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Afinal, o mercado de smartphones do Brasil está em crise?

Aparelhos que passam dos R$ 3 mil. Inflação em alta. Fabricantes anunciando que vão interromper seus lançamentos no Brasil. Suspensão da Lei do Bem. Intermediários vendidos a mais de R$ 1.000. Alta do dólar. Não são poucos os fatores que puxaram o mercado de smartphones do Brasil para baixo. Mas cabe a pergunta: esse setor está em crise por aqui?

Uma pesquisa recente da consultoria de mercado alemã GfK pode sugerir isso: a análise apontou que as vendas de smartphones no Brasil caíram 32% em relação à 2015, muito disso puxado pela crise da economia brasileira, que se arrasta desde 2014.

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Rui Maciel
A solução é esperar a situação econômica do Brasil melhorar para investir em um novo smartphone.
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No entanto, para Oliver Rőmerscheidt, diretor para indústria de Tecnologia da GfK, há espaço para otimismo. Segundo o executivo, a área de Telecom – que engloba smartphones, tablets e telefonia fixa – foi o que apresentou melhor desempenho no setor de eletroeletrônicos.

“Entre janeiro e maio de 2016, o setor de bens duráveis faturou R$ 35 bilhões. É um número 9% menor se comparado ao mesmo período de 2015. Mas, em compensação, o segmento de Telecom foi o que teve maior participação na cesta de bens duráveis, com 39,4% do total de produtos vendidos”, afirmou o executivo. “Isso representa um aumento de quase 4% em relação ao mesmo período de 2015 e indica que o consumidor está mais disposto a investir nesse tipo de produto. Além disso, o segmento de telefonia cresceu 1% no ano acumulado, o que pode ser comemorado, diante do atual cenário”, completa.

Smartphones e tablets respondem por quase 40% do total de bens duráveis comprados no Brasil em 2016 
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O faturamento diminuiu, mas os consumidores estão mais dispostos a comprar smartphones / © GfK

Mas por que mesmo os smartphones intermediários estão tão caros?

Ainda de acordo com Rőmerscheidt, além das variações cambiais e da inflação, a própria inovação tecnológica está por trás do aumento dos preços dos smartphones:

“Telas maiores, suporte à rede 4G, câmeras mais potentes...esses fatores puxam o preço dos smartphones para cima”, declarou o executivo. “E esses recursos são relativamente recentes em mid-ranges atuais, logo, eles ainda estão ganhando escala. Com isso, a médio prazo, aliado a uma recuperação da economia, os preços voltam a diminuir”.

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Um maior número de dispositivos 4G ajudaram a puxar o preço dos smartphones para cima / © GfK

Ironicamente, mesmo com as reclamações sobre os altos preços, o segmento de smartphones acima de R$ 1.000 é o que mais cresce no Brasil.

“O parque instalado melhorou muito no país nos últimos três anos e muitos dos consumidores estão deixando o seu primeiro smartphone por um novo aparelho”, disse Rőmerscheidt.  “E como é muito difícil achar bons dispositivos em uma faixa muito baixa de preço, ele opta por um aparelho de maior qualidade, custando R$ 750 e R$ 1.000, que é a faixa que mais cresce”. 

A solução são as fabricantes oferecerem aparelhos mais baratos?

Para Tuong Huy Nguyen, analista sênior de pesquisas da consultoria Gartner, o preço mais baixo é apenas uma parte da equação:

“A estratégia terá de ser uma combinação de vários fatores e dispositivos mais baratos é apenas uma parte disso. Para quem tem um smartphone hoje, o valor de compra de um novo aparelho é limitado se o dispositivo só oferece benefícios como processador um pouco mais rápido, uma tela com exibição um pouco melhor ou uma melhoria marginal na câmera. A estratégia precisa ser mais ampla para incluir além de mais dispositivos, serviços e aplicativos que podem beneficiar os usuários e tornar suas vidas ainda melhor. O benefício precisa ser sensível”. 

