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Zuckerberg no Senado e na Câmara: os pontos mais importantes das audiências

Na tarde de 11 de abril, Mark Zuckerberg depôs para a Câmara dos Deputados norte-americana. Na terça-feira (10), ele já havia enfrentado o Senado. Cada audiência durou cerca de cinco horas, e o CEO do Facebook teve que responder perguntas relacionadas ao vazamento de dados de 87 milhões de pessoas pela consultoria política Cambridge Analytica.

Na terça-feira, 44 senadores participaram da sessão, que uniu dois comitês: o de Justiça e o de Comércio, Ciência e Transportes. No dia 11, Zuckerberg respondeu para a Câmara dos Deputados, onde ficou diante do comitê de Energia e Comércio. Alguns pontos das audiências se destacaram, assim como as respostas do CEO a esses questionamentos.

Segundo Ato: a Câmara dos Deputados

Mark também foi atingido

Pela primeira vez, o CEO do Facebook anunciou que seus próprios dados também foram vendidos à Cambridge Analytica. Além disso, ele afirmou que a rede social está estudando processar a consultoria política, assim como Alexander Kogan, o criador do teste usado para coletar informações.

Regulamentação

Assim como no dia anterior, a regulamentação de empresas de internet também foi um assunto bastante levantado na Câmara. Zuckerberg manteve seu posicionamento, não se colocando contra esse tipo de medida.

“Minha posição não é a de que não deve haver regulação, mas de que forma ela vai ser aplicada”, argumentou o CEO. Na terça-feira, ele havia dito ao Senado que o Facebook poderia contribuir com ideias para que essa regulamentação fosse pensada da melhor forma possível.

Monopólio ou competitividade?

Depois de não saber responder quem é o maior rival do Facebook, quando perguntado pelo Senado, Zuckerberg parece ter chegado mais preparado para os questionamentos da Câmara.

Quando o assunto a respeito do monopólio veio à tona, o CEO afirmou que o Facebook não é um risco à competitividade do setor. Ele utilizou o argumento de que o americano médio usa cerca de oito aplicativos diferentes para se comunicar. Vale a pena pensar, porém, que WhatsApp, Messenger e Instagram, também do Facebook, devem ter entrado nessa conta.

Medidas antiterrorismo

Quando questionado sobre o assunto, Zuckerberg revelou que o Facebook tem 200 pessoas trabalhando em medidas antiterrorismo. Não assumindo tanta responsabilidade, ele afirmou, ainda, que não dá para garantir que, entre os desenvolvedores da empresa, não haja “maus elementos”.

Primeiro Ato: o Senado

Regulamentação de empresas de internet

Durante a audiência, Mark Zuckerberg foi questionado diversas vezes a respeito da regulamentação de empresas de internet. Diferente do posicionamento anterior da rede social – de se negar a assumir responsabilidade sobre o que é postado no Facebook –, o CEO se mostrou a favor de uma “regulamentação correta”.

Ele disse, ainda, que o Facebook poderia contribuir com ideias a respeito dessa possível regulamentação. Respondeu que fazia sentido quando foi perguntado se apoiaria uma regra que exigisse das empresas de internet uma notificação aos usuários, em até 72 horas, sobre possíveis vazamentos de dados.

Novo modelo de negócios?

Uma questão bastante abordada durante a sessão foi o fato de que o modelo de negócio da rede social é todo baseado na utilização de dados. Zuckerberg enfatizou que as pessoas podem escolher não compartilhar seus dados. Quando questionado pelo senador Bill Nelson se o Facebook pensava em passar a cobrar dos usuários para que estes não vejam propaganda, Zuckerberg foi categórico. Disse que a obtenção de lucro a partir de anúncios é a única forma encontrada pelo Facebook de conseguir conectar bilhões de pessoas.

E se fosse com você?

Um dos momentos que mais deixaram o CEO desconcertado foi a pergunta do senador Dirk Durbin. O democrata questionou "Senhor Zuckerberg, se sentiria à vontade para nos dizer o nome do hotel onde ficou na noite passada?". Após ouvir um "não" hesitante, o político seguiu: "Se o senhor trocou mensagens com alguém nos últimos dias, nos diria seus nomes?".

Depois de ouvir a segunda resposta negativa, o senador argumentou que era exatamente sobre isso que se tratava a audiência: "do direito à privacidade, seus limites, e a quanto se renuncia na América moderna em nome de conectar as pessoas pelo mundo".

Mark zuckerberg camera webcam
Vale lembrar que aprendemos com Mark a nos proteger/ © Reprodução - Instagram

WhatsApp entra na jogada?

Em um certo momento da sessão, Mark Zuckerberg foi questionado se o Facebook informava aos anunciantes sobre conteúdos presentes em mensagens do WhatsApp. Quanto a isso, o CEO da rede social foi bem firme, respondendo que não e justificando sua respostar a partir da criptografia presente no aplicativo de mensagens.

Eleições

Outra preocupação presente na assembleia foi a tentativa de uso do Facebook por agentes externos, a fim de mudar o rumo das eleições norte-americanas em 2016. Mark admitiu que houve lentidão por parte da rede social para coibir essas iniciativas, e que estão se preparando para agir de forma mais efetiva em eleições futuras, como as brasileiras e as mexicanas.

No caso das votações norte-americanas de 2016, Zuckerberg pareceu querer jogar a culpa para frente. "A natureza desses ataques é que tem gente na Rússia cujo trabalho é tentar explorar nossos sistemas e outros sistemas da Internet, então isso é uma corrida armamentista, devemos investir em melhorar nisso", respondeu.

Monopólio

O CEO do Facebook ficou sem palavras quando o senador Lindsey Graham pediu que ele nomeasse seu maior concorrente. Pressionado sobre o tamanho da empresa, e se ela era poderosa demais, Zuckerberg disse que não enxergava as coisas dessa forma.

O senador Dan Sullivan também abordou a questão, perguntando: "O senhor não acha que o fato de crescer tanto pode impedir o crescimento de outras empresas como o Facebook?". A resposta foi, mais uma vez, negativa, enfatizando que o papel da rede social não é o de produzir conteúdo.

Mais algumas desculpas?

O senador John Thune fez uma pergunta a Zuckerberg que parece ter resumido um sentimento geral da assembleia: a falta de ações. "Depois de dez anos dizendo que poderiam ter feito melhor, o que há de diferente na desculpa de hoje?", perguntou o republicano. O CEO do Facebook disse que a empresa vem aprendendo com os erros.

Outro argumento muito utilizado por Mark Zuckerberg durante a audiência foi a questão da inteligência artificial. Esse recurso foi utilizado como resposta para diversos questionamentos, como a respeito da maneira com que o Facebook iria melhorar suas formas de moderação de conteúdos problemáticos, como discurso de ódio.

E sua relação com o Facebook, como está?

Fonte: The Verge, G1, El Pais

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