Os smartphones estão mais difíceis de consertar do que nunca, baterias removíveis são uma coisa do passado e atualizações de software são poucas e distantes entre si. Quando é suficiente? Como consumidores, devemos exigir o direito de conserto e o direito de possuir um produto não descartável.
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O mercado de smartphones está em queda. São muitas as teorias sobre o porquê da falta de inovação, design homogêneo e aumento de preços. No entanto, uma coisa é clara: os fabricantes dependem da atualização dos consumidores regularmente.
E é por isso que o direito de reparo não é exatamente do seu interesse. Tim Cook, por exemplo, admitiu abertamente que as pessoas que mantêm seus dispositivos por mais tempo afetaram os lucros da Apple em uma carta aos investidores.
O direito de reparo
Não é surpresa, então, saber que a empresa de Cupertino tem feito lobby contra a aprovação da Lei do direito de reparo e processou oficinas independentes. Para aqueles que não estão por dentro, o principal objetivo do movimento Direito de Reparo é exigir que as fabricantes de eletrônicos publiquem manuais de reparo e vendam as peças, software de diagnóstico ou ferramentas especializadas necessárias para consertar seus produtos em oficinas ou até mesmo para os consumidores – algo que as fabricantes de automóveis nos EUA já devem fazer.
Então, por que isso é uma afronta às empresas de smartphones? A Apple alega que quer proteger sua propriedade intelectual. No entanto, na minha opinião, a motivação é bem diferente. A opção de reparo em uma loja de terceiros está cortando uma fonte de receita.
Reparos fora da garantia não são baratos. Ao mesmo tempo, não é difícil ver o potencial conflito de interesses – se os consumidores só podem recorrer aos centros de serviços da fabricante quando precisam de seu telefone consertado, a obsolescência programada pode se tornar uma estratégia de negócios atraente.
E se você acha que isso não afeta você como usuário Android, pense novamente. Muitos dos grandes nomes do Android não são diferentes. Eles produzem dispositivos de difícil reparo, que são quase impossíveis de desmontar (peças são coladas juntas) e não fornecem manuais de reparo.
Baterias removíveis silenciosamente desapareceram, supostamente em nome da impermeabilização (dispositivos como o Samsung Galaxy S5 de alguma forma conseguiram ter os dois, não?). Você não pode comprar peças de reposição oficiais de terceiros ou até mesmo de varejistas de primeira linha.
Claro, há o argumento de que o consumidor médio não tem nenhuma experiência para consertar uma peça complicada de tecnologia por sozinho, mas no momento não estamos nem autorizados a tentar. Na minha opinião, devemos nos opor a isso – os preços dos smartphones estão em constante crescimento.
Flagships agora custam milhares de reais e até mesmo dispositivos intermediários às vezes atingem preços que, dois anos atrás, teriam sido aceitáveis apenas para um telefone high-end. Ser forçado a "atualizar" a cada dois anos para uma versão ligeiramente melhorada do dispositivo que você já tem, no entanto, não é apenas ruim para sua carteira. Também é terrível para o meio ambiente, já que a maioria dos smartphones não pode ser totalmente reciclada.
O direito a um melhor software, livre de bloatware
Embora raramente mencionado, o software também desempenha um papel importante nisso. Após o declínio da duração da bateria, a falta de atualizações do sistema operacional é uma das principais razões pelas quais as pessoas trocam de aparelho.
Nesta área, as fabricantes do Android são realmente piores do que a Apple. De acordo com o blog de desenvolvedores do Android, 21% dos usuários ainda estão presos no Marshmallow, outros 28% no Nougat e apenas cerca de 18% têm Oreo, apesar de o Android 9 Pie estar por aí desde o ano passado e de o Android Q já estar em desenvolvimento avançado.
Mas e o root do seu dispositivo e/ou a instalação de uma ROM personalizada? Isso é sempre uma opção, certo? Não se você quiser manter sua garantia. A HTC, por exemplo, ficou famosa por permitir o root sem a perda de garantia no passado, mas depois voltou atrás.
A página legal da Samsung nos Estados Unidos, por exemplo, declara que a garantia limitada padrão não cobre "defeitos ou danos resultantes de teste, operação, manutenção, instalação, serviço ou ajuste inadequado não fornecidos ou aprovados pela Samsung, incluindo, mas não se limitando a instalação de software não autorizado e acesso não autorizado, ambos os quais anularão esta garantia limitada".
A linguagem não deixa claro se a garantia será anulada somente se houver danos como resultado do root, ou mesmo se você apenas executar a ação sem resultados negativos. Vários outras fabricantes Android usam linguagem vaga similar ou afirmam diretamente que o root anulará sua garantia, apesar de isso ser proibido pelas leis dos Estados Unidos.
Claro, isso não impede as fabricantes de instalar software indesejado no seu dispositivo. A Samsung esteve recentemente no noticiário quando um usuário descobriu que não conseguia desinstalar o Facebook completamente de seu dispositivo.
É uma prática que vem acontecendo há anos. Fabricantes de smartphones têm feito acordos lucrativos com empresas de software para encher seu telefone com software inútil. Isso levanta a questão: você realmente possui o seu celular? Se os aplicativos são forçados garganta abaixo e tentar removê-los através de root anula sua garantia, o que você pode fazer?
Bem, eu acho que, como consumidores, temos sido complacentes demais. Precisamos exigir mudanças diretamente das fabricantes ou fazer uma declaração usando nossas carteiras – não comprando produtos descartáveis.
Também é preciso haver legislação que impeça essas práticas. É claro que também precisam ter sérias conseqüências para as fabricantes que infringem a lei – caso contrário, uma pequena multa aqui e ali não mudará o status quo. O setor de smartphones não pode se auto-regular e, se continuar em seu caminho atual, seu futuro não parece brilhante.
O que você acha que deveria ser feito? Você apoia o direito de reparo?
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