com várias pessoas todos os dias. Ainda que eles não sejam preferências absolutas em alguns países, como na China, por exemplo, onde a demanda pelo Line é maior, apenas uma opção pode desfrutar de prestígio e popularidade, digamos, quase que "inabaláveis" mundialmente.

Apesar de ser a primeira opção dos brasileiros, o WhatsApp não é o único mensageiro instantâneo relevante no mundo, vide a alta popularidade do iMessage nos Estados Unidos, ou do Line e do WeChat na China. O aplicativo pertencente ao Facebook já passou por altos e baixos no país, como bloqueios temporários pela justiça e polêmicas envolvendo disseminação de fake news.

O fato curioso é que entre essas baixas que o WhatsApp sofre outro concorrente que também é bastante popular no país ressurge. Sim, estou falando dele mesmo, o Telegram. Podemos dizer que ele é o segundo predileto entre os usuários, tem comunidade ativa de entusiastas e, apesar de ter investido menos em publicidade por aqui, como o Viber já fez há alguns anos, sempre é lembrado como a opção mais viável nas horas de aperto.

Não quero levantar aqui o debate isolado sobre a ausência de contatos num mensageiro, pois realmente precisamos ter uma base considerável de amigos em uma plataforma para que a mesma possa ser uma opção viável para uso no dia a dia. Recentemente, no entanto, o mensageiro russo ganhou 3 milhões de usuários instantaneamente devido a uma queda nos servidores do Facebook que atingiu o WhatsApp, o Messenger e o Instagram.

Durante quase 24 horas, aproximadamente três milhões de contas migraram ao aplicativo promovendo um aumento significativo na base de usuários do Telegram, que está na casa de 200 milhões de pessoas ativas desde março de 2018. Acredito que, durante o período problemático do Facebook, todas as pessoas que lá estavam tinham grande parte de seus contatos online na plataforma. Minha pergunta aqui é a seguinte: por que elas voltam para o WhatsApp? Por que não aproveitar o momento de debandada para formar uma base de contatos ativos e aproveitar o novo ambiente?

Telegram tem muitas vantagens / © AndroidDPIT

Apesar de ter melhorado o ciclo de atualizações, o WhatsApp ainda fica atrás do Telegram em recursos básicos, como na variedade de figuras (stickers), na interface e em opções de customização da mesma, no sistema de bots e até nos aplicativos multiplataformas (Windows, Mac e Web) que são melhores e independentes do celular. Não ter contatos dentro do Telegram, de fato, não torna a vida de quem quer experimentar algo diferente mais fácil, porém, durante 24 horas existiram 3 milhões de pessoas a mais na plataforma.

Ter facilidades e integrações com outras redes sociais à disposição é algo que chama atenção dos usuários, mas é exatamente esse tipo de recurso ou de benefício que os monopólios de serviços e apps oferecem como diferencial. Alternativas de outros desenvolvedores sempre acabam sendo deixadas em segundo plano em nome dessa sensação de segurança ou de "ser mais fácil" que as pessoas encontram em serviços de empresas gigantes.

A verdade é que já passou da hora dos usuários experimentarem alternativas ao WhatsApp e, mais que isso, de divulgar outras opções com o objetivo de atrair mais contatos para novas plataformas. Se as pessoas migram em massa ao Telegram quando precisam, e não ao Line, Viber ou WeChat, é um sinal claro de que muitos sabem onde encontrar uma alternativa de qualidade. Falta mais abertura para experimentar mudanças e novidades.

Você usa ou tem vontade de usar o Telegram? Além da base de contatos, o que mais te prende ao WhatsApp?

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