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Esqueçam a antiga Motorola, meus caros. A nostalgia só atrapalha o mundo da TI

No último sábado, escrevi um artigo explicando por que a Lenovo é a fabricante a ser observada nos próximos anos. Dentre os motivos, citei o bom trabalho que a empresa chinesa vem fazendo entre os smartphones intermediários, inclusive com a linha Moto. Ao final do artigo, muitos usuários reclamaram que a Lenovo “estragara” a linha de dispositivos da Motorola – adquirida pela empresa em 2014. Respeitamos a opinião do leitor, claro, mas fica a pergunta: será que essa nostalgia pelas antigas marcas é uma coisa boa?

Essa nostalgia pela Motorola – e também podemos incluir a Nokia nessa questão – é totalmente justificada. Afinal, nos seus áureos tempos, a empresa desenvolveu belos dispositivos. E, tanto na época dos celulares, quanto na dos smartphones (este último caso quando esteve sob a administração do Google), ela foi o primeiro telefone de muitos usuários.

No entanto, diante da memória afetiva que muitos têm pela companhia, ficou fácil esquecer das inúmeras derrapadas que a Motorola deu quando os smartphones começaram a ganhar mercado, incluindo aí o lançamento de dispositivos bem ruins. 

RM
Rui Maciel
Nostalgia nunca ajudou as empresas de TI a evoluir e ganhar mercado.
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Derrapadas culminaram na queda da empresa

Afinal, enquanto o iPhone começava a ganhar mercado entre 2007 e 2008, a empresa ainda investia no V3 e só resolveu entrar para valer na disputa quando lançou o Moto Droid (2009), seu primeiro modelo com o SO do Google e que não necessariamente primava por ser revolucionário. Ou até mesmo bonito. E não vamos esquecer de outras aberrações, como o Motorola Flipout. 

motorola flipout
Motorola Flipout: um dos smartphones mais feios já feitos / © Motorola

Todas essas más decisões resultaram em prejuízos seguidos para a Motorola – que já não estava bem das pernas antes. E o consumidor - incluindo muitos que hoje reclamam que a Lenovo “estragou” a Motorola – é impiedoso. Quando o aparelho é ruim, ele simplesmente compra outra marca. E o mercado, igualmente, não perdoa. A empresa foi dividida em duas, e sua divisão de telefonia mobile foi vendida ao Google em 2011 por US$ 11,5 bilhões. 

Sob a administração da Big G, a Motorola até conseguiu se reerguer, lançando duas séries que fazem sucesso até hoje: a Moto G e a Moto X (que pode ser substituída pela Moto Z). Mas o Google viu que produzir smartphones era algo mais complexo do que o imaginado e, depois de ter se apoderado de todas as patentes possíveis, revendeu a empresa para a Lenovo por US$ 2,91 bilhões, ou seja, US$ 8,59 bi a menos do que gastara na compra da empresa. 

A Lenovo faz o que precisa ser feito

Com a Motorola em mãos, a Lenovo poderia ter seguido o caminho mais fácil: manter a linha de design das séries Moto G e do Moto X e apenas atualizar o hardware. No entanto, a empresa deve ter notado que nostalgia não leva ninguém a lugar nenhum e optou pelo caminho mais difícil e, ao meu ver, mais acertado: manteve a marca Moto, mas começou a implementar um meio termo para agradar tanto o mercado oriental quanto o ocidental e, mais importante: passou a inserir inovações. 

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Moto Z plugado a um módulo: o indefectível "M" da Motorola ainda está ali. Mas até quando? / © AndroidPIT

O Moto G4 Plus, por exemplo, já conta com um sensor de impressões digitais; já a recém-apresentada linha Moto Z terá módulos opcionais, que podem ser plugados aos aparelhos por meio de conectores magnéticos, potencializando recursos como bateria, áudio e vídeo. E todos trazem uma configuração bastante razoável para suas categorias.

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Moto G4 Plus: design feito para agradar os mercados ocidental e oriental/ © ANDROIDPIT

E por fim, o design destes dispositivos atingiu um formato que pode agradar aos consumidores de todo os países onde a Lenovo está presente. Um layout que mescla características do Ocidente e do Oriente. 

