AOSP
Esta sigla significa Android Open Source Project, ou seja, um projeto de código aberto do Android. Isso quer dizer que os desenvolvedores podem oferecer ROMs customizadas baseadas no Android, ao passo que as fabricantes devem realizar uma superposição ao sistema com suas interfaces e serviços exclusivos.
Aqui encontramos o primeiro probleminha. As atualizações Android são desenvolvidas pela Google para o sistema puro, e depois são repassadas às fabricantes para que possam ser adaptadas aos seus dispositivos. Por isso, ao contrário dos aparelhos da Apple, que recebem as atualizações ao mesmo tempo, no Android nos deparamos com um processo mais escalonado. Esse é o primeiro e mais básico motivo do atraso entre o anúncio de uma nova versão do sistema operacional e a sua efetiva chegada a um dispositivo.
Nesse sentido, os únicos smartphones que têm uma vantagem são os da série Google Pixel e Nexus, uma vez que recebem a atualização diretamente do Google.
Por que as atualizações não chegam ao mesmo tempo?
Como acabamos de explicar, no momento em que o Google libera o código-fonte, as fabricantes precisam adaptá-lo aos seus diferentes dispositivos. Logo, o Oreo não será o mesmo num Galaxy S8 e no Moto G5 Plus.
A isso devemos acrescentar que cada fabricante decide qual dispositivo vai ser atualizado, algo que pode ser influenciado por fatores de mercado e por uma estratégia chamada obsolescência programada. Antes de atualizar um smartphone antigo, algumas fabricantes preferem lançar um dispositivo novo com o Android Oreo de fábrica.
Além disso, obviamente existem muitos aparelhos mais velhos que não podem ser atualizados por questões de incompatibilidade, como é o caso do Moto G 2013, que pode ser levado ao Oreo através de ROMs:
Por que outros países recebem as atualizações antes do Brasil?
Cada país tem suas particularidades. Refiro-me a diferentes operadoras, aplicativos pré-instalados, assim como diferentes componentes instalados nos diversos dispositivos. Dessa forma, é necessário realizar testes para evitar que a atualização chegue repleta de bugs. A ordem dessa leva de testes e os primeiros países a recebê-los dependem da estratégia de distribuição de cada fabricante.
Por que meu amigo recebe as atualizações antes de mim?
Mesmo dentro de um mesmo país pode haver diferença na distribuição de updates. Digo mais, na mesma cidade ou no mesmo edifício. Por exemplo: no elevador vejo que o vizinho tira do bolso um Moto Z2 Play igual ao meu, mas com o detalhe de que o dele já está atualizado para o Oreo, e o meu ainda não. Não se preocupe!
É provável que o dispositivo do seu vizinho tenha recebido um soak test, se trata de uma versão para pequenos grupos realizados pelas fabricantes. Apesar de o sistema já ter sido testado internamente de maneira exaustiva, sempre podem surgir novos bugs numa distribuição mais ampla.
Por esse motivo as fabricantes enviam a atualização OTA (Over The Air) para alguns usuários. Isso nem sempre é anunciado oficialmente pelas empresas. Passado um tempo, ela chega a todos. Dessa forma, não se desespere: o seu vizinho pode ter recebido o update primeiro, mas o seu certamente virá com menos erros.
As operadoras
Se o seu smartphone Android for ligado a uma operadora, sua atualização também pode demorar mais para chegar. Isso se deve ao fato de que não apenas a fabricante, mas também a operadora oferece serviços próprios (e muito bloatware) que devem passar por modificações para que o update possa ser implementado.
Não quero aqui dizer que adquirir um smartphone ligado a operadora seja uma desvantagem por si só. Em muitos casos os celulares com operadoras oferecem aplicativos extras muito interessantes ou assinaturas de serviços bem úteis.
O problema entre OTA e root
De maneira geral, para receber uma atualização OTA o smartphone não pode ter sido modificado. Ter acesso ao root liberado e ter instalado o SuperSU não impede o recebimento de uma atualização via OTA, e sim o fato de ter instalado uma Custom Recovery tipo TWRP ou CWM. Se este for o seu caso, o mais provável é que não receberá a notificação OTA.
Isso ocorre porque um recovery avançado ou personalizado modifica o modo recovery do sistema como um todo. Como solução, sempre se pode flashear um firmware stock, ou seja, da própria fabricante e não modificado.
Conclusão: seja paciente!
A fragmentação do Android é um problema bastante sério, que está longe de ter fim. Enquanto o Google não resolver isso, as fabricantes continuarão vendendo smartphones atualizados e não atualizados e se esquecendo de modelos recém-lançados ou antigos.
Software atualizado hoje em dia é sinônimo de smartphone high-end. Se você possui um, provavelmente estará despreocupado quanto a isso. As ROMs customizadas podem ser um alívio, mas a melhor dica é: seja paciente!
Seu smartphone está rodando com qual versão do Android?
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