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Deter a queda de vendas dos smartphones não passa apenas por dispositivos mais baratos / © GfK

Os smartphones high-end são imunes à crise

Smartphones topo de linha como as séries Galaxy S, da Samsung, e G, da LG, sempre chegam ao mercado brasileiro custando mais de R$ 3.500. O Galaxy S7, por exemplo, chegou por aqui custando R$ 3.799 (e R$ 4.200 para o S7 Edge); já o LG G5 SE, lançado em junho, tem um preço sugerido de R$ 3.499. E o Moto Z – primeiro flagship da Lenovo depois de assumir o controle da Motorola – também não deve ser vendido por menos de R$ 3.000. Sem falar no Sony Xperia Z5, cujo valor inicial era de R$ 4.299. 

Ou seja, são aparelhos restritos a uma parcela diminuta do consumidor brasileiro. Mas eles têm espaço diante da crise do mercado de smartphones por aqui?

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Smartphones top de linha: a crise não chegou para eles / © ANDROIDPIT

Segundo Nguyen, do Gartner, sempre há espaço para o mercado de high-end, que é praticamente imune à montanha russa da economia:

“Mesmo com a piora econômica, os dispositivos high-end continuarão com demanda entre as classes mais altas (A e B), porque eles são os menos afetados pela crise”. 

Oliver Rőmerscheidt, da GfK, compartilha da mesma opinião:

“O consumidor de um Galaxy S7 é menos suscetível à crise do que os consumidores de aparelhos intermediários. Sua condição de consumo permite a troca por um aparelho da mesma categoria, sem tanta cautela. Logo, ainda que esse nicho seja restrito, ele não encontra quedas expressivas em suas vendas”.

E as fabricantes chinesas podem voltar a investir em um Brasil em crise? 

Símbolo da nova fase das fabricantes chinesas de smartphones, a Xiaomi aportou no Brasil em julho do ano passado. Conhecida por fabricar bons dispositivos a preços mais baixos, a empresa tinha altas expectativas entre os consumidores do país. Contudo, menos de um ano depois, Hugo Barra, vice-presidente internacional da companhia, informou que não traria novos smartphones para cá em 2016 e que iria reestruturar (leia-se diminuir) toda sua operação. 

E se a Xiaomi ainda arriscou no país, outras fabricantes chinesas desistiram ou adiaram seus planos de investir por aqui. Por que isso acontece? 

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As fabricantes chinesas não dão sinais de que vão investir no Brasil / © ANDROIDPIT

Para o especialista da Gartner, o Brasil ainda é um mercado muito difícil de entrar:

“Há muitos desafios legislativos e administrativos envolvidos, sem contar os impostos para bens manufaturados e montados no exterior. Os fabricantes chineses são muito afeitos a ter um preço competitivo, mas os impostos adicionais (o Brasil é o campeão em tributos em toda a América Latina) fazem os smartphones chineses perderem competitividade”, afirma.  “Além disso, as operadoras no Brasil também têm forte controle dos canais de venda. Isso também torna mais difícil para os fabricantes chineses que pretendem utilizar os canais alternativos para reduzir os custos”.

Rőmerscheidt, da GfK, ainda enxerga outros dois motivos para que as fabricantes chinesas pensem duas vezes antes de investir por aqui:

“Para ser competitivo no Brasil, você precisa ter um alto volume de vendas e produção local. Isso faz com que as empresas sejam mais ágeis em relação à concorrência e possibilita eventuais mudanças estratégicas. O que não foi o caso das fabricantes chinesas que se aventuraram por aqui”. 

E o Brasil tem um bom futuro à vista no mercado de smartphones?