A nostalgia não cabe no mercado de TI

A Lenovo agiu muito bem em não enterrar a marca Motorola ao compra-la, até porque ela correria o risco de sofrer uma grande rejeição do público ocidental e fechar o seu mercado por aqui. No entanto, não se enganem: a ideia da empresa é se afastar cada vez mais do que um dia foi a Motorola. Até porque ela sabe que se prender ao passado pode fazer com que seus smartphones por aqui virem um produto de nicho, o que restringiria o público. 

Ser nostálgico no mercado de TI nunca ajudou ninguém. Blackberry, Nokia, Yahoo e até a própria Motorola estão aí para provar isso. 

E você ainda sonha em ter um smartphone "100% Motorola" um dia?

Os comentários favoritos dos leitores

  • Rodrigo J. B. Duarte há 3 meses

    Discordo. Fiquei 2 anos com meu Moto G 4G (1Gen): aparelho resistente, rápido o suficiente para tarefas do dia a dia, tela confortável e custo/benefício imbatível. Agora, pensei em comprar o Moto G4 mas fiquei pasmo com a fragilidade da construção, o tamanho grotesco da tela e as especificações exageradas que aumentaram muito o custo. Sabe o que eu fiz? Fui no quiosque da Quantum aqui em Curitiba-PR e comprei o Quantum Go 4G 32Gb numa promoção de R$ 999,00 - ou seja, R$ 300,00 a menos que o Moto G4, sendo que eu ganhei o dobro de armazenamento, uma construção muito superior, Android igualmente "puro", tela ergonômica (esse quesito pode ser de caráter pessoal, mas até hoje não vi ninguém conseguir se adequar bem com tela 5.5'), e preço sensacional para a experiência incrível e desempenho que oferece. Falo isso pra dar o exemplo que a Motorola/Lenovo destruiu sim a linha Moto G, e olhar pra trás, no caso se aproveitar da nostalgia para identificar o que fez desta linha a líder do mercado por um bom tempo, seria algo excepcional, de grande valia para que os aparelhos pudessem oferecer muito mais pela faixa de preço exagerado sob a qual são vendidos.

  • Julio Andre há 3 meses

    Sou usuário da Motorola desde os tempos dos V3, depois tive um Defy, Razri, Moto X, Moto X2 e agora um Moto G4 Plus. Sobre a aquisição, acho que a Lenovo vai usar isso apenas para aumentar sua presença no ocidente. Não continuará com a filosofia da Motorola, que para mim, começou com o Razr i, oferecer um produto de qualidade à um preço acessível. Depois veio a linha Moto, para mim os verdadeiros telefones inteligentes, faziam frente a rivais mais robustos, não era apenas potência bruta, o Google ainda manteve essa filosofia. E isso vai acabar. Então se nostalgia é sentir falta da época que eles fabricavam telefones espetaculares, sem custar um rim. Então sou nostálgico e acho que a nostalgia faz falta.

  • Paulo Lemes há 3 meses

    Falou, falou, mas não disse nada. A lenovo está afundando a Motorola, ao mudar a receita de sucesso que a Google implantou: aparelhos bons, com preço competitivo, e uma linha pequena mas honesta com o comprador:low, mid e high. Hoje os aparelhos confundem e não agradam o comprador. E vender celular é o motivo de ser da empresa.

  • Ricardo há 3 meses

    Tenho saudades da Motorola by Google com portfólio de 3 celulares (E, G e X). Agora são vários modelos como faz a Samsung e a velocidade de atualização também não é a mesma. A única coisa que me faz fiel à marca é pelo fato de manter o Android puro (ou quase).

122 Comentários

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  • seus bando de fanatico de marca eu quero saber de qualidade e um bom custo beneficio e isso a lenovo trouxe

  • uma coisa e certa a lenovo melhou as cameras da motorola que era ruim.

  • Nao quero me prender a nenhuma marca so quero um smartphone bonito barato e resistente sem cair e quebrar e sem travamentos tenho um da samsung e nao me agradou trava e desliga sozinho n tem memoria vou comprar um lenovo ou asus p testar estou pesquisando na net as melhores e piores marcas.

