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Xiaomi vs. Apple: uma quer invadir o quintal da outra

Toda empresa de Tecnologia sabe que para se manter competitiva à longo prazo, ela deve expandir para todos os mercados possíveis. E, claro, marcar presença em países como Estados Unidos e China. A norte-americana Apple e a chinesa Xiaomi sabem bem disso. E se antes elas viam com cautela entrar no território uma da outra, agora as intenções de “invasão” estão cada vez mais claras. 

Do lado da Xiaomi, a declaração de que esta pretende entrar na terra do Tio Sam veio de seu vice-presidente internacional, o brasileiro Hugo Barra. Em entrevista ao canal de notícias econômicas Bloomberg, ele afirmou que a Xiaomi está preparando a sua entrada no mercado norte-americano em um “futuro próximo”.  Disse ainda que a empresa sempre olhou para a região com muito interesse, mas que a chegada da fabricante “será feita de forma lenta e gradual”. 

Barra afirmou que a empresa está planejando o lançamento de alguns produtos já para outubro, ainda que ele não tenha especificado quais seriam. De acordo com o executivo, “todos esperam que a Xiaomi lance smartphones no mercado, mas a empresa está analisando com cuidado como entrar no mercado norte-americano”. 

Quando questionado porque a fabricante chinesa está adotando esse ritmo lento de entrada nos EUA e não uma chegada com seus maiores produtos, Barra afirmou que a Xiaomi “ainda é uma companhia muito jovem e as coisas devem ser pensadas com calma”. Ele disse ainda que o mercado norte-americano “é muito complexo e etapas como serviços de atendimento ao cliente e pós-venda devem ser feitos com cuidado, até porque temos [a Xiaomi] um time pequeno e temos de focar nas melhores ideias para a nossa expansão internacional”. 

Mesmas táticas no resto do mundo e uma “ajudinha” da Microsoft

Para tentar conquistar o público americano, a Xiaomi vai utilizar as mesmas táticas que vêm dando certo tanto na sua terra natal, quanto em outros países, como a Índia - maior mercado da empresa no exterior e que apresentou crescimento de 72%. De acordo com Hugo Barra, a fabricante usará de forma intensa seus canais de mídias sociais, que têm forte apelo entre o público jovem, além de lançar mão das vendas por meio de seu site. 

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A Xiaomi quer chegar aos EUA para incomodar Apple e Samsung / © ANDROIDPIT

Além disso, em junho último, a empresa anunciou a compra de cerca 1.500 patentes de tecnologia da Microsoft. Com isso, a companhia consegue entrar nos EUA mais protegida contra possíveis processos por quebra de propriedade intelectual que Apple e Samsung, por exemplo, podem mover contra ela. 

Além da concorrência pesada de Apple e Samsung, a Xiaomi também terá que adaptar seu modelo de negócios ao mercado americano. Isso porque a venda de smartphones no país é dominada por operadoras como Verizon e AT&T, que oferecem aparelhos subsidiados a seus clientes em troca de contratos de longo prazo. A fabricante chinesa costuma dispensar intermediários na venda de seus produtos (como foi dito, a empresa prefere vender por seu próprio site) e pode encontrar problemas para mudar o hábito do consumidor americano, como aconteceu no Brasil. 

A Apple contra-ataca em território chinês

Se a chinesa Xiaomi vem se preparando para entrar no mercado americano, a “ianque” Apple quer fazer o caminho inverso e expandir suas vendas em território chinês. E aproveitando sua gorda reserva de dinheiro, quer fazer isso de forma mais robusta. A empresa se prepara para abrir o primeiro centro de Pesquisa & Desenvolvimento da marca no país, voltado a região Ásia-Pacífico. 

Segundo Tim Cook, CEO da empresa, o novo centro de P&D começa a funcionar até o final do ano e reunirá equipes de engenharia e operações da Apple na China. Além de ampliar as vendas, o objetivo do local é aprofundar os laços da empresa com universidades e parceiros. 

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A Apple precisa enfrentar a rejeição do público chinês em relação aos seus produtos / © ANDROIDPIT

Mas, claro, o objetivo deste centro é criar um branding da Apple de forma que suas receitas no país voltem a crescer. Relatórios recentes divulgados pela empresa afirmam que a venda de produtos da “Maçã” diminuiu em um terço no último trimestre fiscal. 

Além disso, a economia chinesa apresentou uma desaceleração e isso vem comprometendo a perspectiva da Apple no país, sem contar as questões de restrição de conteúdo. Sua loja online para venda de livros eletrônicos e filmes, por exemplo, foi fechada depois que o governo local impôs restrições rigorosas sobre conteúdo online, principalmente, vindo de companhias estrangeiras. 

Quem você acha que vai se dar melhor nessa "invasão" de mercados?

Para completar o quadro, a Apple tem perdido diversas batalhas de propriedade intelectual em solo chinês, além de enfrentar sentimentos anti-americanos por parte dos consumidores locais, que dão preferência às fabricantes do país.

Que comecem as disputas!

Apple e Xiaomi não podem se dar ao luxo de desprezar os mercados chinês e norte-americano respectivamente. A primeira vê a China como a locomotiva que vai puxar o seu crescimento, uma vez que as vendas de iPhones mundo afora vêm diminuindo nos últimos meses. 

O maior desafio da Maçã é não só encarar as complexidades do governo chinês, como enfrentar uma concorrência pesadíssima no país, tanto da própria Xiaomi, quanto de outras empresas como Huawei, Oppo e Vivo. A sua vantagem é que ela é uma marca muito mais conhecida e, claro, tem caixa de sobra para investir. 

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Mi 5 ou iPhone 6: qual você compraria? / © ANDROIDPIT

Já a Xiaomi precisa achar um jeito de bater de frente com Apple e Samsung – entre outras – nos EUA sem perder sua lucratividade. Hugo Barra afirmou que a empresa está bem capitalizada para enfrentar o desafio. No entanto, superar o desconhecimento que boa parte do público americano tem em relação aos smartphones da marca será o grande obstáculo.

A grande arma da Xiaomi é a sua capacidade de comercializar smartphones de ótima qualidade a um preço justo, graças a sua política de dispensar intermediários. Veremos como a empresa vai adaptar esse seu modelo de negócios em um país onde as operadoras dominam as vendas de aparelhos. Uma estratégia digital bem amarrada pode ser a chave.

Pois então que comecem as disputas! Quem sabe assim fique mais fácil para colocarmos nossas mãos em um Mi 5.

Será que um eventual sucesso da Xiaomi nos EUA pode fazer com que a empresa volte a investir no Brasil?

Fonte: Bloomberg, CNBC

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