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O lado obscuro do novo Google Fotos

No final de semana fui ao Berlin Festival, um festival de música que acontece anualmente na capital alemã, e fui surpreendida pela forma de pagamento via tecnologia NFC presente na pulseira do evento. Apesar do transtorno de ter que enfrentar filas para "depositar" o dinheiro na pulseira, e depois ter que informar meus dados bancários para resgatar os 2 euros que sobraram de saldo, a compra de bebidas e comida ficou muito mais rápida e prática, bem como a conveniência de não ter que carregar dinheiro comigo o tempo todo. Contudo, nada foi informando antes do festival ou dada uma alternativa a quem preferisse resgatar o dinheiro na hora de ir embora. O mesmo me parece acontecer com o novo Google Fotos, apresentado durante o Google IO 2015, no qual a comodidade de uso do serviço pode esconder as implicações da utilização da plataforma.

  • Android M: todas as informações e funções da nova versão do SO
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Uma pulseira com tecnologia NFC em um festival é cômoda na hora da compra, mas resgatar o dinheiro envolve ter que informar dados que talvez você não queira compartilhar. / © ANDROIDPIT

Em entrevista ao site Medium, Bradley Horowitz, vice-presidente do Google para streams, fotos e compartilhamentos, falou mais abertamente sobre as funções e implicações do novo serviço de edição e armazenamento de imagens da gigante das buscas, o Google Fotos. Durante o IO 2015, os engenheiros da Google preferiram falar do espaço de armazenamento ilimitado que a empresa oferecia para os usuários e que o mesmo já pode ser usado independente do Google+, mas se esqueceram de informar como a plataforma realmente funciona.

De acordo com Horowitz, o Fotos deve ser encarado como um serviço equivalente ao Gmail, que começou concorrendo com outros provedores, ofereceu recursos de gerenciamento únicos e hoje é um dos maiores serviços de email do mundo. Assim, a ideia é dar ao usuário uma plataforma gratuita, onde todas as fotos capturadas usando um dispositivo móvel sejam armazenadas automaticamente e organizadas através de uma tecnologia que reconhece não apenas o rosto das pessoas, mas árvores, flores e até festas de aniversário... até o momento.

Na conferência para desenvolvedores da Google ficou bastante claro que a empresa está investindo em tecnologias que facilitam o cotidiano dos usuários, assim, em vez de você precisar estender suas férias por mais dois dias para organizar o álbum de fotos da viagem de férias, o algoritmo do Fotos fará o serviço para você. Além disso, facilitará a edição e o compartilhamento dessas imagens nas suas redes sociais. O serviço de nuvem também fará com que você mantenha uma cópia das suas memórias armazenada por tempo ilimitado.

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O Fotos é capaz de criar pequenas histórias com base nos dados das suas imagens. / © ANDROIDPIT

Tudo isso é muito cômodo, mas qual é realmente a quantidade de informações que estamos compartilhando ao usar tal serviço? Segundo Horowitz, caso as informações capturadas a partir da análise destas imagens possa otimizar a experiência dos usuários com os serviços da Google, elas serão usadas no futuro:

 

A informação recolhida a partir da análise das fotos não é usada fora do produto (Fotos) - não hoje. Mas se acharmos que podemos entregar grande valor aos usuários usando essa base de dados, tenho certeza que consideraríamos essa opção.

 

O exemplo usado pelo executivo da Google foi o do Google Now: quando você está atrasado para um voo e o serviço informa que o mesmo terá um atraso de uma hora, por exemplo, você poderá respirar aliviado, pois não perderá o avião pelos próximos 60 minutos. Tudo isso é possível por causa da conexão entre o Google Now e Gmail. Assim, caso o software do Fotos reconheça que você possui um Fiat, e a empresa queira alertá-lo sobre um recall, a Google poderá oferecer tal serviço. Mais uma vez, os dados coletados nas suas imagens podem ser usados para a sua comodidade, mas implicam diretamente na sua privacidade.

