Será que o Google quer manter a fragmentação do Android sob controle?

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Hans-Georg Kluge

O Google não quer manter a fragmentação do Android sob controle. Com o Android 7.1 Nougat, temos um segundo número de versão e novos recursos. E graças a algumas funções exclusivas do novos Google Pixel e Pixel XL, essa nova versão do Android faz com que a fragmentação da plataforma seja ainda pior.

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Desde a estréia do Android 7.0 Nougat, uma coisa era certa: o Google quer um novo ciclo de lançamentos. As versões regulares de manutenção estão destinadas a complementar as atualizações mensais de segurança. Especulava-se que a primeira versão de manutenção seria o Android 7.1 e iria chegar com o anúncio dos smartphones Pixel, o que já ocorreu.

Por sua vez, a LG anunciou o LG V20 como sendo o primeiro smartphone a sair de fábrica rodando com o Android 7.0. No entanto, alguns dias após o lançamento do V20, o Google anunciou os seus celulares como Android 7.1. Até que ponto essa suposta exclusividade vale a pena? Não muito. Se pegarmos o exemplo da própria gigante das buscas, todos os smartphones Nexus possuem o Nougat, mas nenhum deles roda a versão mais recente do software do Google.

Os usuários do Nexus já não são os mais privilegiados

Os usuários dos Nexus estão satisfeitos com a nova versão do Android? Provavelmente não. O Google já até confirmou que a versão Android 7.1 para os Nexus ainda está em teste no programa beta para desenvolvedores. De acordo com pessoal do Android Police, o Google afirmou que até o final de 2016 pelo menos os Nexus 6P e Nexus 5X deverão receber o update oficial.

Os Pixel acabaram com o privilégio dos Nexus / © ANDROIDPIT

Agora, o Google quer se livrar da marca Nexus. Mas a decisão de oferecer o Android Nougat 7.1 de forma exclusiva inicialmente para os Pixel acabou causando danos à confiança depositado por muitos usuários da linha Nexus no Google. É um fato que os smartphones Nexus recebem as atualizações de forma rápida. Os smartphones Pixel devem fazer a vida de fabricantes como a Samsung e a Apple mais difícil, mas também deveriam fazer justiça ao legado dos Nexus.

Sendo assim, os compradores de um dos novos Pixel não podem ficar seguros de que no ano que vem irão receber o update do SO em tempo hábil.

Se olharmos para a atualização para Android Nougat hoje, faz com que fiquemos realmente céticos sobre o futuro, porque esta atualização foi adiada de um forma quase grotesca. Que o Google não forneça atualizações dentro de algumas horas após o anúncio da versão final ainda é compreensível. Contudo, os proprietários de um Nexus 6 tiveram que esperar por mais de um mês até que a atualização OTA (Over-The-Air) chegasse ao dispositivo, e isso é lamentável. E será, provavelmente, a última grande versão que o Nexus 6 receberá.

O Google tornou a fragmentação pior

É surpreendente ver que o Google, aparentemente, não quer enfrentar o problema da lentidão das atualizações do Android. Em vez disso, os desenvolvedores e engenheiros da gigante das buscas complicaram as coisas ainda mais.

Não é nenhum segredo que as atualizações do Android demoram mais tempo para serem distribuídas do que no caso do iOS, da Apple. Os muitos parceiros e fabricantes de hardware precisam de tempo para desenvolver e testar o kit de upgrade do sistema. Até certo ponto isso é compreensível.

Entretanto, com o anúncio do Android 7.1, temos uma outra característica negativa, pois enquanto as fabricantes trabalham para entregar o Android 7.0, temos mais uma versão para fragmentar ainda mais o sistema. E o que elas podem fazer? Esperar o código-fonte do Android 7.1 e, assim, atrasar a atualização? Ou entregar o Android 7.1 agora e rezar para que os usuários não exijam o Android 7.1? (Este último, aliás, é a versão atual do Android desde a data de lançamento dos Pixel). Parece que o Google não está ocupado com estas questões.

A fragmentação da plataforma Android parece não ser mais a pauta do Google

Você até pode achar que não seja tão importante ter a última versão do seu smartphone, mas para os entusiastas de tecnologia, as atualizações do Android são um fator importante na escolha entre comprar um Nexus ou um Pixel. E, claro, a manutenção de software custa dinheiro, que acaba sendo refletido nos preços dos dispositivos, que muitas vezes por serem mais acessíveis podem não ter alta prioridade por parte das fabricantes.

Se o Google quer que os seus smartphones Pixel sejam verdadeiros competidores da iPhone, também deverá garantir uma longa vida útil aos dispositivos, uma vez que nem todos os usuários estão dispostos a gastar 800 dólares a cada dois anos para comprar um novo aparelho.

A esperança é o Andromeda

Antes do evento de lançamento dos Pixel, especulava-se que  que o Andromeda seria a combinação entre Chrome OS e Android. Será que o Andromeda realmente existe? Neste momento, ninguém pode afirmar nada. Sem dúvida uma das maiores esperanças dos usuários é ver o Google mantendo o sistema operacional e as atualizações sob controle com o Andromeda, fazendo com que todos os proprietários de um smartphone pudessem receber as atualizações do SO o mais rápido possível. Este é o meu desejo.

Você ainda acredita que o Google possa corrigir o problema da fragmentação do sistema operacional Android?

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