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Um mês usando o Google Pixel no Brasil: uma história em 3 atos

Hoje, após pouco mais de um mês de uso, posso dizer que sou um feliz proprietário de um Google Pixel Quite Black. Sim, eu disse feliz! A experiência geral de uso tem sido bem satisfatória, e pretendo continuar com o aparelho por um bom tempo. Mas no começo não foi bem assim...

O deslumbramento inicial

Peguei o aparelho na mão pela primeira vez em janeiro, trazido pela minha irmã que voltava de uma viagem a Londres. Ela o comprou em uma loja da Carphone Warehouse (na terceira tentativa, pois nas duas primeiras só estava disponível a versão XL). Ao custo de £ 650, com um refund de £68 (Libras) no aeroporto, o aparelho teve um custo final de aproximadamente R$ 2.400,00.

A primeira sensação que tive ao pegá-lo foi de familiaridade. Para mim, o aparelho tem dimensões que considero ideais para um smartphone, semelhante à experiência que tive com meus últimos aparelhos, um iPhone 6 e um Galaxy S7. A pegada é muito boa, mesmo para mim que tenho mãos pequenas. As laterais misturam uma leve curvatura e chanfros, uma combinação agradável ao toque e que garante um encaixe seguro na mão, evitando um pouco as escorregadas.

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O sensor biométrico está localizado no controverso painel de vidro / © Thiago Guardado Beltran

Os botões laterais são bem posicionados e intuitivos, com destaque para a textura aplicada no botão power, o que não é uma novidade em aparelhos Android, mas é sempre bem-vinda. O acabamento é impecável e o metal utilizado na construção dá realmente a sensação de aparelho premium, o que era mais do que esperado para um smartphone desse valor.

Ainda falando em escolhas de design, o controverso painel de vidro na traseira do aparelho, que para mim sempre havia sido bem estranho nas fotos e vídeos que eu tinha visto na internet, é muito mais bonito na palma da mão e algo que com o tempo eu passei a amar. É bem comum eu apresentar o aparelho para amigos mostrando primeiro a parte traseira e dizendo: “lindo demais, né?”.

O Imprint (leitor biométrico) é rápido, preciso e de fácil alcance ao dedo indicador. Basta o toque da ponta do dedo, em qualquer direção (inclusive de cabeça para baixo) que ele instantaneamente reconhece a digital e desbloqueia o dispositivo. Além disso, o leitor está sempre ativo, mesmo com a tela desligada, o que facilita na hora do desbloqueio, já que não preciso primeiro apertar algum outro botão para ligar a tela.

A câmera do aparelho é realmente maravilhosa!

A câmera do aparelho é realmente maravilhosa. Não tenho absolutamente nenhum ponto a reclamar sobre ela, os resultados são incríveis, assim como dos tops de linha da Samsung e da Apple. O software da câmera também não deixa nada a desejar (exceto talvez para quem não goste de HDR automático, que, apesar de poder ser desligado, está sempre ativado ao abrir o app de captura) e conta com os ótimos recursos do Google Camera, como o Photo Sphere e Efeito Foco.

Apesar de todo esse deslumbramento inicial, alguns pequenos detalhes me incomodaram bastante nas primeiras semanas de uso.

O desconforto prematuro

Minha primeira decepção veio com a indisponibilidade do Google Assistant em português. Eu esperava que o Assistant fosse funcionar no Brasil, pois sei que no Google Allo ele já está disponível em nosso idioma. Mas não foi o caso e ainda hoje, na data de publicação desse artigo, ele não está disponível de maneira nativa no aparelho. Em seu lugar, temos o conhecido “Now On Tap”, que não é ruim, mas não chega a ser um assistente completo.

Além disso, venho de outros aparelhos que possuem leitor biométrico na frente do dispositivo e me acostumar com o leitor traseiro foi bem difícil. Por um lado você ganha agilidade para desbloquear o aparelho tirando ele do bolso, mas por outro, perde agilidade para desbloqueá-lo quando em repouso sobre a mesa, ou preso no suporte do carro.

Como o aparelho foi comprado na Inglaterra, o carregador tem padrão inglês e precisei comprar um adaptador para a tomada de padrão nacional. O carregador, que já é grande, junto com o adaptador, que consegue ser maior ainda, criaram um monstro que me recuso a carregar na mochila no dia a dia. Encontrar um carregador original aqui no Brasil também não é tarefa fácil. Escolhi arriscar e andar sem um carregador reserva, mas confesso que ficava com medo no início da bateria não aguentar o dia inteiro.

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A parte frontal do aparelho não possui nenhum botão físico ou capacitivo / © Thiago Guardado Beltran

Outro ponto que demorei a acostumar foi com o fato de não haver botões físicos. No começo, foi bem comum eu ficar perdido dentro de apps que colocam o conteúdo em tela cheia e tiram os botões virtuais, como o Youtube. Além disso, acessar a câmera no Galaxy S7 com dois cliques no botão home era muito mais rápido para mim do que acessar a câmera no Google Pixel com dois cliques no botão power.

