O retorno da Xiaomi está sendo marcado por muita especulação e pouca informação consistente. O porta-voz da marca para América Latina disse ao AndroidPIT que, em breve, os brasileiros terão uma novidade sobre a marca no país, sendo essa a última informação oficial conhecida sobre o retorno.
Num jogo de cartas marcadas, a Samsung já se antecipa à Huawei inundando o mercado com smartphones que tem configurações equilibradas e boas novidades, embora o custo/benefício desses produtos seja questionável no momento. O mesmo acontece com a Huawei na China, por exemplo, onde é conhecida por ser uma marca de qualidade e com preços mais elevados, diferente de outras mais acessíveis. A briga entre essas duas claramente se dará pela liderança do mercado local e global.
Fora isso, a pergunta que fica é: se a Xiaomi realmente vier, ela terá chances de ameaçar o reinado da Motorola? Provavelmente essa já deve ser uma preocupação interna da Motorola, e não apenas dela, mas também da Asus e de outras que seguem essa ideia do smartphone perfeito pelo melhor preço. O que está em jogo, basicamente, é o perfil do usuário que hoje usa Motorola e do consumidor brasileiro que atualmente tem um Xiaomi.
A Xiaomi tem uma base maior de usuários no Brasil do que em 2015, quando estava vendendo oficialmente por aqui. Esse grupo de usuários cresceu devido a demanda por produtos com características melhores - que ela mesma não oferecia quando estava aqui - e, sobretudo, a preços mais acessíveis. Ainda que essa base seja grande, vale dizer que o grupo de "Mi fãs" de hoje não está completamente consolidado.
A explicação para isso é bastante simples: preço não fideliza usuários, apenas consumidores. Sim, existe uma grande diferença entre usuário e consumidor, e é exatamente dessa segunda ala que é formado o maior grupo de pessoas que aguardam pelo retorno da Mi ao Brasil. Estar aqui não é sinônimo de sucesso garantido para Xiaomi exatamente pelo fato da marca continuar sendo desconhecida por grande parte do público.
Preço não fideliza usuários, apenas consumidores.
Essa base de consumidores da Mi não irá sustentar a marca caso ela continue sendo uma opção mais viável através da importação do que com a venda local. A grande diferença entre a Mi e a Motorola está exatamente neste ponto, pois apenas uma conseguiu fidelizar usuários em longo prazo não apenas por preço, mas também pelas características de seus produtos e a relação que a marca conseguiu estabelecer com um grupo de usuários que não se identificavam com nenhuma outra fabricante.
Quando eu digo que preço não fideliza cliente, basta olhar para o caso da LG e você irá encontrar um exemplo claro de empresa que vendeu enquanto o preço era bom e, depois, começou a se tornar irrelevante para os usuários por não ter uma base sólida de clientes fidelizados. Foi exatamente nesse vácuo que a Motorola soube agir e, agora, será bastante difícil para a Xiaomi ter a mesma oportunidade num momento onde o consumidor anda mais exigente.
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No final, devo dizer que grande parte das pessoas que acompanham o retorno da Xiaomi estão na expectativa do preço. Se o preço não for bom, a importação continuará valendo para essas pessoas. Elas ficam com quem tem o melhor preço, a melhor oferta e estejam onde estiver. Quando um usuário comenta que seu Mi 3455XCR é melhor que um Motorola em algum site de tecnologia, pode apostar que ele está mais feliz pelo investimento que fez do que com os valores da marca que está usando.
E você, se considera um Mi fã? Acha que a Xiaomi vai conseguir fidelizar usuários no Brasil?
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