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Muito além de pão de queijo: conheça o San Pedro Valley, ecossistema de inovação de BH

O verbete sobre a Akwan Information Technologies na Wikipedia tem menos de 100 palavras, o que talvez explique a dificuldade dos mineiros de Belo Horizonte em explicar a origem do San Pedro Valley, comunidade de startups que hoje conta com mais de 300 iniciativas, indo muito além do bairro São Pedro, onde tudo começou. Muito embora seja fruto de toda um cena, e não de um único acontecimento, é impossível desassociar a existência de todo esse ecossistema de inovação da Akwan Information Technologies, uma empresa brasileira criada por professores do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais, que virou notícia em novembro de 2005 por ter sido comprada pela Google, transformando-se em base para os negócios do portal norte-americano na América do Sul.

Eleita por duas vezes seguidas como melhor comunidade de startups do Brasil pelo Spark Awards, hoje Startup Awards, premiação realizada pela Associação Brasileira de Startups, no CASE, evento anual de Startups da Associação Brasileira de Startups (ABS), o San Pedro Valley de fato existe. Ainda que não ocupe mais uma mesma região da cidade e que suas principais empresa estejam dentro de salas comerciais, e não de prédios próprios com grandes letreiros na frente, o San Pedro Valley é, como sugere seu verbete na Wikipedia, uma mentalidade.

De passagem por Belo Horizonte para acompanhar a segunda edição da FINIT, Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia que abrigou também a segunda Campus Party Minas Gerais, tive a oportunidade de não apenas acompanhar o evento – que parece ele mesmo uma consequência dessa atmosfera de inovação presente na capital –, mas de conhecer empresas do San Pedro Valley.

Akwan ou Via6, uma rede de relacionamento profissional criado por alguns dos grandes nomes da comunidade lá em 2005, o San Pedro Valley começou a florescer mesmo a partir de 2009, com algumas das iniciativas mais conhecidas tornando-se oficiais no ano de 2011. É o caso da Méliuz, Hotmart e SmarttBot. Sympla, uma das maiores, nasceria em 2012. BeGreen, a mais recente das visitadas, é de 2015, mas um de seus sócios, Giuliano Bitencourt, 26, é administrador com passagem pelo Seed. 

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Vista para o bairro de São Pedro / © AndroidPIT

O Seed é outro ponto importante da cena atual e de fortalecimento do San Pedro Valley. Criado em 2013 e aberto à comunidade em 2014, o programa do governo de Minas Gerais visa promover a criação e o investimento em startups na região. Em três anos de funcionamento, 120 startups foram beneficiadas e juntas faturaram R$ 23 milhões, geraram 145 empregos e captaram R$ 10 milhões em investimento privado. Em 2015, o programa foi suspenso, mas retomado em 2016. Em 2017, o programa Seed pretende acelerar mais duas turmas de 40 startups. Além do Seed, Belo Horizonte conta com outras aceleradoras ativas como AceleraMG, FiemgLab, Pillow, TechMall e Tropos Lab. 

Pode-se creditar o sucesso do San Pedro Valley também à educação na região. Belo Horizonte também possui universidades de grande reconhecimento. Especialmente a UFMG, PUC, IBMEC e FDC que formam profissionais para o setor de desenvolvimento. Além de ambas, integram o ecossistema de startups de Belo Horizonte universidades como: UEMG, Newton Paiva, Una, Uni-BH, entre outras.

Outra característica do San Pedro Valley é que as startups da região possuem uma tradição de sempre enviar um representante as rodadas de aceleração do Startup Chile. A Méliuz foi uma das pioneiras nesse programa.

Cinco empresas do San Pedro Valley que você precisa conhecer

BeGreen

A BeGreen de Giuliano Bitencourt e Pedro Graziano se apresenta como a primeira fazenda urbana da América Latina e é uma das poucas empresas do San Pedro Valley que você pode ver de perto, uma vez que sua "plantação" e escritório ficam dentro de um shopping, o Boulevard, onde também estão os escritórios de Google e ThoughtWorks. Basicamente o que a BeGreen faz é produzir hortaliças aquapônicas, sem adição de agrotóxicos, na cidade. Apesar de terem desenvolvido um sistema baseado em arduíno que mede oito variáveis de cultivo das hortaliças e outras plantas que já fazem parte do portfólio, hoje a empresa ganha dinheiro vendendo experiência – uma visita ao espaço – e sua produção, seja para o cliente final que visita a loja, seja para restaurantes e supermercados que consomem orgânicos. Hoje, a empresa tem 13 pessoas e apenas um escritório dentro de um contêiner.

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Fazendo urbana da BeGreen / © AndroidPIT

Hotmart

Criada por João Resende e Mateus Bicalho e acelerada pelo Buscapé, a Hotmart é uma plataforma especializada em soluções para quem cria, vende e distribui produtos digitais. Seus usuários estão divididos em três grupos: produtores, afiliados (que divulgam esses produtos e ganham comissão em cima das vendas) e compradores. Os produtos digitais no caso são e-books, videoaulas, podcasts, audiobooks etc. E a Hotmart só ganha em cima dos produtos digitais que forem vendidos: 9,9% em cima do que foi vendido mais R$ 1 por venda. Além da plataforma, que é o que gera receita, a Hotmart tem também outros produtos como a Hotmart Academy, o Hotpay e o Hotmart Club. Hoje, além do escritório de seis andares em Belo Horizonte, a empresa tem escritórios em Madrid e Bogotá e já soma 260 funcionários.