Mas talvez o maior incômodo foi o fato do aparelho não ser comercializado oficialmente no país e, dessa maneira, não ter assistência técnica oficial em caso de qualquer problema que eu tiver. Isso, aliado com o fato da própria HTC, fabricante do aparelho, também não estar no país e os relatos iniciais de alguns aparelhos defeituosos, me fizeram ficar excessivamente preocupado e paranóico com riscos, quedas e até respingos d’água (a proteção IP67 ou IP68 teria sido muito bem-vinda nesse caso).

O maior incômodo é saber que não há assistência técnica oficial no Brasil

Corri atrás de películas e capinhas no primeiro dia, mas elas eram escassas ou muito caras. Acabei comprando uma película convencional no MercadoLivre por algo em torno de R$ 15,00 (o único anúncio que encontrei) e, quanto à capinha, me recusei a pagar R$ 60,00 na única que encontrei e que ainda parecia ter uma qualidade bem duvidosa. Acabei recorrendo às capinhas do AliExpress, mesmo sabendo que iriam demorar para chegar. Durante a espera, improvisei com borrachinhas para prevenir ao menos os riscos do painel de vidro. Sim, o painel de vidro risca muito fácil, então todo cuidado é pouco.

O Pixel trouxe minha primeira experiência com o Android Nougat, algo que levou certo tempo de adaptação, principalmente com as notificações. As notificações do Marshmallow me pareciam mais visuais, sempre acompanhadas do ícone do aplicativo, o que as deixavam facilmente reconhecíveis, mesmo com o celular a uma distância maior que o normal, como preso no painel do carro, por exemplo. No Nougat, o nome, cor e ícone do aplicativo nas notificações são bem mais sutis e facilmente confundíveis entre si, pelo menos nos meus primeiros dias com o aparelho.

A redenção

Você deve estar lendo e pensando: “nossa, que cara chato! Quanta implicância por pouca coisa!”. Sim, talvez eu tenha exagerado nas reclamações, mas quando as expectativas são grandes, as frustrações são quase sempre inevitáveis.

Porém, com o tempo, fui percebendo que vários dos meus desconfortos estavam em coisas que não são essenciais para minha experiência com o aparelho. O Google Assistant não me faz tanta falta, o Google Now consegue suprir a maior parte das minhas necessidades de comandos por voz. Os desconfortos com o leitor biométrico na traseira, a falta de botões físicos e as notificações do Nougat são todas questões de adaptação que logo sumiram. A bateria dificilmente me deixa na mão, consigo em torno de 4 a 5 horas de tela em uso comum cotidiano. Até levo na mochila uma bateria externa, mas confesso que raramente utilizo.

O fato de não ter assistência oficial no Brasil infelizmente é algo que ainda me preocupa, mas, desde que passei a usar capinha e película, fiquei bem mais tranquilo. O aparelho não apresentou absolutamente nenhum problema, nem de hardware e nem de software, que justificasse minha paranóia.

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CPixel Launcher do Pixel é rápido, bonito e estável  / © Thiago Guardado Beltran

Quando os desconfortos caíram, as satisfações finalmente brilharam. O Pixel possui excelentes configurações de hardware que em nada me deixam na mão. E apesar dos apenas 32GB de armazenamento não-expansível, o backup ilimitado do Google Fotos salva muito espaço.

Na questão do software, o Android quase puro rodando incrivelmente rápido e sem travamentos, a integração dos aplicativos nativos e o software da câmera, fazem da experiência de uso ser fluida e mais do que satisfatória.

Foram algumas semanas de adaptação, mas que valeram completamente a pena!

E você, também tem alguma história de adaptação a um novo celular? Tem um Pixel ou Nexus, ou qualquer outro modelo, e gostaria de compartilhar sua experiência também?


Este artigo foi criado pelo membro da nossa comunidade Thiago Guardado Beltran, e faz parte do projeto “Blog da Comunidade”. Se você também tem interesse em ter um artigo seu publicado aqui no AndroidPIT, entre em contato através do e-mail: imprensa@androidpit.com.br.

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Os comentários favoritos dos leitores

  • Marcelo Neri há 5 meses

    Belo smartphone, mas a Google como sempre despreza alguns mercados, não vendendo seu aparelho por aqui! Bola fora dona Google....

  • Victor Lima há 5 meses

    deveria estar vendendo aqui...mas fazer oq

  • Lucas N. há 5 meses

    Linha Pixel, venerada demais pro meu gosto. Que seja, o aparelho em si é bonito, ostenta performance, e um software que agrada. Mas ainda mantenho a certeza de que o meu Nexus 5 ainda é melhor que ele, mesmo sendo 3 vezes mais fraco. Não são as novas experiências que o fazem se apaixonar por um smartphone em si, e sim, todas as vezes em que ele não te deixa na mão pela harmonia entre hardware e software.

