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Foi assim que eu ressuscitei meu Moto Maxx e agora ele roda Android Pie
Motorola Moto Maxx Hardware Motorola 7 min para ler 27 Comentários

Foi assim que eu ressuscitei meu Moto Maxx e agora ele roda Android Pie

Um smartphone com “cheirinho de novo” é uma tentação, mas será que você precisa mesmo de um? Veja como, com um pouquinho de trabalho, reabilitei um smartphone antigo para uso no dia-a-dia, com excelentes resultados.

Depois de dois anos de uso cuidadoso, finalmente aconteceu: derrubei meu Quantum SKY no chão e ele caiu “de cara” exatamente sobre uma pedra. E lá se foi a tela, estilhaçada. Ela ainda mostra uma imagem e o touch ainda funciona, mas quem acompanha meus artigos sabe que não recomendo continuar usando um smartphone nestas condições e fazer a troca da tela o quanto antes.

Corri para importar uma tela nova, mas enquanto ela não chega eu precisava de um smartphone de reserva para usar no dia-a-dia. Algo que pelo menos quebrasse o galho por um ou dois meses. E fuçando entre os eletrônicos da casa, encontrei um velho Moto Maxx, ainda “funcionando”.

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Um tombo certeiro e lá se foi a tela :( / © AndroidPIT

Funcionando entre aspas, porque havia alguns probleminhas: a bateria já não segurava carga, mal aguentando uma hora com a tela ligada. E o sistema operacional, além de antigo (Android 6.0) estava inchado com toneladas de apps e desempenho muito baixo.

Felizmente estes problemas podem ser resolvidos em casa com um pouco de tempo e paciência para seguir tutoriais. É exatamente o tipo de projeto que gosto de fazer de tempos em tempos pra espairecer e esquecer as preocupações do dia-a-dia.

Trocando a bateria

Eu poderia ter levado o aparelho a uma assistência técnica, mas sou o tipo de pessoa que gosta de sujar as mãos. E pesquisando no Mercado Livre, achei baterias para o Moto Maxx por cerca de R$ 60. O Maxx não tem uma bateria removível: você precisa abrir o aparelho para chegar até ela.

Por sorte há excelentes tutoriais sobre isso, como este do iFixIt. Note que o Moto Maxx foi lançado nos EUA com uma configuração um pouco diferente e o nome de DROID MAXX (isso é comum em aparelhos da Motorola), portanto buscar pelo nome norte-americano ajuda a encontrar mais informações.

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O paciente pronto para a cirurgia / © AndroidPIT

A parte mais difícil aqui foi descolar a bateria do chassis. Ao contrário de aparelhos modernos, que usam Pull Tabs (fitas adesivas que se descolam quando puxadas) para prender a bateria no lugar, o Maxx usa um adesivo bem forte.

Aplicar um pouco de calor à região da bateria pode ajudar a amolecer o adesivo e facilitar a remoção, mas na falta de um soprador térmico ou outra fonte de calor com temperatura controlada, apelei para um velho amigo: um cartão de crédito velho.

A idéia é inserir o cartão embaixo da bateria, e ir aos poucos movendo ele para separar o adesivo. E porque não uma faca ou lâmina metálica? Porque não queremos perfurar a bateria, o que poderia causar um incêndio. Usei o mesmo método para separar a bobina Qi (para recarga sem fios) que fica colada em cima da bateria. Muito cuidado para não dobrá-la e causar danos.

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A bobina usada para o carregamento sem fio. Tome MUITO cuidado para não dobrá-la / © AndroidPIT

Depois de separar bateria e bobina, foi só prender a bateria nova no lugar com um pedaço de fita dupla-face, colar a bobina sobre ela, reconectar os cabos e remontar o aparelho. Fiz dois ciclos de carga completos (carregar a bateria até 100%, descarregar completamente) e pronto! Problema resolvido.