A questão é ter em mente aquilo que você deseja compartilhar e aquilo que está sendo obrigado a fazer para usar um produto. Eu realmente adorei poder usar uma pulseira com tecnologia NFC para pagar o que eu consumisse em um festival, mas ter que correr atrás do meu dinheiro depois não me agradou nenhum pouco, contudo não tive outra opção. Em relação a usar o Fotos, existem opções no mercado, como um backup contínuo da minha galeria em um HD externo que, apesar pode não ser cômodo, pelo menos mantém minhas informações privadas na medida do possível.

E você, com qual opção ficaria: a mais ou a menos cômoda?

Fonte: Medium

Os comentários favoritos dos leitores

  • 6
    Edson Fernandes 6/jun/2015

    É inadmissível que uma pessoa de tecnologia fale em backup caseiro. HDs são altamente propensos a falhas!!! O que me interessa se o google sabe que tenho um Fiat? Meu vizinho sabe disso, o cara da padaria sabe disso, a galera do serviço sabe disso! Olha!!!! O google está vendo minha foto de sunguinha!!! E daí?! A galera da praia também viu.... Vamos largar mão de ser paranoicos e achar que somos o centro da atenção do google.
    Sim, o google está ganhando dinheiro em cima de nossas informações. Mas em contra partida olha a comodidade que temos em troca! Imagina daqui a alguns anos quando a base de dados estiver amadurecida...

  • Thiago Souza 2/jun/2015

    Cara, só tem um problema nisso tudo, aliás, vários! Primeiro seria a privacidade, é sempre bom lembrar que quando você assina um produto desse, você aceita "alguns termos" e aí que você tem que prestar atenção. Eu fico imaginando vários exemplos de como isso poderia se tornar algo como "Umbrella Corporation" ou "Skynet". Sei que é um pouco exagerado, mas pense o que poderia ser a evolução disso que foi abordado aqui na matéria? Eu imagino por exemplo, uma situação em que alguém tira uma foto dirigindo um carro, daí o google corp...quer dizer, google fotos reconhece e vê que a pessoa é menor ou não tem carteira e o carro nem é dessa pessoa. Então temos multa então temos um roubo? claro, isso é um exagero, mas lembrem-se, todas essas coisas têm um início, e é isso que eu vejo aqui.

  • Raphael FS 2/jun/2015

    só faço uma pergunta, você acha que aquela tonelada de fotos enviadas no whatssapp (facebook), gravações de áudio, vídeos, formas de escrita, horários de uso e informações passadas nas mensagens o facebook não usa nada disso em prol da privacidade? Hoje tudo o que usamos online demanda abrir mão da privacidade, quando ligamos o Android pela primeira vez aceitamos isso antes de poder usar o aparelho, levantar esse tipo de questionamento usando a internet seria o mesmo que perguntar se lava queima depois de já estar com metade do corpo dentro do vulcão

43 Comentários

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  • 6

    É inadmissível que uma pessoa de tecnologia fale em backup caseiro. HDs são altamente propensos a falhas!!! O que me interessa se o google sabe que tenho um Fiat? Meu vizinho sabe disso, o cara da padaria sabe disso, a galera do serviço sabe disso! Olha!!!! O google está vendo minha foto de sunguinha!!! E daí?! A galera da praia também viu.... Vamos largar mão de ser paranoicos e achar que somos o centro da atenção do google.
    Sim, o google está ganhando dinheiro em cima de nossas informações. Mas em contra partida olha a comodidade que temos em troca! Imagina daqui a alguns anos quando a base de dados estiver amadurecida...

  • fotos são fotos, não vejo problemas de compartilhar isso com o Google, já que sou uma pessoa comum, quem fuca preocupado são pessoas famosas que estão aprontando algo de errado.

  • o gmail é assim também, a empresa scannia tidos os emails e dependendo das palavras envontradas gera um anuncio de propaganda, em contra partida o Gmail dá 15 GB de espaço numa época que tinhamos apenas 20 MB e viviamos excluindo mensagens.

