Devemos achar que a privatização dos Correios é algo bom ou ruim?

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Stella Dauer

Por muito tempo se falou e se pediu a privatização dos Correios, sempre com um não por parte do Governo. Agora que essa é uma possibilidade real, é preciso pensar de verdade em quais as consequências disso.

O mais importante é considerar todos os aspectos, não deixando nada de lado. Se você já tem uma opinião sobre o assunto, considere conversar com pessoas que não concordam com você, de maneira educada. Eu tenho pontos a favor e contra.

Em uma primeira análise, é fácil pensar que a privatização será uma coisa ótima. Depois de tantas encomendas perdidas, roubadas ou esquecidas por meses nos depósitos dos Correios, uma boa dose de empresa séria seria mais do que bem vinda. Pessoas que podem perder seus cargos, serem demitidas e que serão cobradas por desempenho vão deixar tudo mais eficiente.

Correios detém o monopólio de cartas. Só o de cartas / © AndoridPIT

Além disso, podemos esperar modernização de processos, logística, maquinário e até treinamento especializado de pessoal. Quem já recebeu entregas de empresas concorrentes como DHL, Fedex, USPS e outras transportadores percebe que há um pouco mais de profissionalismo e capricho em tudo o que é feito.

Quem encomenda itens com entrega de algumas dessas empresas torce para, um dia, receber todas as entregas com a mesma rapidez, com o mesmo cuidado e até pagando um pouco mais por isso, por que não?

Porém, como tudo na vida, essa é uma faca de dois gumes. Uma das coisas que mais ouvimos falar em relação a esse assunto é "queria só ver se os Correios tivessem concorrência de verdade. Só não têm porque eles detém o monopólio das entregas". Esse é um erro de informação.

A ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) tem o monopólio de cartas no Brasil desde 1978, mas apenas das cartas. Dessa forma, a União é responsável pelo recebimento, transporte, entrega e expedição de cartas. Encomendas diferentes de cartas têm aval de entrega livre no Brasil, basta apenas não conflitar com as cartas como um todo.

Tem Correios na sua cidade? / © Wikimedia Commons

Por isso, DHL, Fedex, Transfolha e outras podem, sim, atuar por todo o Brasil. Porém, elas não fazem isso, e muitas se limitam a entregas em grandes capitais. Mas qual o problema? O empecilho é que o Brasil é gigantesco, é majoritariamente rodoviário e possui estrutura precária para esse transporte.

Empresas grandes, particulares, sabem como é complicado o transporte de carga nesse país. Muitas que fazem isso gastam um bom dinheiro com seguros, escoltas e manutenção de caminhões e vans devido aos buracos em rodovias. Não podemos esquecer, também, que alguns CEPs são pouco seguros ou difíceis de acessar – precisam de barcos, por exemplo.

Qual empresa em sã consciência gostaria de tomar o lugar dos Correios? Por Lei, os Correios são obrigados a atender todos os CEPs do país. E não apenas direto na porta, mas também com agências minimamente próximas. Qual empresa gostaria de ter uma agência em, por exemplo, Manacapuru, cidade do Amazonas com menos de 100 mil habitantes?

Mas a decisão da privatização, embora me interesse também, não é tão simples e tão fácil de ser tomada.

Então, quando falamos de entregas, das nossas encomendas de importação que ficam meses perdidas no fluxo postal, realmente seria bom contar com um serviço decente. A máquina dos Correios está inchada, precisa de renovação e de processos mais enxutos, gastando menos e servindo mais, tirando quem só suga recursos.

Mas a decisão da privatização, embora me interesse também, não é tão simples e tão fácil de ser tomada. Pessoas que se comunicam por cartas ainda seriam atendidas por uma empresa que precisa de lucro? Pessoas que se comunicam por cartas teriam dinheiro para pagar mais pelo serviço de uma empresa que precisa de lucro?

Eu trouxe aqui apenas alguns pontos contra e favor, para que a discussão não fique pobre. Qual é a sua opinião sobre esse problema?

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