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Hotmart/ © AndroidPIT

 

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Área de descompressão da Hotmart / © AndroidPIT

Méliuz

Apesar do nome difícil, a Méliuz já uma das empresas mais conhecidas do San Pedro Valley. Criada por Israel Salmen e Ofli Guimarães, é um dos principais programas de recompensa do mercado. Basicamente, o Méliuz é um programa de fidelidade que, em vez usar o sistema de pontos, devolve aos usuários o benefício em dinheiro. Hoje são mais de 2,4 milhões de usuários cadastrados na plataforma que dá descontos para o cliente se depreciar o produto junto ao vendedor. Utilizada pelo setor de marketing das empresas como forma de aquisição e divulgação dos seus produtos, a Méliuz já devolveu para seus usuários cerca de R$ 40 milhões e já gerou R$ 1,4 bilhões para seus parceiros segundo a própria empresa. Com 170 funcionários, a Méliuz tem escritório em São Paulo, Manaus e ocupa cinco andares em um escritório em Belo Horizonte. 

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Méliuz sabe que tem um nome difícil/ © AndroidPIT

SmarttBot

Apesar de ter sido criada em 2011 e ter tido seu lançamento em 2013, a SmarttBot começou a operar mesmo foi em 2014. Seus sócios Felipe Machado, Leonardo Conegundes e Paulo Gomide ficaram três anos prototipando seus robôs investidores dentro da UFMG, onde alguns faziam mestrado. A pesquisa era justamente em algoritmos para automatizar o investimento no mercado acionário. Nesse tempo, além do UFMG, a empresa contou com ajuda do Seed, foi acelerada pelo programa do Bradesco, Inovabra, e ficou incubada no Google Campus, em São Paulo.

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SmarttBot no seu novo escritório/ © AndroidPIT

Com 43 funcionários, mas várias vagas abertas, a Smarttbot ocupa um andar em um prédio de Belo Horizonte, tem 25 mil usuários cadastrados e 1.300 assinaturas. Em setembro, seus robôs foram responsáveis por movimentar R$ 25 bilhões em transações e hoje já respondem por 5% do que é feito na BM&Bovespa. Ainda que seus grandes clientes hoje sejam as corretoras, a SmarttBot quer democratizar o acesso aos investimentos por meio da tecnologia com seus robôs investidores e permitir que pessoas físicas tomem as decisões quando o assunto é investir seu próprio dinheiro.

Sympla

Uma das mais conhecidas empresas do San Pedro Valley, a Sympla é uma plataforma para venda de ingressos e inscrições e gestão de eventos para qualquer tipo de evento. Criada por Marcelo Cartacho, Rodrigo Cartacho e David Tomasella, a Sympla recentemente bateu o recorde de 11 mil eventos simultâneos. O modelo de negócios da Sympla se baseia em uma taxa cobrada a cada ingresso vendido. Nos eventos gratuitos, não há taxa. Nos eventos pagos, uma porcentagem do valor do ingresso fica com a plataforma. Além disso, há uma opção de soluções customizadas para eventos de médio e grande porte.Com escritórios próprios em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, a empresa ocupa oito andares de um prédio comercial em Belo Horizonte, onde nasceu, e tem 180 funcionários e outras 50 vagas abertas.

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Recepção da Sympla/ © AndroidPIT

Cinco motivos do sucesso do San Pedro Valley

A visita pelas cinco empresas do San Pedro Valley foi rápida, mas já deu para pegar no ar alguns dos motivos do sucesso das startups e do ecossistema como um todo. Veja meus palpites.

1) Serviço também pode ser inovador: grande parte das empresas do San Pedro Valley criaram tecnologias para prestar um serviço de melhor qualidade para seus clientes, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas;

2) Política do ganha-ganha-ganha: várias das empresas se baseiam nessa premissa do ganha a empresa, o parceiro e o cliente. Méliuz e Hotmart citaram essa ideia na conversa que tivemos;

3) Comunidade ao invés de concorrência: o San Pedro Valley pode não ser um lugar único, mas existe sim o sentimento de comunidade. Todas as empresas citaram a troca que acontece entre as empresas, dos CEOs, até os encarregados de áreas estratégicas. Eles tem grupos de WhatsApp e até fazem encontros regularmente;

4) Consumer Service como área chave: outra coisa que me chamou a atenção foram as áreas de Consumer Service dentro dessas empresas, sempre bastante representativas. O acompanhamento ao cliente é importante quando se presta um serviço pela internet. As empresas do San Pedro Valley já sabe disso;

5) Clima de inovação: todas as empresas tem aquela cara de Google: escritórios descolados, com sacadas e espaços verdes, as tais áreas de descompressão, com TVs, videogames e mesas de jogos, cozinhas próprias e vários outros mimos como canecas personalizadas, fotos dos aniversariantes ou ainda melancia cortada e pão de queijo quentinho.

*A jornalista viajou para BH à convite da organização da FINIT.

Os comentários favoritos dos leitores

  • AC&MM 06/11/2017

    Mas, diga lá: pão de queijo é ótimo ou não é?!

  •   94
    Conta desativada 05/11/2017

    O projeto é muito bacana Jairo, muito difundido aqui na minha querida BH.

    A Emily experimentou o famoso pão de queijo e o restante da gastronomia mineira! rs....

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