  • Talvez o grande erro da Motorola foi se perder nos erros administrativos, porque, em matéria de celulares e smartphones, muitos lançamentos superaram as espectativas da marca, que nunca foi unanimidade no meio. o grande "x" da questão é que talvez a Lenovo não vá primar por aparelhos tão resistentes e versáteis como os da Motorola, que são quesitos hoje mais apreciáveis dessa marca.
    Sou usuário motorola, desde o primeiro Motorola PT-550, fui um dos primeiros quatro mil contemplados para uma linha de celular na cidade do Rio de Janeiro. Durante todo esse tempo vi como a marca evoluiu em termos de aparelhos. Tive outras marcas, como Samsung, Nokia, Sony, mas a Motorola sempre se nostrou inovadora. A grande virada da Motorola foi com o Motorola Razr em 2011, que também adquiri no mês de lançamento, até hoje ainda é um aparelho considerável.
    Hoje tenho um Moto X Force que é um aparelho que prima muito mais pela robustez e resistência.
    À Lenovo resta trazer, alem de inovação, a continuidade ou até melhorar a resistência e qualidade dos seus novos lançamentos, pois o que tem mostrado até agora não é o esperado.

  • A Lenovo não quer fortalecer a finada Motorola, e sim fortalecer seu caminho nos principais mercados. Tanto que já colocou suas ideias nos Moto. Resultado: a NOSTALGIA dos antigos Moto G e X de primeira geração ainda soam nos corações daqueles que são fãs de celulares inteligentes com design agradável e custo benefício melhor ainda. A Lenovo não é louca de acabar com a Motorola assim do dia pra noite. Se fizesse isso iria perder mercado principalmente aqui. Mas tô nem aí! Tô saindo do Android mesmo...

  • Pois pra mim, o que a Lenovo vem fazendo é tentar passar a ideia de que design ruim é inovação. Involução e inovação são antônimos, e aprender com o passado para modelar o futuro é inteligência. E a Lenovo tem muito, mas muito mesmo à aprender com a antiga Motorola.

  • A Lenovo não está continuando na direção que fizeram da linha Moto um sucesso. Parece que vai ser uma nova "Samsung", onde os aparelhos melhores são de altíssimo custo e com grande fragmentação de modelos.
    Os modelos Moto X, G e E passaram pelas minhas mãos, e fui responsável pela aquisição de diversos aparelhos, comprando ou recomendando, para amigos e familiares.
    Os aparelhos atuais lançados pela Lenovo são bons, mas seu custo-benefício não compensa mais. No contexto atual outros fabricantes estão repetindo a fórmula anterior da Motorola (by Google): ótimos aparelhos, excelente custo-benefício. A eles, sucesso!

  • Meu primeiro telefone foi Motorola, em seguida conheci a Nokia e fiquei com eles até o N95. Tive um Samsung Galaxy S2, mas devido aos problemas não pretendo ter outro Samsung. Em seguida comprei um moto G 1 geração, muito bom. Existe até hoje funcionando perfeitamente, recebendo atualizações inclusive. Moto G foi apaixonante, comprei em seguida o moto Maxx (turbo Droid), infelizmente fui assaltado, mas tamanha a satisfação comprei outro igual novo. Feliz porque o hardware é ótimo, triste porquê a Lenovo/Motorola abandonou o telefone. Era o topo de linha, foi um dos últimos a ser atualizados para o marshmallow e provavelmente parará por aí, serei obrigado a ir para rooms alternativas como Cianogenmod. Se eles queriam manter a Motorola e conquistar isso fizeram muito mal, abandonaram os clientes que pagaram mais caro pelos aparelhos. Mataram o moto Maxx com moto x force, bom, mas por ser o sucessor do maxx eu esperava mais. Uma coisa é certa, ficarei com meu aparelho o quanto ele aguentar e depois irei para outra marca. Me senti um idiota por gastar tanto dinheiro com o melhor aparelho da Motorola de sua época.

