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O que podemos esperar do "retorno" da Xiaomi ao Brasil?
Xiaomi Pocophone F1 Opinião Xiaomi 6 min para ler 23 Comentários

O que podemos esperar do "retorno" da Xiaomi ao Brasil?

Disse que vem, mas não veio (ainda). Esse é o status da Xiaomi hoje em dia aqui no país, visto que a empresa anda insinuado que voltará de alguma forma ao Brasil, mas ainda não deu os primeiros passos concretos rumo ao seu retorno triunfal. Nós adoramos esses retornos repentinos, vide a volta da Huawei, mas é fato que a questão envolvendo a Mi é a mais, digamos, enrolada.

A saída da Xiaomi no Brasil, em 2015, foi carregada de pequenos acontecimentos. O primeiros deles foi o fato de a empresa não entregar os pontos à imprensa que cobria os passos da marca naquela época, negando até o último minuto (como a Sony anda fazendo, por sinal) e afirmando que suas operações no país estavam bem e passavam apenas por pequenos ajustes.

Não levou muito tempo, no entanto, para que a Mi deixasse o país com apenas dois produtos à venda, o Redmi 2 e uma bateria portátil, e muitas questões em aberto. O modelo de negócios da empresa também foi reprovado: vendas somente online, a escolha pelo Redmi 2 e a demora por novos anúncios. Quando Hugo Barra e sua equipe resolveram anunciar alguma novidade, por exemplo, eis que surgia uma segunda versão do Redmi 2 em parceria com a operadora Vivo, de longe a operadora com menos presença entre os jovens que poderiam se interessar pelos seus produtos.

Os erros e acertos da marca foram levados à China para serem aperfeiçoados, pelo menos era isso que o último comunicado oficial da fabricante, em 2016, dizia. Aparentemente, a Xiaomi fez a lição de casa e resolveu voltar para os braços do país que hoje deve ser o maior importador direto e indireto de seus produtos.

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Redmi 2 estreou a Xiaomi no Brasil, em 2015 / © AndroidPIT 

Retorno oficial?

Se a saída da Xiaomi foi meio nebulosa, o retorno não seria diferente. Apesar de sugerir nas redes sociais que os brasileiros "devem estar preparados para reviver a marca", a empresa sequer tem se posicionado oficialmente com a imprensa sobre um possível retorno.

A assessoria da DL, marca que tem sido responsável pela revenda oficial do Redmi Note 6 e do Pocophone, também nega que existam planos de uma parceria que viabilizaria esse retorno e se limita a dizer que, hoje, o trabalho entre as duas marcas gira em torno da estratégia já anunciada para estes produtos.

O porta-voz que representa a Xiaomi no Brasil comentou ao AndroidPIT internacional que "não há confirmações sobre a volta da empresa ao Brasil até o momento". Portanto, não está claro se as movimentações que a Xiaomi tem feito nas redes sociais servirão para um retorno das operações da marca em si ou se falam da continuidade da parceria com a DL para ampliar a estratégia de venda oficial por representação.

"Não há confirmações sobre a volta da empresa ao Brasil até o momento"- Assessoria da Xiaomi no Brasil

Quem acompanha o mundo da Xiaomi de perto, sabe que Pocophone e Redmi são marcas subsidiárias da empresa, que está se especializando em opções mais acessíveis e com especificações melhores que intermediários convencionais. Não está claro, porém, se esse retorno da Xiaomi abrangerá todo o portfólio de marcas da fabricante ou se o foco será nessas duas linhas, deixando de lado outros segmentos.

Retorno premeditado

No início de 2018, Lei Jun, fundador e CEO da Xiaomi, escreveu uma carta direcionada aos funcionários da empresa comemorando o feito de atingir 100 bilhões de RMB (o equivalente a 51 bilhões de reais) de receita em apenas seis anos de operação. O executivo dizia que o próximo passo da Xiaomi era ganhar o mundo, depois de se consolidar na China. A ocasião era importante para a empresa, pois marcas como Apple e Facebook levaram mais de 12 anos para acumular esse montante.

“Em 2017, estive três vezes na Índia, duas na Indonésia e uma no Vietnã, e vi oportunidades grandes e animadoras em todos os lugares em que estive”, afirmou o CEO. O executivo também havia participado, em 2017, do Qualcomm Tech Summit, onde o mesmo deu declarações sobre a passagem da operação da Xiaomi pelo Brasil, dizendo que a marca errou na escolha pelo modelo "não-flagship" e por apostar apenas na plataforma online como base para vender um produto de marca desconhecida do consumidor.

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Lei Jun, fundador e CEO da Xiaomi durante o Qualcomm Summit 2017 / © AndroidPIT

Na ocasião deste evento da Qualcomm, o AndroidPIT conversou com Renato Pasquini, analista e diretor da área de TICs dentro da consultoria Frost, que disse que "ainda era possível que vejamos a volta da Xiaomi para o Brasil em breve, pois para qualquer marca se tornar verdadeiramente global é preciso estar na América Latina e no mercado brasileiro". Para o analista, tanto a Xiaomi quanto a Huawei deveriam dar passos nesse sentido após se estabilizarem no mercado chinês.

Poucos meses após a carta de Lei Jun, a Xiaomi dava a primeira pista de suas intenções de ganhar a América Latina ao publicar uma série de Stories para promover a página Xiaomi Mystery, que é uma espécie de diário dos novos lançamentos da Mi em mais países. No mapa é possível ver o Brasil como uma das rotas da fabricante.

Preço

A atenção de quem está na expectativa da volta da Xiaomi está voltada para os preços que os novos lançamentos devem ter no país. Quem importa produtos da fabricante está buscando por custo/benefício mais atraente, e nada mais que isso. A chegada do Pocophone e do Redmi Note 6 pelas mãos da DL foi um verdadeiro banho de água fria para quem esperava por valores mais competitivos.

É importante que a Xiaomi volte mas, antes, a marca precisa compreender que os atuais usuários da fabricante no país buscam, sobretudo, por preço baixo. E é dessas pessoas que o retorno da Xiaomi depende para ser um verdadeiro sucesso. Se a Motorola redefiniu o mercado de smartphones no Brasil em 2013, por que a Mi não pode fazer o mesmo agora?

E você, acha que a Mi volta? 

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