Para Oliver Rőmerscheidt, da GfK, sim: “Há muito espaço para este mercado. Cerca de 90% de todos os aparelhos vendidos no país são smartphones e o mercado brasileiro deve fechar 2016 com 40 milhões de unidades desse tipo de dispositivo”. No entanto, para o executivo esse crescimento vai acontecer de forma mais lenta do que o desejado:

“O consumidor ainda está segurando um pouco para comprar um novo telefone, mas a demanda existe. Há ainda uma grande base instalada de feature phones (celulares básicos) que tendem a ser substituídos por smartphones ao longo do tempo”, afirmou. “A partir de 2017, o Brasil tende a apresentar uma leve melhora econômica, com uma recessão desacelerando e inflação mais baixa. Isso pode aumentar o volume de empregos e, consecutivamente, melhorar o poder de compra do consumidor. Tudo se dará de forma mais lenta, mas o cenário é otimista”. 

E a crise dos smartphones está fazendo você adiar a compra do seu novo smartphone?

Os comentários favoritos dos leitores

  • WALTER ANDRADE CARNEIRO há 4 meses

    Só queria entender: uma poderosa, pesadona e sofisticada máquina de lavar roupas ou Geladeira, que duram mais de 10 anos, custam em média R$1.990,00. Agora pergunto: como pode um minúsculo SmartPhone, que dura muito pouco tempo, custar o mesmo preço ou muito mais do que um PC, um Tablet, Notebook, uma TV FullHD, Geladeira ou uma indispensável Lavadora de Roupas? Falar que é a tecnologia embutida não me convence ainda. Será que estamos perdendo o senso de julgamento do valor das coisas ou é apenas o status aparente e imediato que nos faz pagar preços surreais num SmartPhone de cujos recursos mil aproveitamos tão pouco?

  • Rafael Garcia há 4 meses

    É o grande problema do pão da padaria. A farinha sobe pelo dólar e o preço do pão sobe, o dólar desce e o preço do pão continua o mesmo. Espero que não seja assim, mas no geral é......

    Se bem que to trocando meu aparelho por um mês de café e feijão....... Até que ta barato os celulares se for pensar nisso.

  • Felipe Mattos há 4 meses

    O mercado cobra o preço que o consumidor está disposto a pagar. No Brasil os produtos são caros, porque o brasileiro aceita pagar. Hoje, a palavra de ordem em Smartphones é importar ou aceitar o preço que nos é imposto.

  • Tiago há 4 meses

    Crise? ta uma bosta isso sim! não tem nexus, não tem xiaomi, não tem huawei, os modelos que vem pra cá é capado e os que vem normal é o preço de uma moto. Brasil é uma vergonha, só roubo, só imposto e o brasileiro não vê retorno nenhum nisso.

  • Julliano L. há 4 meses

    Além do "fetichismo" que os smartphones possuem por serem produtos que te acompanham em todo lugar, e por isso, são também usados para demonstrar o poder aquisitivo, temos outro fator: os smartphones, apesar de montados no Brasil, têm seus componentes todos importados. Outros itens como máquinas de lavar, podem ter partes ou seu todo realmente fabricados no Brasil. Mas acho que o fator mais importante é realmente que o brasileiro aceita pagar o preço cobrado. Enquanto continuarem aceitando pagar mais caro q o resto do mundo, não teremos redução nos preços.

83 Comentários

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  • a lei do bem voltou msm? ou e boato?

  • Tudo mentira, primeiro os preços aumentaram quando a Dilma removeu a lei do bem, e ai todos os Smartphones aumentaram de preços e olha que o dólar estava beirando os 4 reais, e ai no inicio do ano, a lei do bem foi revogada, porém a justiça derrubou isso e a Lei do Bem voltou, segundo o juiz, como a medida tem prazo, é inconstitucional remover a medida, já que tinha prazo, então as fabricantes passaram a pagar menos impostos, o dólar hoje esta muito menor, e mesmo assim, as fabricantes e os lojistas continuam cobrando preços altos como se a Lei do Bem continuasse revogada. Outro detalhe, estes preços são surreais, como é que um Smartphone é tão caro, mais caro que muitas televisões, e até mesmo da para comprar moto, comprar aparelhos que duram anos e anos.