    • Mas o aparelho não virou "abóbora" quando a Lenovo comprou. Tudo funcionou perfeitamente. E veja, eu quando tinha o Moto X primeira geração, rápido, excelente, ágil, comprado sem qualquer vínculo com operadora, não recebia nunca atualização. Era do Google ainda e descobriram que a mudança do Android 4.4.4 para o 5 no Moto X causava diversos problemas. O Moto G teve atualização bem mais rápido e se não me engano, até o Moto E. Ou seja, não era por estar com a Motorola que resolviam o caso. Ainda assim, a atualização demorou bastante, mas veio. O aparelho está com uma tia minha que ama o aparelho, adora. É mais rápido que iPhone 5 / 5s. Então não vejo problema em outra marca comprar, a marca "padrão". Eu não vejo a Lenovo "acabar" com a Motorola de vez. Fizeram aos poucos. E tchau nome Motorola, que substituam logo.

    • Concordo contigo. Tenho um Maxx também e sinceramente estou contigo nessa de usar até não poder mais ele, mas quanto ao abandono dele aí já acho meio exagerado e duvido que ele não receba a atualização para o 7.0 devido ao hardware mas é esperar pra ver

      • Tomara que eu esteja errado. Mas fica claro que não somos prioridade e nem temos o mesmo tratamento. O Google deveria, ele mesmo, dar continuidade ao aparelho que ele fez ou obrigar por contrato a Lenovo a fazer.

        Meu próximo aparelho será Asus.
        Abraço

  • Um aparelho que tem um "botão" só para ler digital onde o padrão é o botão Home é pra fazer o usuário de pateta. O imbecil vai ficar ali clicando toda hora pra ir no HOME e não vai acontecer nada. Pior, é uma ponto "duro" da tela. feio. Em cima dele fica o "home". Este Moto G4 PLUS é simplesmente hórrido. Eu tive o Moto X primeira geração. Uma pegada excelente, um aparelho delícia. Mas foi único. O Moto G era o irmão cabeçudo e adolescente, sempre foi feioso. Ok era ótimo. Agora estes gigantes de 5.5 ou mais é onda chinesa, é péssimo.

  • Pra mim Motorola sempre foi MÓLOROTA !

  • Ao meu ver a Lenovo fez uma escolha certa e errada ao mesmo. Certa devido as inovações, embora pra mim o sensor podia ser na própria tela do celular, e os módulos que sinceramente ajudam ou melhoram em alguns aspectos o celular, mas ela está seguindo um caminho que sinceramente também não me agrada, que seria pegar um modelo de sucesso por ser acessível e transformar num modelo top de linha ou quase top de linha. Ao meu ver a Motorola deve sumir porque hoje, até mesmo na lista de aparelhos do AndroidPit, o Moto G é mostrado como modelo da Lenovo. A Quantum, que é brasileira, é a nova Motorola graças ao GO e agora vem com o MUV que acaba de ser lançado. Ela conseguiu pra mim isso, porque pegou o sucesso de um aparelho e combinou características de outro (Moto G (Android puro para baratear os custos) e Xperia Z2(ou Z3 não consigo diferenciar direito os dois)(resistência)) mas principalmente a característica de ser acessível.

  • Meu primeiro Motorola foi o Moto G (primeira geração) gostei tanto que quando saiu o Moto G2 comprei...mas, não paro com celular /smartphone. Adoro eletrônicos e em seguida fui para um G3 da LG e me apaixonei. Quanto se a Lenovo vai afundar ou não a Motorola...eu vou para o aparelho que melhor me serve. E como já disse num comentário em outro artigo, gosto não se discute. Tem quem goste da Lenovo, LG, Samsung, Apple e por diante. Meu gosto cai naquele que me dá o que busco. Não trava, Não esquenta muito e atende todas as minhas necessidades e os que tive me atenderam.

  • Sempre achei os motos feios, e os Vibes muito bonitos. Aliás, desejo comprar o Vibe A7010. Tenho um notebook Lenovo e um tablet Lenovo. São aparelhos muito bem feitos e o pós venda da Lenovo me surpreendeu (pelo menos com relação ao tablet, que tem suporte da IBM). Acho que a Lenovo só tem a melhorar a Motorola.

  • Prefiro esquecer a apple ou a sony, depois de 3 motorolas fui para sony, um z2, que descepçao, voltei para a motorola agora nas maos da lenovo, lg tambem não curti, xiaomi não gostei da interface.

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