Preço da inovação que chega antes da Samsung
Temos falado sobre o futuro smartphone dobrável da Samsung há meses, senão anos. Contudo, foi a jovem e relativamente desconhecida fabricante chinesa Royole que surpreendeu o mundo ao anunciar o primeiro dispositivo dobrável comercial do mundo.
Durante a CES, tivemos mais detalhes sobre preços e configurações, sendo o modelo vendido apenas na China no momento. Os interessados precisarão desembolsar 1.300 dólares para comprar a versão com 6 GB de memória RAM e 128 GB de espaço interno ou 1.900 dólares para a variante com 8 GB e 512 GB de armazenamento.
Pois bem, o modelo mais básico sai bela bagatela de R$ 4.780, enquanto o mais completo custa em média R$ 7.000, ambos sem taxas ou impostos.
Tablet de 7,8"
Por vezes falamos que o mundo da tecnologia móvel não tem inovado mais, sendo os smartphones a prova cabal dessa estagnação tecnológica. O FlexPai prova o contrário e, à primeira vista, notamos que se trata de um modelo único com tecnologias muito inovadoras para o momento. Veja bem, estamos falando de um smartphone que pode ser dobrado.
O FlexPai é o único no mercado que oferece tela dobrável em 180 graus, graças a sua dobradiça com revestimento em plástico que fica visível na traseira. Quando aberto, o FlexPai vira um tablet de 7,8 polegadas com resolução final de 1920 x 1440 pixels. Notei que a tela não fica totalmente plana quando aberta no máximo.
O modo smartphone tem aspecto de tela 18:9, enquanto o modo tablet traz o padrão convencional de 16:9. O mais curioso aqui é que existe uma opção no software que permite desativar um dos modos, ou seja, você pode usar o FlexPai apenas como tablet ou smartphone.
Por mais surpreendente que possa parecer, a Royole garante certa resistência a estrutura dobrável do modelo. Segundo a fabricante, o FlexPai pode ser dobrado 200 mil vezes sem apresentar nenhum dano à estrutura. Isso significa que você pode dobrá-lo 100 vezes ao dia durante cinco anos. O modelo que testei era um exemplar de pré-produção e não apresentada nenhum problema durante a abertura ou o fechamento da tela em diferentes velocidades.
De modo geral, o FlexPai não é um aparelho muito pesado, tendo 320 gramas, embora seja preciso aplicar um pouco de força – bem suavemente – para abrir ou fechar a tela nas primeiras vezes até que o usuário se acostume com a dobradiça.
É claro que o modo smartphone resulta em um aparelho mais grosso que um modelo convencional, e por isso requer uso com as duas mãos na maioria do tempo. De resto, encontramos tecnologias bem normais nele, como dual-SIM e biometria.
Ficha técnica boa, mas com limitações no software
A ficha técnica do FlexPai não decepciona. Sob o capô temos processador Snapdragon 855, opções com 6 GB ou 8 GB de memória RAM, 128 GB ou 256 GB de armazenamento. A bateria tem 3.800 mAh, enquanto o conjunto de lentes é composto por um sensor grande angular de 16 MP e outro telefoto de 20 MP.
O software, contudo, é o ponto fraco deste aparelho. Como você deve imaginar, o Android precisa rodar sob uma interface adaptada para expandir apps e informações entre o modo tablet e o modo smartphone. Para isso, a Royole criou a Water OS.
A interface roda bem (durante meus testes derrubei o FlexPai e o software precisou ser reiniciado), mas nenhum aplicativo está verdadeiramente adaptado para tirar proveito da tela dobrável. Fica aqui outra observação sobre o display, que superaquece facilmente.
O primeiro smartphone dobrável surpreende?
É inegável que o conceito por trás do FlexPai é interessante e inovador, embora sua utilidade ainda seja questionável. A ideia é interessante, mas o custo para termos acesso a essa nova tecnologia é extremamente alto.
Como qualquer inovação, esperamos que a segunda ou a terceira geração do FlexPai traga melhorias no software e resolva problemas pontuais na estrutura do aparelho, como alguns que apontei neste artigo. Se você é um entusiasta desse tipo de tecnologia e tem um orçamento generoso para gastar com esse dispositivo, vá em frente. Para os demais, no entanto, o FlexPai é uma opção a se evitar no momento.
Comentários
Comentários
Não foi possível carregar os comentários.