  • Qual mercado, no Brasil, não está em crise?

  • Realmente acredito que a falta de inovação contribui para a queda de Vendas.

  • Vejam o preço de um smartphone com e sem impostos. Assim que se atrai empresas, segundo o governo do PT. Resta ver se Temer mudará muita coisa. Que decepção. 5K é um absurdo. Surreal.

  • ..

  • Eu não tenho condições financeiras, mas quando se trata de um aparelho celular, eu prefiro comprar um top

  • Sim e não, sim por que os preços estão altissimos, e com menos din din circulando, o melhor a se fazer é poupar e ficar com ele guardado esperando as oportunidades. Não, por que, há opções interessantes, que se pode comprar, e não precisa ser um top do ano, pode ser um top do ano passado, que satisfaça às necessidades da pessoa. No caso, ia comprar um Moto X Force, mas pelo preço salgadissimo e proibitivo, comprei o Moto Maxx, e estou muito feliz com seu desempenho. Acredito, que com ele, devo durar um tempinho a mais.

  • Sinceramente hoje nao considero smartphone um bem durável, rapidamente ficam obsoletos e desuatualizados. Mass o meu vain fazer tees anos. Porem no cenario geral nao considero. Principalmente mid e low ends

  • Próxima vez vou comprar no ebay ou amazon, mesmo taxado pagarei menos. E continuo achando o que me interessa .. Samsung, Sony, LG etc... tem tudo lá.

  • Um absurdo de caro, não é só a crise, mas também um pouco de abuso das empresas querendo lucrar com preços altíssimos, dolar sempre alto, e impostos absurdos, a situação é aceitar que o Brasil é um país de corruptos e exploração das massas que vivem na pobreza e não tem ordem.

  • Realmente, eu não sinto tanto a crise, pois todo ano estou com um novo Galaxy S, mas sei que faço parte da minoria. :(

  • Só vou falar uma coisa, as empresas chinesas não arriscam entrar no país, o motivo é que o governo brasileiro o que dá com uma mão tira com a outra, há vários casos de empresas que vieram para o "polo" com varias promessas e no final o governo meteu tanto imposto que tiveram que sair, mais ai que vem o outro problema.... A empresa além de ser obrigada a investir no país, ela não pode sair. "O quê? Como assim?" Simples, vamos dizer que o Brasil enganou o empresario a vir para cá, ai é tanto imposto que não vale a pena continuar aqui, então você como empresario quer fechar a sua fabrica e apenas importar que sai quase o mesmo valor de venda que fabricado aqui, só que você não pode. Pelo simples fato de o governo proibir a empresa de fechar :v .
    Que empresa vai vir pro Brasil nestas condições? Xiaomi tentou, mas não valeu a pena não e entre outras que aqui se encontram no Polo Industrial

  • Enquanto estamos aqui indignados com a situação do nosso ferrado país, milhares de pessoas estão gastando muitas das vezes o salário do mês, ou se individando com altas parcelas para terem um smartphone topo de linha só pelo fútil prazer em mostrar para o próximo o quão atualizado ele está nesse segmento. E deparando com a situação financeira desse indivíduo, anda de ônibus, vive passando nescessidade quanto aos consumos indispensáveis de um lar e quer ostentar um artigo de luxo fútil que mau pode pagar.

    Se pararmos para observar, a categoria de classe média baixa, são os que mais ostentam artigos fúteis de luxo e caros. Por que ao contrário, as pessoas de classe media média/alta, estão cada vez economizando mais comprando apenas o necessário e procurando pagar o mínimo nos atigos fúteis e saem super satisfeito com um aparelho básico apenas para falarem e usarem as redes sociais.

  • Vocês acham que ainda vale a pena pegar um LG G4 ? Faço essa pergunta porque tenho um Iphone 4S mas estarei mudando de celular em breve,gostaria de saber a opinião dos usuários de Android.

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