  • A questão do backup em HD é válida, mas não deve ser a única opção, eu mesmo fiz isso e meu HD pifou sem aviso prévio, resultado disso é que vou gastar uma nota preta para tentar recuperar os dados e comprar outro HD, se os arquivos estivessem na nuvem, não precisaria desembolsar essa grana da recuperação dos dados, apenas um novo HD, mas é errando que se aprende né, aprendi a lição!

  • Quem leva uma vida honesta e limpa não tem nada a temer o Google. Agora quanto ao perigo de vazar fotos íntimas, por exemplo, é um risco, mas eu confio na segurança do Google nesse sentido e confio em mim mesmo pois tenho cuidado com senhas e onde as digito.

  • Gostei do lance das pulseiras com NFC, apesar do incômodo em resgatar o restante. Quanto ao app de fotos, pra mim nem faz diferença, raramente tiro uma foto com o meu smart!

  • E alguém aqui acha que tem alguma privacidade depois que entrou no mundo digital? Pura ilusão... rsrsrsrs

  • ..Eu gostei dessa ideia também, a gigante {Google} já estava devendo isso a muito tempo aos seus usuários... Como em qualquer outro lugar, sempre teremos que tomar cuidado com que postamos. Uma excelente sacada e tenho certeza que não vão para por ai, chega de ser limitado a 15 gigas como é os demais produtos dela.

  • Ué, isso é recorrente, todos lugares, aplicativos (de redes sociais principalmente) trabalham com venda dos bancos de dados, ou uso do mesmo pra se beneficiar, ou realmente acharam que é tudo de graça? o.O quem sabe o mínimo de navegação se atenta isso costumeiramente, eu deixo em backups, compartilhamento automático pra fotos da facul, com a galera, festas e afins, tenho arquivo intimo que não quero que ninguém veja de minha companheira, e isso é guardado muito bem em um local físico, devidamente criptografado, e o resto, podem fazer o que quiser, desde que facilitem meu dia a dia.

  • Isso sempre estive implícito nos serviços do Google. Eu não me importo com isso, desde que, as fotos continuem disponíveis só pra minha visualização. E gosto de utilizar outros aplicativos como o OneDrive. Aliás, as novas funções do Google fotos estão demais.

  • Essa última citação do vice-presidente da Google é preocupante, querer dizer que no futuro o app Fotos pode expor as informações coletadas nas fotos dos usuários e ainda ter a audácia de publica-las nas redes socias, sei não. Mas se a pessoa não tem nada comprometedor ao se expor, então...

  • resumindo o serviço de fotos online só não é bom, pra quem quer esconder fotos íntimas ou tá devendo alguma coisa!

  • Péssima analogia. Não entendi qual é a parte do "ter que pegar fila e a conta bancária pra resgatar o dinheiro" que se aplica ao photos. Se o usuário não quiser compartilhar as fotos, não compartilha. Além disso, se a google usar as informações para outros apps, não vejo isso como uma coisa ruim. Interação de serviços é ótimo para o usuário.

    • Se ela quiser usar o Fotos ela vai ter que aceitar esses termos, assim como teve que aceitar os do festival. Se ela não quisesse aceitar os termos, então ela não iria no festival, assim como se ela não aceitar os termos do Fotos ela não vai usar o App. Esta bem claro

  • Acabei de perceber que abrimos as portas para a realidade de O Exterminador do Futuro. A partir do momento em que nossas vidas são controladas por equipamentos eletrônicos, deixamos de ter privacidade. E então o que vimos como ficção científica há 30 anos atrás estamos vivendo em nossa realidade atual.

  • claro que o serviço é cômodo e tal, mas sou adepto da privacidade, imagine uma foto intima sua, que você acha que está somente ao seu alcance quando na verdade está ao alcance de toda uma corporação. Quer mais implicações pra essa tecnologia, assistam ex-machina é um pouco futurista mas também fala sobre isso e é um ótimo filme

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