90 Comentários

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  • Não troco meu iPhone 7 Plus por nada. A Google ainda precisa melhorar muita coisa pra chegar aos pés da Apple em questão de software.

  • Eu comprei um Pixel e o usei por dois meses. Depois de uma configuração feita pela Tim, ele não aceitou mais o sinal da operadora. Com outras funciona normalmente. Só a Tim que nele não tem sinal. Mandei para a garantia. Alguém imagina o que possa estar acontecendo?

  • Só queria ser rico pra ter um celular desses ;u; depois podia tirar minha riqueza e me deixar só com esse celular Body Builder.

  • tenho um pixel aqui na australia desde o dia do lancamento, ontem entrei em contato com o google pelo chat no proprio phone pra relatar que o meu pixel estava overheating e o cabo do carregador nao estavam mais funcionando. Eric, o atendente do google, se prontificou na hora de resolver o problema e me pediu para ir na loja da operadora para devolver o aparelho e pegar um novo. simples e facil assim. o novo pixel vai chegar essa semana :)

  • Excelente Review. A série Pixel é mesmo sensacional e excepcional. Eu sou um Nexus user desde as primeiras versões, tive quase todos e atualmente tenho Nexus5X. Um aparelho excepcional tb, muito subestimado, naturalmente diante do fodástico Nexus 6P. Iria importar um Pixel, contudo até nos EUA tá difícil de conseguir um. Na Europa anda mais fácil como foi o caso do nosso articulista. O item preço tá tb impactando a decisão de importar um Pixel. Acho que vale a pena esperar as novas versões. Onde os problemas de hardware serão solucionados. A série Pixel tem tudo pra ser a melhor opção entre iPhones e S7.

    • O lado bom disso, é que no quesito competitividade, nós, usuários, é que saímos ganhando com o lançamento de aparelhos cada vez mais modernos. Hoje, eu sinto mais dificuldade em optar por um smartphone novo, do que a dois ou três anos.

  • Tenho um Nexus 6p e passei por tudo isso (vinha de um iPhone, carregador padrão inglês, ausência de acessórios,...) mas não troco de aparelho tão cedo. Até hoje tenho medo de precisar de assistência para ele mas paciência, a experiencia de uso compensa muito. Quanto a bateria e armazenamento com 3400mah e 64GB é difícil ter com o que se preocupar. Parabéns pelo artigo.

    • Foi acompanhando todas as matérias do Nexus 6p, que é fabricado pela Huawei, que me fez procurar um smarth deles, e na dúvida entre um honor 8 e um P9, acabei comprando um P9, e posso dizer, não me arrependo de jeito nenhum, ótimo aparelho, bateria que dura 2 dias, câmera com lentes Leica, um baita aparelho, e tudo isso custando metade de um S7. O único medo que tenho é o de não termos a Huawei no país, e com isso, não termos garantia.

  • Artigo bem escrito! Coisa boa de lê! Melhor ainda é saber que o Pixel é realmente bom!

  • É verdade victor!

  • Olha, passo essa mesma situação com o Xiaomi Mi Mix....Uma experiência totalmente diferente de outros aparelhos, pensando no fato de ter vindo de um S7 Edge e um Zen3 deluxe, o aparelho é totalmente diferente de tudo que tive e me surpreendo a cada dia....

  • Tenho e uso meu Pixel Black 128GB desde a pré venda e inclusive ganhei o óculos de realidade junto. Se quiser passo depois minha experiência mas em resumo é fantástica!

  • Na boa pessoal reclama muito do google assistente mas sera q realmente usariam ou seria uma febre passageira como o google now ? na epoca todo mundo falava com a google hj em dia a maioria ate desativa o app do google pra n gasta memoria atoa

  • Tive um Nexus 4, 5 e 6, agora comprei um Oneplus 3T, talvez nunca mais compre um Pixel!! O celular é muito top!!!
    Comprei por R$ 1380 na GearBest, paguei taxa de R$ 200!!

    Fica a dica ai pra galera!!#

  • Tenho um Nexus 5X comprado na Coréia do Sul, aparelho atende todas as minhas necessidades. Bateria dura um dia completo de uso intenso, câmera de alta qualidade, Sensor biométrico rápido e de boa localização, foco a laser super rápido. O único contra é o flash dual que é totalmente amarelo, sem falar do carregador que tive que comprar um adaptador e o medo de não ter uma assistência aqui no Brasil. Me recuso a pagar 90 reis em uma capinha que os vendedores do ML compram por US$2~3.

  • O problema da Assistent Google seria resolvido com um simples rooteamento no aparelho e em seguida aplicar um ZIP desse serviço em português.

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Entendi