Um novo sistema operacional

Eu poderia simplesmente ter feito uma restauração de fábrica para limpar o sistema do Moto Maxx e usá-lo como estava. Mas qual a graça nisso? Além do mais, era o Android 6.0 e eu queria experimentar alguma coisa mais nova. Hmmm… que tal o Android 9.0 Pie?

Não existe nenhuma mágica ou milagre aqui: embora o Android 6.0 seja a última versão do sistema lançada pela Motorola, existe uma comunidade ativa de desenvolvedores que mantém Custom ROMs com novas versões do Android para o Moto Maxx.

A Custom ROM que escolhi foi uma versão não-oficial do Lineage OS 16, talvez a mais popular entre os usuários. Não oficial porque o Moto Maxx não é suportado pelo Lineage OS, mas novamente um desenvolvedor dedicado adaptou o sistema para o aparelho. 

O primeiro passo foi desbloquear o smartphone. Para isso segui o passo-a-passo deste site, usando a chave de desbloqueio gerada por um site da própria Motorola (valeu Moto!). Eu sei que as instruções parecem complicadas e a linha de comando pode assustar um pouco, mas acredite: foi tudo bem fácil e não demorei mais do que 30 minutos.

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O TWRP é o utilitário que permitirá instalar uma ROM customizada em seu aparelho. / © AndroidPIT

Com o bootloader desbloqueado, segui este outro guia para instalar o TWRP, um utilitário de recuperação (recovery) que será usado para instalar o Lineage OS no aparelho. Você pode pular a parte que diz “Gaining Root Access” e tudo o que vier depois. Por fim, baixei o Lineage OS 16 desta thread no XDA-Developers, e instalei o sistema usando o TWRP seguindo estas instruções

E deu certo?

Confesso que fiquei bastante satisfeito com o resultado. O Moto Maxx não é mais um “monstro” em desempenho, mas para o uso do dia-a-dia (navegação web, redes sociais, fotografia, YouTube) é mais do que suficiente.

A bateria nova está aguentando até o fim do dia, e quando chega a hora de recarregar simplesmente deixo o smartphone sobre uma base Qi no criado mudo. Nunca tive no dia-a-dia um smartphone com recarga sem fios, e confesso que a praticidade da tecnologia me conquistou. Não é tão rápido quanto a recarga via cabo USB, mas é muito mais cômodo.

O Lineage OS é um sistema que preza a estabilidade, então não encontrei nenhum problema de uso como travamentos, reboots inesperados ou apps fechando sozinhos. E ele tem recursos bem legais que não existem no Android puro, como um app que permite gravar vídeos da tela (ótimo para fazer tutoriais), bloqueador de anúncios integrado e equalizador de som. O equalizador é bastante útil, pois ajuda a amenizar o alto-falante abafado do Maxx.

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Vai um Android Pie aí? O papel de parede é o do Pixel 3a / © AndroidPIT

Outro app útil incluso no sistema é o BHT27 Kernel Auditor, que permite modificar vários parâmetros do sistema operacional. Por exemplo, na seção Controles de acordar você pode ativar o DoubleTap2Wake, que permite acordar o smartphone dando dois toques na tela. E em Tela você pode fazer a calibração de cores do painel OLED, ou escolher entre vários perfis disponíveis.

Embora já tenha 4 anos de uso, a experiência de uso do meu Moto Maxx é a de um smartphone novo com o Android Pie. Não em termos de desempenho, mas em termos de recursos e comportamento. O único porém é que ao longo dos anos a tela OLED dele sofreu “burn-in” em alguns pontos. Mas isso é algo que pode ser ignorado, especialmente durante a reprodução de vídeo.

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As "sombras" atrás dos ícones e na barra no topo da tela são sintomas de "Burn-In" / © AndroidPIT

No final das contas, não estou mais tão ansioso pela chegada da tela do meu Quantum Sky. E talvez, depois que ela chegar, eu continue usando o Moto Maxx por mais um tempo.

E você, já salvou um smartphone antigo usando uma Custom ROM? Compartilhe sua experiência nos comentários.

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Todas as mudanças foram salvas. Não há rascunhos salvos no seu aparelho.
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